Capítulo 6

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— Bisa! — chamou da porta um pequeno menino no alto de seu primeiro aninho, ainda tinha aquele andar cambaleante de bebê com o corpo muito grande para as pequenas perninhas rechonchudas.

— Desculpe interromper, mãe, tia Lin, vovó! — disse Baathar Junior da porta — Kuvira está tentando fazer ele dormir, mas ele não quer ir antes de se despedir da bisa.

— Venha cá, pequeno encrenqueiro — disse a senhora se abaixando para pegar o bebê nos braços.

— Você deveria tomar mais cuidado com suas costas, Chefe — exclamou Lin, os braços cruzados sobre o peito, mas Toph apenas recusou a observação com um aceno de mão.

— Se eu não puder segurar o meu próprio bisneto então eu estou pronta para ser enterrada — respondeu.

— Não diga isso, mãe — respondeu Su antes de se voltar para o filho mais velho — E você pode deixar o bebê, nós levamos ele quando terminar aqui.

O homem apenas assentiu antes de fechar a porta e então a caçula se aproximou e tentou pegar seu primeiro neto, mas foi impedida pela mais velha, enquanto a criança ria nos braços dela.

— Você ouviu a parte que ele quer a bisa? — perguntou, voltando a se sentar na poltrona, com o pequeno aninhado em suas pernas.

— Você disse que contou a ele sobre Su — continou Lin, ignorando a pequena disputa pelo mais novo herdeiro Bei Fong — Isso foi quando? Logo no começo do relacionamento de vocês?

— Espera, você e o papai tiveram um relacionamento? — perguntou a caçula. Claro que entendia que algo havia acontecido 50 anos, mas do jeito que Lin falava parecia algo muito maior do que isso. Maior e mais recente que isso — Quando foi isso?

— Algumas semanas depois que você foi mandada para Gaoling — respondeu a chefe de policia.

— Na verdade foi ideia do seu pai e de sua tia que você fosse mandada para lá — respondeu a matriarca, brincando com os dedinhos rechonchudos do bebê — Katara já tentava me convencer disso desde que você tinha 12 anos, na verdade.

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142 Ag

Já fazia semanas que ela e Katara discutiam sobre Suyin. A dobradora de água chegou a ameaçar contar sobre a paternidade da menina quando Toph falara que Su era sua família e não da amiga. Foi um erro de principiante, mas não aconteceria de novo.

Ela havia acabado de chegar na delegacia e pediu que lhe viessem passar os relatórios dos casos e das rondas que estavam acontecendo. Estava com dor de cabeça depois de mais uma discussão especialmente acalorada das meninas na noite anterior, Lin estava reclamando das companhias de Su e claro que ela também não gostava dos baderneiros de gangue com que ela se envolvia, mas a chefe não era exatamente o melhor exemplo de bom comportamento na adolescência.

Apostava que era só uma fase e passaria, logo se ela tivesse sorte. Por outro lado, tinha certeza que a mãe e Katara riam do carma que ela estava pagando com a caçula sendo tão parecida com o que ela mesma, fazendo ela passar por tudo que havia feito as duas passar.

— Chefe! — chamou a moça encarregada de ser seus olhos.

— Sim, estou pronta pros relatórios — respondeu, se ajeitando na cadeira e tentando parecer o menos cansada possível.

— Antes tem alguém que gostaria de lhe falar a sós.

Naquele momento ela sentiu a espinha gelar. Esperava que Su nunca se metesse em um problema real, mas sempre esperava que esse dia chegasse e saber que alguém queria falar a sós com ela, bem, sua cabeça só a fazia pensar nisso.

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