Alguma coisa incomodava os seus olhos. Ela não tinha certeza do que era, mas não era como das outras vezes que a luz tocava seus olhos inúteis.
Abriu-os para reclamar com quem quer que estivesse por perto e se deparou com uma imagem inusitada. Claro que qualquer imagem seria inusitada para alguém que passou mais de 90 anos sendo cega.
Mas seus amigos mortos a sua frente não era exatamente a primeira coisa que esperava ver um dia. Podia pensar em algumas prioridades como as filhas, os netos e até mesmo Sokka.
— Vocês são menos bonitos do que eu esperava.
Ela nunca desejara enxergar, ao menos não sentia falta na maior parte do tempo. Mas agora podia ver tudo, as cores, a luz e os rostos de seus amigos em seus melhores anos a sua frente.
Podia ver a pele marrom de Katara, seus cabelos perfeitamente castanhos e longos e os olhos azuis se destacando. Podia ver Zuko e sua cicatriz vermelha no olho, a pele pálida e os cabelos negros longos, presos em um coque alto sobre a cabeça.
— Verdadeiras decepções.
Ergueu as próprias mãos, segurou as dos amigos e se deixou ser puxada para cima. Nunca havia estado no mundo espiritual, mas não precisava de muito para saber que era onde estava agora. Conhecia o mundo real com todos seus 4 melhores sentidos e ele não tinha aquela sensação macia, nem mesmo na melhor relva que já pisara.
— Espero não decepcionar você — sussurrou a voz em sua nuca, o arrepio familiar percorreu suas costas. Logo ela que penava que 20 anos de distancia teria sido o suficiente para acabar com isso, mas agora entendia que nunca seria.
— Você nunca decepciona! — respondeu envolvendo-o em um abraço firme de saudade.
Ele fora a única pessoa que a fizera desejar enxergar por quase 60 anos e mesmo assim não se preocupou em olhá-lo pela primeira vez. Queria abraçá-lo, senti-lo outra vez era muito mais poderoso do que apenas olhar.
~~ Notas Finais ~~
Esse bônus clichê e mélacueca é culpa de seu Walcyr Carrasco e o épico brasileiro chamado Alma Gêmea (Bate coração, as metades da laranja, dois amantes dois irmãos...) que eu tava revendo esses dias.
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Paternidade
FanfictionO ano de 176 Ag chega trazendo o aniversário de 50 anos da filha caçula da grande inventora da dobra de metal e Toph resolve que é finalmente o momento de dar a ela o que sempre quis: o nome de seu pai.
