CAPÍTULO 16

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Kit sentiu a primeira mordida no seio. Doeu mas não tanto quanto ela pensou que doeria. As fortes sugadas doeram mais. Sua filhote era uma esfomeada. Ela sorriu acariciando os cabelos claros dela. Os olhos azuis, idênticos aos do pai, se firmaram nos olhos de Kit, e ela sentiu uma aflição. Não precisaria contar. Se Robert a visse, saberia que ela era dele.
Como seria daqui para frente? Como iriam conciliar o fato de que tiveram uma filhote sem nem mesmo se conhecerem?
Num primeiro momento de pânico, pensou em ir para Homeland e implorar para Justice a esconder. Mas como negar ao pai o direito de ver sua filha?
Isso sem contar os sentimentos dela por ele. Ela sentia tanta falta dele. Eles só compartilharam sexo uma única vez, e foi tão bom. Dormir com o rosto apoiado no peito dele foi incrível. Ela ainda não entendia por que ele era tão especial, mas ela o queria. De todas as formas que alguém pode querer uma pessoa.
Uma lágrima escorreu pelo rosto dela.
"Eu bem sei o que você está passando, Kit. John me mordia com força."
Sophia disse entrando no quarto, ela sorriu e pegou a mão que Kit estendeu. O aperto da amiga a consolou um pouco.
"Mas acho que essas lágrimas não são de dor. Pelo menos não de dor física, estou certa?"
Kit apenas balançou a cabeça.
"Eu estava pensando no que fazer agora que ela nasceu. Robert disse que conversariamos, mas assim que ele a vir..."
"Saberá que é o pai dela?"
"É muito evidente, ou você já sabia?"
"Eu soube quando a vi. Ela é a réplica dele. Se não tivesse esses dentinhos, não seria possível afirmar que é uma bebê Nova Espécie."
Kit não havia pensado nisso. Céus! Sua filhote não tinha as características dos Novas Espécies. Seu nariz não era achatado, seus olhos não eram puxados como os dela. E as pupilas... Ela não tinha reparado, e ela estava com os olhinhos fechados.
"Ann, olhe pra mamãe." A pequena logo abriu os olhos e a olhou. As pupilas eram redondas, iguais às dos humanos.
"Ann? Que nome lindo, Kit! Pensei que faria como os outros e daria um nome diferente, como os que Brass deu aos nossos gêmeos."
Kit sorriu.
"Eu não sou como os outros."
Elas riram.
"Obrigada, Sophia, por me fazer rir. Estou tão preocupada! E se ela não for minha?"
Ela segurou as lágrimas dessa vez, mas por dentro havia uma dor a cortando, uma angústia a consumindo.
"É claro que ela é sua! Não diga isso nunca mais, entendeu?"
O rosto de Sophia se tornou feroz. Era isso que fazia com que Kit gostasse tanto dela. Era uma adversária formidável. Alguém teria que pensar mais de duas vezes em ferir quem Sophia amava, Kit estava feliz em fazer parte desse grupo.
A pequena Ann soltou o seio de Kit e bocejou abrindo ao máximo a boquinha e fechando os olhos. Sophia a pegou e balançou-a suavemente nos braços até que a deitou no berço que havia no quarto.
Kit sentiu o coração cheio de ternura quando viu a amiga aconchegando sua filhote no colo. Estendeu novamente a mão e quando Sophia apertou a mão dela, Kit disse:
"Obrigada, muito obrigada por todo o carinho, Sophia. Eu queria te dizer que cada vez que você entrava naquele quarto..."
Lembrar de todo aquele horror, dessa vez não causou raiva, ou ódio. Aquele tempo a fez ver o quanto era amada, e apesar do sofrimento que passou, ela tinha sido recompensada, sua filhote dormindo no berço fazia qualquer coisa ter valido a pena.
"Pense apenas na alegria de ser mãe, Kit. Tudo ficou para trás. A culpa me corroía, sabe. Ver você e essa coisinha linda juntas me deixa tão agradecida a Deus! E esses problemas também vão se resolver, você vai ver."
Sophia tinha muita fé. Kit se deixou levar por essa onda de esperança. Sim, afinal o que poderia acontecer?
O celular de Sophia tocou e ela atendeu. Foi saindo da sala e Kit fechou os olhos, estava ficando com sono.
Sophia voltou ao quarto. Estava com uma expressão apavorada e Kit se sentou. Ainda estava fraca. Tinha feito muito esforço no parto, sem falar que Trisha disse que teve que dar pontos na vagina dela, pois a filhote era grande.
"Kit! Temos..." Sophia foi interrompida pela entrada de Robert no quarto.
"Kit. Como você está?"
Ele estava sério. Olhou para o berço e se aproximou. Passou  um dedo pelos fios claros de Ann, e a olhou.
"Uma menina! Linda!"
Kit estranhou que não apareceu ninguém no quarto. Vingeance, por exemplo, estava na recepção. Não deixaria Robert passar sem vir junto. Na verdade, de repente o hospital ficou silencioso. Kit teve um mal pressentimento.
Ele a olhou com firmeza, e pareceu pesaroso, mas decidido.
"Kit, vim buscá-las. Se você não quiser vir, pode ficar, mas não vou abrir mão da minha filha."
Kit e Sophia abriram as bocas. Sophia logo começou a discar no celular.
"Não precisa chamar seu marido, ou qualquer outro dos seus homens. Eu vim com um destacamento do exército. Estão todos lá fora. Então a menos que você queira que aconteça uma guerra, ou ainda, que seu segredo seja revelado, você e minha filha virão comigo."
Nesse momento ouviram um rugido e vários rosnados. Haveria guerra. Kit se levantou da cama. Ela vestia uma camisola de hospital daquelas abertas no traseiro. Mas não se importou.
"Você sabe que podemos matar todos os seus soldados, não sabe? Por que está fazendo isso?"
"Eu vim em paz, Kit. Mas não saio daqui sem minha filha. E se vocês agredirem qualquer dos soldados que eu trouxe, responderão em nossa justiça."
Ela olhou para Sophia. A amiga tinha uma expressão feroz.
"Você seria capaz de tirar um bebê recém nascido dos braços da mãe?" Ela disse num tom raivoso.
"Já disse que você pode vir, Kit."Ele ignorou Sophia e disse olhando diretamente para Kit.
Kit viu Sophia pesando as possibilidades. Se não resolvesse logo, talvez a amiga ferisse Robert. Posto que ele estava todo tensionado, com os punhos fechados, ela temeu pela amiga.
Novos rugidos e rosnados se ouviram.  Novas Espécies não eram conhecidos por sua paciência.
"Tudo bem. Mas seus malditos soldados não vão machucar ninguém da minha família."
"Kit, podemos..."
Kit a abraçou, e disse em seu ouvido:
"Você se lembra do conselho do seu pai? Uma arma e uma saída? "
Sophia suspirou resignada. Elas não tinham nenhum dos dois. Nem arma, nem saída.
"Mas eu não vou sozinha. Sophia, mande Brass chamar Halfpint."
"Não aceito negociações, Kit! Vamos logo, antes que um dos seus admiradores esquentadinhos sejam abatidos. Trouxemos munição de grande calibre."
"Não saio daqui sem Halfpint. Não ficarei sozinha com você, nunca mais!"
Sophia ligou para Brass. Falou com ele por alguns minutos e disse:" Brass pediu alguns minutos."
Halfpint poderia ir com ela,pois devia favores a Kit, além de que, das amigas solteiras de Kit, ela era a única que estava na Reserva.
"Eu também preciso de roupas, a menos que queira que eu saia com minha linda bunda de fora."
Ele percorreu o corpo dela com os olhos. Ainda a desejava. Bom saber.
O celular de Sophia tocou. Ela atendeu e ficou ouvindo e balançando a cabeça.
"Halfpint estava na cabana de Léo. Ela já esta vindo, posso sugerir que ela traga roupas para você?"
Kit anuiu. Ela continuava em uma batalha de olhares feios com Robert.
"Diga a Brass para pedir a Halfpint que traga roupas para Ann também."
"Ann?"
Ela se endireitou e projetou o queixo.
"Sim. Ann Sophie North! E isso não é negociavel!"
"Oh!" Sophia abriu a boca, mas ficou tão emocionada que a fechou. "Obrigada, Kit! Nem sei o que dizer."
Kit sorriu."Queria ter contado numa hora melhor,mas eu sabia que você ia gostar!"
"Detesto estragar o momento, mas meu sobrenome é Crane. E isso também é inegociável." Ele estava implacável. Ela sentiu uma certa excitação. Ele estava tão lindo com aquela cara de mau.
Nessa hora, Ann, abriu os olhos e começou a berrar. Ele deu um passo na direção do berço, mas pareceu indeciso. Sophia e Kit se olharam divertidas. Um macho daquele tamanho sem saber o que fazer com uma filhotinha pequenina chorando. Isso fez uma onda de ternura invadí-la.
Mas ele se recompôs e tirou a filhote barulhenta do berço e a segurou no colo a balançando suavemente, como Sophia tinha feito. A filhote parou de chorar e o olhou. Ele sorriu e falou baixinho:
"Oi, minha gatinha! Você é tão linda quanto mamãe, sabia? E tem um lindo nome. Papai já te ama muito, viu?"
Ele parecia emocionado. Mas Ann começou o berreiro de novo. Kit a pegou dos braços dele e se sentou na cama para a amamentar. Ela estremeceu com a forte mordida no mamilo. Mas Ann logo começou a sugar fazendo barulho e Kit riu com Sophia e Robert.
"Parece doloroso." Ele disse.
"É por causa dos dentes."
Ele arregalou os olhos.
"Dentes?"










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