Conforme os dias foram se passando, Fernanda começou a se acostumar com o ritmo da faculdade, e conseguiu se entrosar com os outros alunos muito bem; sempre fora ótima para fazer amizades, mesmo sendo um tanto tímida. Como em todo início de curso, sua grade de aulas era extensa, não chegando a ser exaustiva, mas sendo o suficiente para que tirasse um pouco Marcos de seus pensamentos.
- Amiga, vai sentir saudades? - Juliana perguntou, enquanto arrumava suas malas. Chegara domingo, o dia de ir embora, para a sua faculdade, e as duas tentavam organizar tudo no quarto.
- Já estou sentindo. Esse lugar não vai ser o mesmo sem você. - respondeu, chorosa.
- Sua fofa! Vamos nos falar todos os dias, e caso se sinta mal por... Bem, você sabe, me avisa e eu volto correndo.
- Pode deixar, mamãe - riu.
- Ou você pode chamar o gatinho do Matheus... Acho que ele está te paquerando, amiga, sempre te chama pra sair e tudo o mais. - alfinetou a amiga.
- Não viaja, morena. Acho que ele é gay.
- Sério? - Decepcionou-se - Estava quase chamando ele pra sair. Bem, uma pena.
- Não chora não; aposto que no seu curso vão ter vários garotos lindos pra você! - animou-a.
E nesse ritmo foram arrumando tudo, até que, no fim do dia, conseguiram fechar a última mala, e comer a lasanha que estava no forno. Quando o relógio marcou 20:00 horas, Juliana se despediu da amiga, e entrou dentro do táxi, que rumava para o aeroporto.
- E agora, como vou fazer para seguir em frente sem essa doidinha? - falou baixo, pensativa.
Quase no mesmo instante, recebeu uma mensagem de Luana, uma amiga da faculdade: Gatinha loira, to saindo p assistir um filme c o Matheus e a Lele, vamos? Passo p te buscar daqui 10 min. Beijos :*
Pensou em recusar, mas como quase não saia de casa, resolveu dar uma chance aos novos colegas, ainda mais por serem sempre tão gentis, e respeitarem sua privacidade não perguntando sobre Marcos, como muitos faziam.
Td bem, estarei esperando. Bjs ;*Subiu até seu andar e trocou sua roupa por um vestido florido e soltinho, e colocou uma sapatilha confortável; não passou maquiagem, não parecia ser necessário. Arrumou a bolsa, com dinheiro, documentos e chaves, e desceu. Mal trancou o portão, pode ouvir a buzina da amiga, que denunciou sua chegada.
- Boa noite, povo animado! - saudou-os.
- Boa noite, minha gata! - retribuiu Matheus, sempre galanteador.
- Que bom que veio! Ficamos felizes. - cortou-o, Letícia, ou Lele, como a chamavam.
Foram o caminho todo até o shopping, onde ficava o cinema, conversando amenidades, e tentando decidir qual filme assistiram, o que levou cerca de meia hora. Ao chegarem, optaram por uma comédia romântica.
- Você ia muito ao cinema na sua cidade, Nanda? - questionou Matheus.
- Só as vezes, preferia assistir em casa, juntas os amigos pra uma sessão pipoca.
- Ah sim. - sorriu, e silenciou, pois o filme começara.
O silêncio durou cerca de dez minutos; comentaram sobre tudo no filme, cabelo, homem, roupa, e até a música que tocava como trilha sonora. Ao fim, estavam todos cansados de tanto rir, e, por isso, foram direto para suas casas, Luana em seu carro com Lele, Matheus em um táxi e Fernanda, em outro.
E assim os meses foram se passando, o grupo se aproximou, e Fernanda quase conseguia se sentir feliz. Ainda sentia que havia um vazio em seu peito que jamais poderia ser preenchido novamente, desde a partida de seu amado. Mas, apesar de tudo, tinha Juliana, que nunca a esquecia ou a deixava de lado, e tinha os novos amigos da faculdade, sempre à sua disposição.
Quase um ano se passa, e chega o "aniversário" do acidente.
Fernanda acordou indisposta; sabia que dia era aquele: fazia um ano desde o fatídico acidente. Nunca poderia se esquecer daquilo. Não queria sair de casa de forma alguma, e ainda mais dirigir, mas seus amigos praticamente a obrigaram, dizendo que ela deveria ir ao encontro com os calouros da faculdade.
- Nós nem tivemos um encontro, por que eles tem que ter? - questionou, tentando conseguir uma desculpa para fugir.
- Porque somos veteranos legais, Nan, por isso. - Luana respondeu.
- Lua, eu não quero ir, você sabe porque!
- Eu sei, meu anjo, mas por isso mesmo deveria ir. Se ficar em casa será pior. - Argumentou Matheus.
- Mat, te mato, e vai ser hoje. Era pra me defender. - Reclama.E assim, ela foi intimada a ir, e, às 19:00 do domingo, estava acabando de colocar seus brincos. Pegou a bolsa e as chaves do carro, trancou a porta e desceu o elevador. O caminho para o bar foi curto, cerca de dez minutos, e, chegando lá, ela se deparou com algo surpreendente.
Havia um garoto. Estava de costas. Tinha os cabelos raspados, quase 1,80m, negro, um pouco forte; ao se virar rapidamente, procurando algo, pode-se perceber os olhos azuis. Aqueles olhos azuis. "Não pode ser ele, ele se foi... Mas se parece tanto.". Foi andando em direção àquele homem, que mais parecia uma miragem, sem nem perceber, e antes que notasse, estava chamando-o.
- Marcos? - os olhos cheio de lágrimas.
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O que será depois de você?
RomantizmFernanda Capistrano era uma jovem feliz. tinha uma família ótima, boa condição financeira e ia começar a faculdade de direito em algumas semanas, junto com o namorado Marcos Preiss. Tudo isso mudou quando, em um acidente de carro, o homem, que consi...