capítulo 7

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Eu não sabia ao certo como reagir. Mas, eu só sentia um sentimento enquanto seus olhos escuros me encaravam. Raiva. Acho que mais ou menos por tudo o que aconteceu. Como ele ter contado de minhas alucinações, ter me chamado de estranha, ter me mostrado o dedo do meio irônico e por sempre estar lá para estragar as boas coisas.

- Você não presta!... - disse no intuito de continuar, ele só deu de ombros.

- Essa já ouvi.

- ...Como teve coragem de contar sobre aquilo. Isso é uma coisa minha! Uma coisa que - eu enfiei o dedo no peito dele enquanto falava e me esforçava para não gritar. - eu não tenho culpa e você espalhou como se fosse mais uma fofoca divertida! Seu imaturo!...

- Essa também.

- ...Por que não arranja algo melhor pra fazer do que contar da vida dos outros? E agora, Zayn? O que quer me falar?

Ele me fitou por alguns segundos. Até que tinha uma certa curiosidade de saber o que ele queria, mas não a ponto de ser gentil para saber. Enfim ele falou.

- Lance é meu amigo, não que ele fosse conta, não confio mais nele! Me desculpa! - ele pareceu mesmo arrependido - Eu quero te ajudar!

Senti um arrepio. Gaguejei algumas vezes antes de formular uma frase.

- Você - Disse apontando pra ele com uma mão depois apontei pra mim com as duas - quer me ajudar? Com o que exatamente?

Ele revirou os olhos como se fosse óbvio.

- Vou te ajudar a sair das alucinações por conta própria.

- Mas, nem sei quando elas vem.

- Elas vem, de acordo com a ciência, quando um sentimento ou uma lembrança te vem a cabeça. Você pode controlar descobrindo que sentimento ou lembrança você sente quando esta alucinando.

Comecei a pensar. Em todas as alucinações eu senti o sentimento de não pertencer a lugar nenhum. Mas, se fosse uma lembrança, eu não tinha idéia de qual seria. Tinha muitas lembranças com o Isaac.

- Tá, então eu vou passar o dia com você e se tiver alguma alucinação você aperta o meu braço. Entendeu? Dai eu vou tentar várias coisas para te tirar de lá. Só então eu acordei.

- Espera, por que iria querer me ajudar? E eu não quero passar o dia com você.

- Sinto-me lisonjeado. Eu quero ajudar porque eu nunca vi nada parecido e pode ser legal. Você tem que me contar exatamente toda a história e o que você vê nas suas alucina...

- Isso não! Mas, eu não sei o sentimento ou lembrança que eu tenho quando estou alucinando.

- Pense no que você mais vê nas suas alucinações. Se é uma lembrança ou o que você sente ao te-las.

Eu assenti. Eu não tinha nada a perder se Zayn me ajudasse nisso. As alucinações não iriam desaparecer, mas deixo ele tentar, mesmo eu não o conhecendo direito.

Pensei em algo que evitava a meses. Repassei cada segundo do dia que Isaac morreu. Era um domingo e eu iria passar o dia na casa dele já que os pais iam viajar, mas eu não pensava em malícia naquele dia. Chegando lá, conversamos sobre várias coisas e nos beijamos muito. Comemos o almoço e de sobremesa, Isaac fez brigadeiro e nós comemos dando um na boca do outro. Depois, eu e ele nos beijamos no sofá, ele me beijava com carinho e como se fizesse força fosse me quebrar em pedaços. Então, eu parei de o beijar e disse as palavras que eu e ele nunca tínhamos dito um para o outro.

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