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Corri e abracei Melissa. Ela estava rindo e com o fone de ouvido ouvindo seus raps. Melissa estava como sempre, cabelos presos numa trança, uma tiara e o rosto de criança. Ela estava com suas roupas pretas, regata e jeans, com vans vermelho. Ela parou de me abraçar e deu seu sorriso infantil.
- Ok, Kathe, quero saber de todas as novidades e eu conto as minhas que não devem ser nada comparadas a você ter transado.
A parte do "você ter transado" ela gritou com uma vozinha fina. Eu ri daquilo e puxei os fones de suas orelhas.
- Vou te contar tudo! Mas, antes, por que esta do outro lado do mar?
- Minha mãe me devia um presente de aniversário e eu disse que tava caindo em depressão, então... ela pagou minha passagem! Vou ficar até quarta feira. Agora quero todos os detalhes. Dói?
Eu ri. Acho que mais porque eu não fazia menor idéia se doia ou não. Eu acho que sim.
- Então... - disse fazendo ela andar até o sofá. - Vamos sentar.
Eu me sentei em um lugar e ela chegou perto de mim, perto até demais.
- Ta, ok, Mel. Aconteceu o seguinte...
Contei cada detalhe daquela noite e ela só me olhava e assentia com os olhos grandes e curiosos que ela tinha. Depois de tudo ela ficou boquiaberta.
- Ai, meu Deus! Você transou e não se lembra? Pelo menos sentiu alguma coisa?
- Senti. Foi bom e estranho ao mesmo tempo.
- Como é ficar bêbada? Nunca cheguei ao ponto de não lembra de nada.
- É horrível! Tudo gira, você fica com uma dor de cabeça terrível!
Ela assentiu e contou as novidades de casa. Eu não prestei atenção em nada, até ela dizer algo que me fez estremecer.
- O que? Metade da nossa sala me culpa pela morte de Isaac?
- Eu não queria contar pro telefone, e quando você tava em depressão achei que iria te fazer se sentir pior. Alguns acham que não foi culpa sua, tipo acreditam na sua história. Outros acham que você e Isaac estavam bêbados e não perceberam o caminhão. Outros acham que você beijou Isaac, ele se distraiu e não passou no sinal. Outros acham que você simplesmente distraiu ele.
- Isso é ridículo! Eu não fiz nada disso!
- As pessoas são difíceis, Katherine Paige, e não há nada que possamos fazer para evita-las.
Odiava quando ela fazia poesias. Eu puxei minha franja para trás com os dedos e apertei os olhos. Não queria saber quais dos meus supostos amigos pensava aquilo de mim, pois eu sempre pensei que era culpada, mas esperava que ninguém concordasse comigo. Agora a culpa pareceu um vidro que se espatifou e se espalhou pelo chão. Agora não era só eu que me destruía pisando no vidro. Havia pessoas para me ajudar com isso.
- Mas, vamos esquecer isso, amor. Anda quero conhecer esse garoto que teve overdose.
Eu me levantei arrumei o jeans e pus a camiseta de manga comprida de listras pretas sobre a regata. Melissa parecia não sentir frio.
Fomos de carro e ouvimos as músicas de Melissa no carro. Ela sabia cantar muito bem os raps do Eminem, 50 cent e da Nicky Minaj. Ela dirigia e me fez ficar de carona sendo que o carro era meu. Eu olhei para a casa de Zayn enquanto passamos por ela. Olhei pela janela do sótão e a tarde de hoje veio a minha cabeça. A briga a alucinação, a sopa. Tudo. E senti vontade de sair do carro, tocar a campainha, dizer oi a Zayn e bater nele. Depois do que ele disse eu queria bater a cara na parede. Em parte porque a pancada daquelas palavras doeu muito mais do que qualquer cara na parede. Queria ver Jack, me animar com ele e queria que Melissa ficasse pra sempre aqui na Inglaterra.
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hallucinations // zm
Hayran KurguKatherine Paige era realmente feliz. Tinha amigos q ela não vivia sem. Tinha dois pais maravilhosos que sempre estavam do lado dela e recentemente ela conheceu Isaac Lahey. Uma amizade que se transformou em amor. Ele sempre a beijava e abraçava com...
