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Oiiiiii o fogo está pegando e eu sei que é maldade acabar assim, mas é preciso!!

— Eu preciso conversar com você e quero que me entenda! — se moveu sentindo dor. — Mas antes me ajuda a tirar essa blusa que está me incomodando.

Maria o ajudou e pegou uma manta para cobri-lo e ele segurou em sua mão para começar aquele assunto.

— Eu tenho pouco dinheiro e sei que não é o suficiente para trazer nossas filhas para casa e por isso eu terei que te roubar!

Maria não entendeu o que ele queria dizer e elevou uma sobrancelha, como assim ele teria que roubá-la? Estevão respirou fundo percebendo a confusão em seu olhar e segurou melhor a mão dela.

— Ficou maluco? — foi o primeiro que disse e ele deu um meio sorriso. — Acho que a dor está te fazendo dizer nada com nada! — era a única explicação para aquelas palavras estapafúrdia.

— Eu estou bem lúcido e irei te explicar tudo direitinho para que me entenda e não tire conclusões que não são.

— Então diga de uma vez e pare de rodeios!

Ele riu, mas sentiu dor e ela o arrumou na cama.

— É melhor que descanse até o médico chegar e depois a gente conversa! — estava preocupada com sua saúde.

— Eu preciso dizer porque o tempo é curto e os remédios me fazem dormir a maior parte do tempo! — respirou fundo. — Foi Ana Rosa quem pegou nossas filhas, mas ela não está sozinha nisso e por isso a polícia não encontrou nada e muito menos o detetive que está em sua cola, ela é esperta e não vai deixar rastro para que a prendam.

— A polícia não encontrou nada contra ela mesmo com sua denúncia!

— E nem vai encontrar já que o carro foi descartado e encontrado pela polícia sem uma digital se quer! — respirou fundo. — Ela vai fazer qualquer coisa pra nós separar e enquanto estava lá embaixo, ela me ligou e me exigiu todo dinheiro que tinha e ainda que roubasse sua empresa para que somente assim devolvesse as nossas filhas!

— Ela quer que você me roube? — ficou de pé se afastando um pouco da cama.

— Sim! Ela quer que faça três retiradas pequenas e uma última de um milhão de reais!

Maria o olhou de imediato.

— Isso é muito dinheiro!

— Eu sei disso e por isso preciso da sua ajuda, não quero entregar esse dinheiro para ela, mas também tenho medo do que ela possa fazer com nossas filhas!

— Vamos falar com a polícia para que rastreie as transações que fizer e assim a colocamos contra a parede!

— Nossas filhas não estão com ela e eu tenho medo do que essa pessoa possa fazer, se vamos falar com a polícia tem que ser discretamente para que ela não desconfie e suma no mundo como ela já fez com o meu dinheiro!

— Isso nunca! — negou. — Quanto precisa pra começar a enganá-la? Darei o que for necessário para que traga as minhas meninas! — chorou sentindo o coração doer.

— Ela quer que eu retire cem mil por dia durante três dias e no quarto dia o um milhão! — a chamou com a mão já que não conseguia se mexer direito. — Maria, se eu fizer isso sem seu pai saber, ele vai querer me colocar na cadeia por te roubar.

Ela se aproximou novamente dele e deitou em seu peito para ser consolada.

— Depois eu converso com ele e explico como vai ser as coisas! — respirou fundo sentindo o calor de seu peito.

— Eu quero que confie em mim!

— Eu confio! — o abraçou devagar para não machucá-la. — Só as traga de volta!

— Eu farei até o impossível para isso!

Ele a abraçou como conseguiu e ficaram ali até a chegada da enfermeira que o medicou e ele logo pegou no sono. José logo chegou em casa e ela contou a ele como as coisas seriam e ele não gostou nada daquela história e mais uma vez acusou Estevão, mas Maria não queria brigar naquele momento e apenas decretou que o ajudaria e se retirou para o quarto o deixando sozinho.

***

Nos dois primeiros dias Estevão fez como o combinado com Ana Rosa e a polícia rastreava as transações com cautela para que ela não desconfiasse. Renato apareceu naqueles dois dias como quem não queria nada e deu seu apoio a ela que somente agradecia, mas Estevão não gostou nada de tê-lo novamente a seu lado.

Naquela tarde, Estevão estava pronto para fazer a terceira transação, mas Maria entrou correndo no quarto o mandando parar.

— Não faça! — respirou fundo.

— Por quê? — estranhou o comportamento dela. — O que aconteceu?

Maria passou a mão no cabelo e caminhou de um lado a outro.

— Como eu pude não perceber? — encheu os olhos de lágrimas o deixando sem entender.

— Meu amor, você está me assustando!

— É ele, Estevão! Sempre foi ele! — foi até a cama.

— Ele quem pelo amor de Deus! — falou afoito.

— Renato! É ele quem está com as minhas filhas! — tornou a se afastar. — Todos esses dias ele esteve aqui e sempre que ia procurar algo das meninas que estava na sala, tinha sumido! — chorou. — Maldito! Desgraçado!

— Você tem certeza disso? — ficou de pé no mesmo momento.

— Eu nunca estive tão certa em toda a minha vida! — foi até ele. — Eu vou buscar as minhas filhas e você avisa a polícia! — falou com certeza.

— Eu vou com você e no caminho avisamos a polícia!

— Você precisa ficar na cama, não está bem ainda!

Ele negou e segurou a mão dela que já se preparava para sair do quarto.

— Eu não vou permitir que se arrisque sozinha, eu irei com você! — ela iria retrucar, mas ele a calou. — Eu posso cair morto, mas te ajudarei a trazer nossas filhas para casa, eu as perdi e eu tenho como obrigação trazê-las de volta.

— Não fale assim! — tocou seu rosto. — Voltaremos todos para casa.

Ele concordou e sentou para calçar os sapatos.

— Seu pai tem alguma arma em casa? — perguntou enquanto desciam as escadas.

— Acredito que ainda tenha uma no cofre!

Foi rapidamente até o escritório e voltou mostrando a ele a arma dentro da bolsa e dali saíram, desceram e pediram para o porteiro chamar um táxi e entrar na garagem para não levantar suspeitas. O caminho até o apartamento de Renato foi angustiante e mesmo que a polícia os mandasse esperar, eles não fizeram e com cautela entraram no prédio.

— A polícia está chegando e acho bom o senhor colaborar! — Estevão falou bem sério.

— Eu não quero me comprometer em nada!

— É melhor assim!

— Renato está com duas crianças nesse prédio? — Maria o questionou.

— Pelo que sei, não! — o homem gaguejou.

— Se descobrir que está mentindo, eu irei acabar com sua vida! — o ameaçou e correu para o elevador.

Estevão correu atrás dela e ela apertou o botão de seu andar, estava ansiosa e quanto mais demorava pra subir, mas ela sentia um desespero por não perceber antes que era ele o maldito que estava com suas meninas. Saiu correndo do elevador quando parou e foi até a porta dele, tocou a campainha e não ficou diante da porta para que ele não visse que era ela.

Renato estranhou não ser avisado e deduziu ser algum vizinho intrometido querendo alguma coisa, saiu do quarto o trancando e foi até a porta. Ele olhou pelo olho mágico, mas não viu ninguém e novamente a campainha tocou o fazendo abrir e quando a viu ficou branco.

— Cadê as minhas filhas desgraçado?! — apontava a arma para ele e suas mãos tremiam de nervoso.

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