O entra e sai das pessoas no meu quarto estava começando a me aborrecer. Os burburinhos, as conversas paralelas, tudo. Ainda que estivesse com fone de ouvido, no volume máximo, aquilo não era suficiente. Que saco! Minha paz interior tinha ido pro beleléu e levado minha paciência junto.
- Desculpa gente, mas assim não dá, a Anne está dormindo, se vocês ainda não perceberam, e pelo que vejo, ela não irá acordar tão cedo. Se puderem voltar outra hora em que eu não esteja aqui, ficarei agradecida. Isso se não for pedir muito. - dei meu sorriso amarelo. Mas na verdade eu queria ter dito: Saiam todos daqui! E me deixem em paz. Mas felizmente, consegui inspirar fundo todo o ar para o meu pulmão, e centrar meu foco em outra coisa que não fosse raiva.
- Tudo bem, Lucy, não foi nossa intenção incomoda-la, nos desculpe- disse Louise, levando todos para fora do quarto consigo.
- Enfim sóis. - joguei-me na cama com a satisfação presente em meu ser. Era disso que eu precisava. Paz, silêncio, minha cama e minha música. Meus amados instrumentos.
A paz voltou a pairar dentro do quarto, porém, não por muito tempo.
Após se passarem em media os quinze minutos contados, ouço batidas na porta novamente.
- Que saco! Pelo visto não terei mais paz nessa vida. - eu até deixaria a pessoa que estava do lado de fora bater até cansar. Deixaria, se ele ou ela não fosse tão insistente.
Caminhei até a porta pisando duro. Era o que eu menos precisava nesse momento.
- Eu já não disse pra vocês voltarem... - rapidamente perdi a voz ao ver de quem se tratava.
Não eram os amiguinhos de Anne ali fora. Mas sim o garoto que ficou o tempo todo ao meu lado, quando estávamos na ala hospitalar. Fernando.
- Err... Desculpe incomodar - disse a mim, tentando se redimir por me ter incomodado. Mal sabia ele, que eu havia esperado horas pra que aquilo acontecesse.
- Hum, n-não se preocupe. Quer entrar? - ele apenas sacudiu com a cabeça e entrou.
Ficamos os dois sem saber o que dizer ou fazer, apenas olhando para os lados sem cruzar os olhos um do outro.
Até que eu tomei a decisão e disse.
- Então... A que devo a honra de sua visita? - caramba, será que falei culto demais? E se ele souber que eu não sou assim? Merda!
- Ah! Bem, é que esqueci de te entregar o seu lenço. Obrigado. - ah, o meu lenço. Eu nem lembrava dele. - E também vim saber como Anne está. - é, como eu imaginava, a visita não era pra mim.
- Bem, ela está bem, se é isso que quer saber. - minha arrogância voltou ao seu estado normal de espírito.
Eu não acredito que ele tenha vindo, de onde o gato perdeu as botas somente para isso. Me entregar um lenço, que eu nem mais queria, e saber como Anne está. E olha que não se faz nem duas horas que estivemos na ala hospitalar.
Anne era mesmo a queridinha de todos. E em pensar que eu ainda gostava dessa garota, me faz sentir raiva de mim mesma.
Meu desconforto em saber que eu não era causa de sua visita, me fez agir indiferente a ele.
E isso provocou a sua saída de meu quarto.
- Hum, bem.. Então eu vou indo. Quando a Anne acordar, eu volto aqui para... para... - retesou ao ver meu constrangimento - o que pra mim não era de se esperar - vê-la.
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Virou Amor
RomantikSinopse Angeline é uma menina corajosa e lutadora, aprendeu com sua vida, a se defender de seus inimigos e diante a todo sofrimento que a vida lhe proporcionou, não desistiu de lutar por sua felicidade. Ela se vê totalmente desamparada, quando o de...
