Embry desdobra o papel e o alisa por alguns segundos, tentando arrancar-lhe as rugas que o impediam de entender a própria letra. Suas mãos tremiam de ansiedade e ele torcia para que ela não notasse, pois, com certeza, estava agindo como um idiota.
― Muito bem, vamos à primeira pergunta: qual seu sobrenome? Mora com quem? Estuda ou trabalha? Qual seu animal preferido? E cor preferida?
― Se esta é a primeira, tenho medo de saber como é a segunda. – Ri.
― Cinco em um, pergunta compacta, supernormal hoje em dia – zomba ele, acompanhando a ruiva nas gargalhadas. – Ok, confesso que exagerei um pouco, talvez essas sejam a pergunta um, dois, três quatro e cinco, todas de uma vez.
Levou mais alguns minutos para que Andy pudesse controlar suas gargalhadas, mas isso não pareceu incomodar o lobo, que ouvia o som de sua risada como se fosse a mais melodiosa sinfonia.
― Vamos por partes... Meu nome é Andy Doreto! Meu pai escolheu esse nome porque tinha quase certeza de que eu era um menino. No dia em que minha mãe iria descobrir que, na verdade, eu era uma menina, ele faleceu num acidente de carro a caminho do hospital... Acabei sendo batizada como Andy em sua homenagem.
― Sinto muito, eu não sabia – comenta preocupado.
― Relaxe! – Ri, dissipando qualquer possível tensão. – Eu nunca cheguei a conhecê-lo, então não tenho o quê me lembrar dele e a saudade não me tortura. Mas fico feliz dele ter me deixado algo de presente, mesmo que seja apenas o nome... – Sorri. – Vamos às outras perguntas agora – recomeça, franzindo a testa ao tentar se lembrar de todas elas –, gosto de cachorros, minha cor favorita é o preto, trabalho no período da manhã na Biblioteca Municipal de Seattle e, às vezes, encontro empregos extras para completar a renda da casa. Por causa da correria acabo estudando por conta própria.
― Interessante, mas acho que você pulou uma pergunta.
― Ah, qual era mesmo? – Faz-se de desentendida, mostrando certo desconforto.
― É... – Confere o pedaço de papel. – Mora com quem?
― Bem... – Pausa, como se estivesse medindo suas palavras. – Antes costumava morar com minha avó, Dolores, mas ela se mudou para um asilo há alguns meses. Idosos precisam de cuidados e ela não queria me causar ainda mais trabalho, pois já tinha que dar conta de um emprego e dos estudos... Atualmente, estou morando sozinha.
― E sua mãe? – pergunta um pouco confuso, não entendendo onde ela se encaixava em toda àquela história.
― Ela morreu – confessa num sussurro, baixando a cabeça. – Quando eu ainda era pequena, mas, ao contrário de meu pai, ela faz bastante falta... – termina num fio de voz.
― Me perdoe, Andy. – Esfrega o cabelo exasperado. – Eu tenho o dom de ser inconveniente às vezes, me desculpe, me desculpe, me desculpe, eu não sabia...
Não tinha como ele saber, já que ainda a estava conhecendo, porém, ver o sorriso sumir de seu rosto era a última coisa que Embry deseja. Ele sente um toque delicado em suas costas e, somente então, se deu conta de que apoiara os cotovelos nos joelhos.
― Vamos continuar – diz Andy, sorrindo levemente. – Conversar com você é tão divertido, não quero que a conversa termine por causa do que disse... E você, Embry? Mora com quem? Está trabalhando ou estudando?
Lembrar-se daquele assunto a deixava triste e isso estava estampado em sua face, mas então por que ela sorria? Por que pedia para continuar como se tudo estivesse bem? Gritar e ofendê-lo seriam as reações mais aceitáveis naquele momento, então por que seus olhos não carregavam nenhum resquício de desapontamento?
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Olhos de Vidro
FanfictionTodos tinham alguém, menos ele. Todos eram felizes, menos ele. A vida parecia tê-lo esquecido e a felicidade o abandonado, por muito tempo ele esperou, por muito tempo ele a procurou e quando estava quase desistindo, chegou o grande dia! Embry Call...
