Não a Deixe Morrer

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Embry ainda permanecia alheio ao mundo ao seu redor, como se o seu lobo interior estivesse tão acabado, tão sem forças, que não quisesse mais estar naquele ambiente. Jake tentava lhe confortar, afagando seu ombro e lhe dizendo palavras consoladoras, mas para ele tudo não passava de um sussurro distante e que mal podia ser compreendido.

Uma leve brisa sopra para dentro da casa do Uley, trazendo consigo o som de grito. Era agudo, angustiado, porém baixo devido à distância. No entanto, mesmo assim os quileutes conseguiam identificar aquilo como um grito... Embry se coloca de pé abruptamente assim que o timbre afeminado adentra seus ouvidos aguçados, seu lobo cinzento se alvoroça dentro de seu peito, fazendo-o subir a mesa a sua frente e saltar para o outro lado dela, buscando acesso à saída.

― Andy!!! – grita com todas as forças de seus pulmões, enquanto suas pernas corriam velozmente em direção à floresta.

Embry reconhecia aquela voz, era Andy, ele tinha certeza, e o desespero logo se apodera de seu corpo de forma sobrenatural. Ele poderia tê-la magoado, ela poderia tê-lo rejeitado, mas nunca permitiria que algo colocasse sua vida em risco.

Os lobos levam alguns segundos para processar o que estava acontecendo e logo se levantam de seus lugares, seguindo o Call rumo à floresta. Embry olhava para os lados em busca de algo que pudesse levá-lo até seu imprinting, sentindo a angústia trepidar por seus músculos ao imaginar o que poderia acontecer a Andy se não a encontrasse a tempo.

― Andy! – grita com urgência, voltando a correr por entre as árvores em sua procura, mas não sabendo ao certo em que direção seguir.

Um pouco longe dali, a humana contorcia-se no chão gelado com o ombro marcado pela mandíbula do vampiro e manchado pelo próprio sangue. Algo a incinerava por dentro como se estivesse queimado-a viva, se espalhando por seus membros e incendiando seus olhos, obrigando-a a fechá-los.

De toda a dor, de todo o medo e das poucas pessoas que gostava, nada ocupou mais sua mente do que Embry Call. Seus olhos fortemente fechados verteram lágrimas quando o grito rasgou sua garganta no momento seguinte, um lamento que não poderia ser mais nada, a não ser o nome do garoto que roubou seu coração.

― Embry!!! – grita, fazendo sua voz dolorida voar por dentre as árvores diretamente para o quileute, indicando sua localização.

― Por que chama por ele se é comigo que ficará? – rosna o vampiro furioso, que apenas assistia ao seu sofrimento sem nada fazer. – Aguente apenas um pouco mais e toda essa agonia irá passar, mas não chame mais por aquele cachorro fedido.

Gregory agacha-se ao lado do corpo infectado por seu veneno e delicadamente pousa sua mão gélida na testa da humana, aliviando um pouco o ardor que se acumulava ali. Ele sorria satisfeito com o que fizera e, em momento algum, sentiu compaixão por sua dor, pois sabia que a transformação era difícil e dolorosa, mas que logo ela seria somente dele.

Andy fazia sulcos na neve com os pés devido à sensação horrenda que tomava conta de seu corpo, nem mesmo o chão recoberto pelo inverno fora capaz de diminuir a incêndio que parecia matá-la de dentro para fora. O vampiro se aproxima de seu rosto em brasa, segurando seu queixo com força.

― Vamos, Andy, abra seus olhos – ordena. – Deixe-me vê-los mudar de cor!

Ela podia ouvi-lo, no entanto, não conseguia obedecê-lo. Seus olhos se abriram míseros milímetros, mais um clarão forte os fizeram arder ainda mais e os fecharam instantaneamente, por mais medo que sentisse daquele de Gregory, não seria possível fazer o que ele mandava.

― Deixe-me ver o vermelho da imortalidade tomar conta de você – irrita-se por não ser obedecido. – Abra os olhos, Andy.

― Embry!!! – grita em resposta, sentindo as lágrimas escorrerem para as laterais de seu rosto.

Olhos de VidroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora