Meus Dias Sem Você

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Não houve um dia sequer em que Embry Call não tivesse pensado em Andy, em que seus pés não tivessem traçado caminho pela neve até a praia e travado no meio do percurso, em que o pesar e a raiva não duelassem em seu peito.

O arrependimento lhe corroía os sentidos sempre que se lembrava do grito de seu imprinting ecoando pela floresta, aquilo arrepiou cada célula de seu corpo e, no mesmo instante, seu lobo interior desejou voltar atrás, mas sua burra e preconceituosa razão dizia que não, que ele nunca mais deveria vê-la, pois merecia coisa melhor. E era neste momento que a raiva daquela revelação retornava, guerreando com o pensamento anterior e fazendo de sua vida um verdadeiro inferno.

Naquele fatídico dia, quando retornou para casa e contou a mãe sobre o ocorrido, Tiffany confessou suspeitar da menina desde que a conhecera:

― Quando estávamos indo para a cozinha naquele dia – contou ela –, percebi algo diferente, ela andava com passos tão curtos que parecia com medo de cair ou bater em alguma coisa... E suas mãos apalpavam o ar de maneira discreta, como se tentasse encontrar a localização do sofá ou de qualquer outro móvel. Agora tudo faz sentido!

Aquela foi a tão estranha cena que a Sra. Call vira, desconfiara, mas que não tivera coragem de contar ao filho durante a visita de Andy. E somente por pensar que até mesmo sua mãe percebera algo errado e ele não, Embry sentia a raiva preencher-lhe novamente.

É claro que Tiffany Call não se agradara com a forma do quileute tratar a menina. Independente do imprinting e do segredo que guardara, Andy era diferente e todas as diferenças deveriam ser respeitadas. E depois de um belo castigo e da mais dura repreensão que já tomara em sua vida, Embry parecia diferente... Não do tipo que planeja uma retratação ou um pedido de desculpas, mas do tipo: andar carregado, olheiras profundas, desanimado e, ao mesmo tempo, revoltado com tudo, além de mostrar-se bastante desatento, como se estivesse deslocado, como se algo importante faltasse em seus dias.

Lá estava o lobo mais uma vez, arrastando-se como um verdadeiro zumbi pelos corredores do colégio da reserva em direção a sua próxima aula. As pessoas passavam ao seu redor sem serem notadas, vozes o chamavam sem serem ouvidas e praticamente todos os alunos normais comparavam sua mudança de comportamento ao uso de drogas.

Para o bando a situação era, de certa forma, melhor compreendida, contudo ainda existiam os mais rebeldes, os que achavam tudo aquilo ridículo e um gigantesco sinal de fraqueza para um lobo quileute. Quanto mais baixo o garoto estivesse na escala de afinidade de Embry, mais propenso ele estava a não compreender seu sofrimento e a fazer chacota de sua situação.

― E lá vai ele de novo – resmunga um lobo novato, colega de Collin. – Se arrastando pelos cantos e fazendo de conta que os outros não existem.

― Acho melhor calar a boca! – previne Seth, que lhe fazia companhia. – Esse é um assunto delicado.

― Delicado para quem? – rebate. – Ele é que está desmoronando pelos cantos, chorando como uma mocinha e demonstrando fraqueza por causa de uma namoradinha cega e tonta.

Embry estanca no mesmo instante, apurando seus ouvidos apenas para a voz que ousara falar de Andy. Alguns alunos olhavam para ele curiosamente, pois agia de forma cada vez mais estranha nos últimos dias e todos eles temiam uma possível overdose.

― Repita isso, seu lixo! – desafia o Call em voz alta, virando-se em direção ao novato e sentindo seu lobo se alvoroçar rapidamente.

Os alunos abrem caminho para que seu olhar furioso encontrasse o rosto do recruta, que logo avança alguns passos, ficando cara a cara com o Embry, sustentando seu olhar com autoridade e desafio. Ele era petulante como qualquer outro lobo quileute, não fugia de uma boa briga, entretanto, sua força e destaque no bando eram tão inúteis que o Call nem sequer lembrava-se de seu nome.

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