Dia Dois - Parte I

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Embry desperta aos sustos quando um balde de água fria é lançado sobre o seu corpo. Ao fundo podia ouvir alguns rosnados e resmungos de fúria, mas sua mente ainda estava em processo de despertar e o quileute não fazia ideia do que estavam falando.

― Maldito, arrebentou as amarras novamente. Quando ele perderá essa maldita força?

― Logo, John, tenha paciência. Estou apenas começando com ele – explica Hector.

Com um aceno do líder, Ana novamente deposita uma bandeja de comida na cadeira. Desta vez a refeição não passava de um pão murcho e um copo de leite, nada que pudesse realmente saciar o apetite de um transmorfo.

― Não tinham nada melhor? – pergunta Embry com ironia, aproximando-se de seu café da manhã e fazendo o seu primeiro raciocínio do dia. – Vocês podem não saber, mas eu sou o tipo de homem que gosta de comer bem...

― Não se iluda se acha que sou sua serviçal, lhe alimento apenas porque Hector mandou – rosna Ana. – Preferia quando estava arrebentado e mal podia falar! – Vira-se para o companheiro. – Por que essa espécie fedorenta tinha que se curar tão rápido?

― Chega de bobagens! Preparem a seção de hoje, eu me encarregarei de levar nosso brinquedinho para cima. – ordena o líder, voltando-se para Embry em seguida. – E você, coma esta porcaria logo...

Os vampiros se retiram com velocidade, deixando Hector e Embry para trás. O quileute apanha o pão murcho e o come como se realmente não precisasse daquilo, enquanto os olhos vermelhos do frio o observavam atentamente.

Hector sabia que ele estava faminto, podia ler isso em sua face, mas seu orgulho de lobo não o deixaria rastejar atrás de comida como um selvagem, ainda mais na frente de seu inimigo. Um sorriso malicioso brota no rosto gélido, fazendo Embry estreitar os olhos em desconfiança. O vampiro não via a hora de realmente quebrar o orgulho de seu oponente...

― Você verá a humana hoje – começa Hector.

― Conte-me uma novidade – rebate presunçoso.

― Novidade? – pensa calmamente, não se deixando abalar pelas provocações do lobo. – No final deste dia arrancarei este risinho arrogante de seus lábios e quebrarei o que sobrou de seu ego como se fosse uma vidraça!

Embry sente seu sorriso murchar com a seriedade das palavras de Hector. O que aquele sanguessuga desgraçado pretendia, afinal?

― Assim que subirmos você verá uma pequena mesa em um dos quartos. Sua humana estará lá o esperando, mas você não poderá tocá-la.

― Por quê? – decepciona-se.

― Porque eu não o trouxe aqui para namorar, apenas por isso! – resmunga o vampiro, como se aquilo fosse óbvio. – Vou ser bem claro quanto as regras, garoto lobo: se tocar, ela morre; se trocar elogios, ela morre; se contar o que está acontecendo, ela morre; e se ela suspeitar que algo esta errado...

― Ela morre – completa o quileute, sentindo um nó formar-se em sua garganta com aquelas palavras. – Então o que eu deverei fazer?

― A humana não sabe que estamos aqui, portanto, você assumirá a autoria do sequestro. Acho bom ser convincente, pois já sabe o que acontecerá se ela desconfiar.

Embry sente um rosnado escapar de sua garganta, não gostando do rumo que aquilo estava tomando. E depois de se alimentar, o lobo foi conduzido pela escadaria rumo a parte mais alta da casa, onde Andy já o esperava. Seu coração acelerado ansiava por ver seu imprinting novamente, a expectativa era muita, mas as regras também eram e ele não podia se deixar levar pelas vontades daquela magia... Pelo bem dela, ele precisava se conter.

Olhos de VidroOnde histórias criam vida. Descubra agora