Eu queria gritar, queria mesmo!
Mas não conseguia, minha voz não existia.
Minha garganta, assim como o resto do meu corpo, queimava intensamente.
Me contorcia no chão, aquela dor era impossível de aguentar, sentia meus ossos se realocando por debaixo da minha pele, rasgando minha carne. Saia sangue da minha boca e dos meus olhos. Eu, literalmente chorava sangue.
Comecei a engasgar com o sangue que ainda vomitava, tentava me revirar no chão, mas parecia impossível. Foi preciso um grande esforço para ficar de lado.
Eu chorava muito, eu estava morrendo e não teria o direito de me despedir de ninguém. Morreria sozinha no chão de um banheiro de um hotel qualquer. Eu rezava para morrer logo, aquilo era insuportável, eu não aguentaria, eu sentia minha pele se rasgando.
Ouvi um barulho, mas não sabia dizer se era verdade, ou uma alucinação, até que ouvi meu nome. Era baixo e longe, mas eu ouvi. Alec! Eu precisava chama-lo, ele saberia o que fazer! Tentei gritar, tentei me levantar, tentei fazer qualquer coisa, mas era impossível e eu sentia minha consciência indo sorrateiramente embora.
- Julia! - Alec estava perto, eu via seu vulto. Uma sombra negra que se aproximava e me enchia de esperanças, talvez eu vivesse.
Ele mexia em mim, falava coisas que eu já não compreendia. Eu lutava para não me entregar ao abismo, mas era quase impossível. De repente o chão sumiu, fui carregada para algum lugar bem próximo, um momento de antecipação e agua.
Agua gelada caía sobre meu corpo, aliviando levemente a queimação. Não o suficiente para eu respirar, mas um pouco já era muito para mim. Eu puxava o ar, era pouco o que eu conseguia, mas ainda me mantinha viva.
Meus olhos estavam pesados e foram se fechando, era agora que eu morria?
Alec gritava, pelo menos eu acho que era isso, me chamava, mas eu não podia responder, que pena que eu não poderia me despedir.
Algo tocou os meus lábios e eu fiquei surpresa por sentir, já estava presa num torpor. Essa coisa era quente e acolhedora. Me lembrava algo bom, um sabor especial. . . Imagine o melhor e mais gostoso chocolate do mundo, descendo derretido pela sua garganta, te aquecendo e te tranquilizando.
Então abri os olhos e o choque me tomou.
Eu estava deitada, meio sentada, apoiada em Alec com o pulso sangrento dele na boca! Na BOCA!
Estávamos no box do banheiro, o chuveiro jogava agua bem gelada em nós, mas não me incomodava. O que incomodava era aquele pulso sangrento na minha boca!
Qual desses caras sobrenaturais que não podem ver uma garota passando mal que já vão enfiando um pulso sangrento na nossa boca?
- Não! Saí! - empurrei o braço de Alec e me sentei, desajeitadamente- O que você está fazendo?
- Julia, como você está? - ele tocou no meu ombro, me olhava me avaliando.
- Sentindo como se um caminhão tivesse me atropelado e qual a sua desculpa para enfiar seu pulso na minha boca?
- O que você está sentindo? Alguma dor? - ele me ignorou?
- Não, nenhuma dor, apenas muito cansada. Bem, meu corpo está levemente dolorido, como se tivesse corrido uma maratona, mas eu sobrevivo. O que foi isso?
- Você não sabe o que aconteceu? - ele ainda me avaliava, me dando um pressentimento ruim.
- Não. . .Alec, você está me assustando, o que houve?
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Angelus
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