capítulo trinta e um

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Cameron James

Não consigo pensar em absolutamente nada. Até tento, mas não consigo. Me recomponho e forço-me a voltar para o tribunal, e não consigo acreditar que algo conseguiu me distrair. De repente, fico furioso com Holly por escolher justamente hoje, dentre todos os dias, para voltar com Vince e praticamente dizer com todas as letras que não me quer.

Meu pai, ele precisa de mim, e eu preciso ficar bem.

O advogado está encerrando, e quase não consigo ouvir. Sem alarde algum, todos se levantam, os juízes saem e meu pai é levado de volta, lançando um olhar esperançoso para nós, forço um pequeno sorriso antes que volte.

Atravessamos o tribunal em silêncio, meus pensamentos estão cheios demais e quase não percebo Justin mexendo no celular e minha mãe estalando os dedos sem parar. Quando chegamos na entrada ela me olha.

— Cameron? O que houve?

Justin arqueja baixinho. Olho para ele, impassível, e noto que está assistindo o vídeo.

— Caramba.

— O que houve? — nossa mãe pergunta em alerta.

— Holly. — respondo.

— O que ela fez?

Não quero ter que dizer isso em voz alta, não quero sequer pensar no que houve. Sei que Justin falará depois, então permaneço calado. O advogado se aproxima.

— A gente não vai saber o veredito nesse fim de semana, vai? — questiono.

— Não, só na semana que vem. Eu ligo quando...

— Obrigado. — vou embora.

***

Ando sem parar. Não consigo chorar, mas sinto a garganta seca e olhos doloridos. Penso que parte disso seja medo pelo meu pai, já a outra não consegue parar de pensar em Vince de braços abertos gritando "ela disse sim!" para a multidão animada.

Relembro de todas as cenas. Nossas conversas no terraço da pensão, nos filmes que assistimos juntos, no almoço à beira de um lago, nosso primeiro beijo no seu aniversário, em como eu amava contar cada sarda que havia em seu rosto. Meu estômago se revira quando lembro do seu estado na noite que Vince foi até seu apartamento, seus soluços de medo. Mas eu não quero sentir pena dela. Por enquanto, quero apenas me sentir traído, se é que eu posso me sentir assim.

Porém não consigo evitar. Não paro de pensar em como ela ficou mal naquela noite.

Ah, claro. As lágrimas, sabia que viriam em algum momento.

Posso sentir o celular vibrar em meu bolso repentinas vezes. Ignoro e continuo andando, sabe Deus para onde. Não sinto vontade de ver ninguém, quero sentir minha própria tristeza sozinho, sem qualquer outra pessoa para sentir pena de mim. Apenas eu mesmo já basta.

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