Precisa. Analítica. Metódica e calculista. Estes são os adjetivos secretamente mais usados para descrever a advogada Diana Andrade.
Dona de uma carreira sólida aos 30 anos, um noivo que a ama e uma família perfeitamente tradicional, ela vive seus d...
Vamos todos rir para, então, não chorar. Vamos todos levantar nossos copos para o céu, para um pouco de vinho tinto, erros e desculpas. Red Wine, Mistakes, Mythology - Jack Johnson
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Apesar de ter colocado o endereço de sua casa, não foi lá que desembarcou. Estava no meio do caminho quando pediu para que o motorista desviasse até o bairro da Liberdade, já que não estava tão tarde assim. Desceu do carro em frente a um bar pouco movimentado para uma quinta-feira e decidiu entrar munida de sua garrafa de vinho.
Não era como se Diana nunca tivesse frequentado um bar antes, mas não era uma cliente assídua de ambientes assim. Maurício gostava apenas de restaurantes e cafeterias, então nunca iam a bares juntos, nem mesmo durante os cinco anos de faculdade. Mas lá estava ela, caminhando em direção ao balcão preto perto da parede emoldurada por garrafas e iluminação neon, desviando das mesas de madeira distribuídas no salão mediano à meia luz.
Diana reconheceu o rapaz de cabelos longos e tatuagem no pescoço conversando com um homem negro, alto e forte do outro lado do balcão. Foi até os dois e mesmo não ouvindo a conversa, tinha certeza que era algo engraçado já que a risada contagiante do outro homem até lhe despertou a vontade de rir junto deles. Pigarreou para chamar a atenção dos dois.
– Em que posso aju... – Gael parou sua frase no meio – Diana?!
– Eu gostaria de ver o menu, por favor – Diana esboçou um sorriso polido.
– Claro – estendeu o papel plastificado para ela – O que você tá fazendo aqui? Se perdeu?!
– Não, vim por conta própria. Qual é o lanche mais gorduroso que você tem?
– Nisso eu posso ajudar – o outro homem tomou a frente com um sorriso – Eu te indico o X-AVC. Nenhum outro é tão gorduroso, grande e não-saudável quanto ele.
– Ela quer algo gorduroso, mas acho que quer continuar viva – Gael respondeu e o homem sorriu – A propósito, ela é a mulher que me atropelou ontem.
– Olha só! Quase matou meu melhor amigo e meu melhor funcionário! – o homem falou em meio ao riso – Me chamo Bento, prazer – estendeu a mão para ela.
– Diana, prazer – sorriu cordialmente – Acredito que o Gael tenha razão, talvez o X-AVC seja um pouco demais para mim. Acho que um X-Bacon Duplo seja o suficiente. Ah, e uma porção de fritas e uma Coca-Cola.
– A senhora que manda, já vou fazer – Bento seguiu para a cozinha, deixando Diana na companhia de Gael.
– E então, que bons ventos a trazem? Convenhamos que você não é o tipo de cliente que frequenta isso aqui – Gael debruçou sobre o balcão.
– Nada em especial, mas estava passando aqui na frente e decidi entrar.
Diana mentiu por não saber o real motivo pelo qual decidiu desviar seu caminho até ali. Talvez só quisesse fugir de sua casa perfeitamente em ordem, ou talvez porque estava com fome e sabia que se subisse até seu apartamento e depois pedisse algum delivery, teria preguiça de descer para buscar o pedido.