Precisa. Analítica. Metódica e calculista. Estes são os adjetivos secretamente mais usados para descrever a advogada Diana Andrade.
Dona de uma carreira sólida aos 30 anos, um noivo que a ama e uma família perfeitamente tradicional, ela vive seus d...
Todas as memórias tão próximas de mim simplesmente desapareceram. Todo esse tempo você estava fingindo. My Happy Ending - Avril Lavigne
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O relógio marcava cinco e meia da tarde e Diana andava em círculos na calçada em frente a seu prédio. Não entendeu o porquê Gael pediu para se encontrarem ali e muito menos o motivo no qual ele exigiu que ela não usasse saia ou vestido. Três minutos se passaram e o rapaz virou a esquina em sua moto. Estacionou em frente à mulher ansiosa e a estendeu o capacete que carregava no braço.
– Eu já te disse que nunca andei de moto e nem pretendo andar – Diana falou de imediato.
– Diana, pensa comigo, ele conhece a placa e o modelo do seu carro. E no trânsito das seis é muito mais fácil se locomover de moto do que de carro, a gente ia acabar perdendo ele de vista.
– Gael, eu não estou no melhor momento para raciocinar e você quer me colocar em cima desse negócio?!
– Mas eu ainda tô raciocinando bem. Eu vou ser a sua razão hoje, beleza? Coloca o capacete e confia em mim, pelo menos eu nunca atropelei ninguém.
Diana esboçou um sorriso rápido e xoxo e aceitou o capacete. O colocou e subiu na garupa da moto. Gael informou que a moça poderia segurar na alça traseira, mas já na primeira arrancada ela agarrou sua cintura. O tatuador acelerou até o edifício onde o escritório estava localizado e os dois aguardaram até ver o grande carro preto saindo pelo portão automático.
O coração de Diana parecia que sairia pela boca a qualquer momento, não por estar naquela moto cortando os carros, mas por estar a um pequeno passo de desmascarar não só o noivo, mas também sua irmã. Mariposas voavam pesadamente em seu estômago e repetidos enjoos subiam por sua garganta. Suas mãos suavam agarradas à cintura de Gael, que se concentrava apenas em seguir aquele carro, não importava o destino – só torcia para não ser um Motel.
Não sabiam mais a quanto tempo estavam rodando, o trânsito não colaborava e muitas vezes eles precisaram diminuir a velocidade para acompanhar o carro preto. Diana até poderia estar aproveitando aquela primeira vez em cima de uma moto, mas sequer conseguia pensar em outra coisa além do motivo de estar ali. Maurício era um daqueles motoristas que não usava a seta para nada, fazendo Gael quase o perder várias vezes.
O carro foi diminuindo a velocidade assim que virou em uma longa avenida onde ficava localizada uma famosa cantina italiana no bairro do Morumbi. Diana conhecia o noivo bem o suficiente para saber que aquele lugar era caro e sofisticado o suficiente para o gosto dele e para impressionar sua irmã. Gael atendeu o pedido da moça e ultrapassou o veículo que seguiam, estacionando no restaurante antes de Maurício sequer se aproximar da entrada devido ao trânsito.
Diana ignorou toda a cordialidade do maître do restaurante e solicitou uma mesa para dois, a mais escondida que tivesse. Gael entrou logo em seguida após estacionar a moto decentemente, pois a mulher desceu antes mesmo do tatuador conseguir parar, quase os derrubando. Os dois se sentaram lado a lado em um local onde conseguiriam ter a visão de todas as mesas e ela se escondeu atrás do cardápio entregue pelo mesmo homem que os recepcionou.