Precisa. Analítica. Metódica e calculista. Estes são os adjetivos secretamente mais usados para descrever a advogada Diana Andrade.
Dona de uma carreira sólida aos 30 anos, um noivo que a ama e uma família perfeitamente tradicional, ela vive seus d...
Eu busquei quem sou. Você, pra mim, mostrou que eu não sou sozinha nesse mundo. Cuida de Mim - O Teatro Mágico
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
– Eu falei pra você que a gente não podia deixar tudo pra última hora, mas você não me ouve!
– Calma amor, tá tudo sob controle...
– Tudo sob controle pra você! Eu preciso fazer xixi e essa fila não anda!
Gael riu da namorada irritada que reclamava enquanto aguardava a enorme fila de carros para entrar no estacionamento do shopping em plena antevéspera de Natal. Diana estava há pelo menos duas semanas falando para o tatuador que eles precisavam comprar os presentes para a família dele, mesmo com o rapaz afirmando que eles só se presenteavam durante o amigo secreto depois da meia-noite. O casal havia decidido que contaria sobre a gravidez após a ceia e a mulher estava tão ansiosa que planejou um presente para a sogra e um para cada cunhada.
Na segunda-feira seguinte ao aniversário de Gael, Diana iniciou o pré-natal e o casal se emocionou ao ouvir o coraçãozinho agitado batendo forte enquanto olhavam para a imagem do bebê no monitor – que nada mais era do que uma mancha estranha sem muita forma, mas eles se emocionaram mesmo assim. Saíram do consultório e a primeira parada foi em uma loja de roupas infantis, onde o tatuador fez questão de comprar um macacão preto de bolinhas brancas para combinar com a jaqueta de couro e o coturno de crochê, repetindo sempre que sua filha seria a mais estilosa da escolinha – porque nada mais tirava de sua cabeça que seria uma menina.
Diana fez os exames e respirou aliviada ao ver que todos os resultados estavam dentro dos conformes, pois desde o positivo pesquisou inúmeros problemas que poderiam acontecer. Dali em diante ela e Gael passaram a planejar como e quando contariam para a família dele, e foi depois de muitas ideias negadas por ela que chegaram até aquele shopping apinhado de gente para revelar uma foto do ultrassom e comprar mais alguns detalhes deixados para a última hora pelo tatuador.
Os corredores cheios não eram comuns naquele shopping relativamente caro e preferido da classe-média emergente e Diana escolheu aquele lugar justamente por achar que estaria vazio, mas pessoas empinavam o nariz enquanto carregavam sacolas e mais sacolas de lojas de departamento que acreditavam piamente ser de luxo. Gael se sentia um peixe fora d'água ali e sabia que no fundo a namorada se sentia da mesma forma.
Após a mulher finalmente usar o banheiro depois de reclamar por todo o caminho, comprarem todos os presentes já planejados (incluindo os do amigo-secreto) e Gael entrar em todas as lojas infantis à procura de um body natalino que o bebê só usaria no ano seguinte, decidiram ir embora. Estavam passando pela praça de alimentação quando um cheiro muito característico invadiu as narinas de Diana e sua boca salivou no mesmo instante. Ela estancou os passos e seus olhos brilharam.
– Tá tudo bem? – Gael perguntou quando sentiu sua mão sendo puxada pela mulher.