Precisa. Analítica. Metódica e calculista. Estes são os adjetivos secretamente mais usados para descrever a advogada Diana Andrade.
Dona de uma carreira sólida aos 30 anos, um noivo que a ama e uma família perfeitamente tradicional, ela vive seus d...
Eu quero sentir como se estivesse perto de algo real, eu quero achar algo que sempre quis, algum lugar ao qual eu pertença. Somewhere I Belong - Linkin Park
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Os três entraram no carro e Rita não parava de falar como foi extremamente prazeroso ver o ego do homem murchar conforme sua advogada falava sem perder a pose ou o raciocínio. Gael e Diana sorriam um para o outro por verem a felicidade quase infantil estampada no rosto da moça de 21 anos. Por estarem perto da residência da mãe do rapaz, decidiram deixar Rita em casa antes de seguirem para o centro de São Paulo.
– Eu mato essa menina!
Ouviram uma voz ainda dentro da casa assim que Gael buzinou e Rita desceu do carro. Uma senhora com seus sessenta anos vestindo um avental úmido e carregando um pano de prato no ombro abriu o portão com sua feição cansada e ao mesmo tempo aliviada de ver a filha bem.
– O que foi que você fez agora, Rita?! – a mulher bradou.
– Mãe, eu não fiz nada, eu juro! – ergueu as mãos em rendição – A culpa foi daquele porco nojento do policial, pode perguntar pra advogada!
Rita apontou para o carro e naquele momento a senhora se deu conta que sequer cumprimentou Gael. Assim que debruçou sobre a janela para beijar o rosto do filho viu a mulher no banco do passageiro dar um aceno acompanhado de um sorriso tímido sem pronunciar uma palavra.
– Gael! Onde você arrumou uma advogada?! – ela continuou debruçada no vidro do motorista – Muito prazer, doutora! Sou a Aparecida, mas pode me chamar de Cida, Cidinha, como preferir!
– O prazer é meu – Diana respondeu com um sorriso – Não precisa me chamar de doutora, eu nem tenho doutorado. Pode me cham...
– Vem, doutora! Eu fiz janta agora mesmo, tá quentinha esperando essa aqui voltar do passeio na cadeia – Cida deu um tapa no braço da filha – É minha forma de agradecer por ter tirado minha caçula de lá!
– Mãe, acho que a Diana tá cansada, eu estava dando uma carona pra ela até em casa quando a senhora ligou.
– Deixa disso, menino! Eu faço questão. A senhora aceita jantar com a gente?
Gael a encarou e sussurrou que ela não era obrigada a aceitar. Diana de fato estava cansada e desejando um banho gelado, mas também estava faminta e os olhos recheados de gratidão da mãe de sua cliente a fizeram assentir ao convite. Os dois desceram do carro e seguiram portão adentro por um corredor estreito até a cozinha da casa dos fundos em meio a latidos do vira-lata de Cida. O cheiro de tempero e comida fresca brincaram com o estômago vazio da moça.
– O cheiro está maravilhoso – Diana elogiou ao colocar seu prato e se sentar à mesa.
– Bondade sua, é só comida do dia-a-dia mesmo, arroz, feijão e bife. Se eu soubesse que a senhora viria aqui eu faria algo mais sofisticado – Cida sorriu.