Precisa. Analítica. Metódica e calculista. Estes são os adjetivos secretamente mais usados para descrever a advogada Diana Andrade.
Dona de uma carreira sólida aos 30 anos, um noivo que a ama e uma família perfeitamente tradicional, ela vive seus d...
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– Eu juro que tentei, mas eles não sobreviveram a mim. Por favor, não me odeie por isso.
Gael riu ao ler a mensagem de Diana em plena manhã de segunda-feira. Ela também enviou uma foto dos cactos secos e murchos. Ele não entendia como a mulher havia conseguido matar os quatro tão rápido, ainda mais porque há quatro dias ele a avisou que as plantas haviam completado um mês e ela disse que iria aguá-los.
Já havia pouco mais de um mês desde que ela se passou por sua namorada e que Bento havia deixado os dois completamente envergonhados ao dizer que eles formariam um casal legal. Nas semanas que se passaram eles pouco conversaram, pois cada um precisou focar em seu trabalho e Diana parecia cada vez mais distante, até aquela manhã.
– Você não colocou água? – ele respondeu um bom tempo depois, quando já estava chegando no estúdio.
– Eu coloquei água, mas eles estavam tão secos que eu coloquei todos os dias seguintes desde que você me avisou.
– Diana! Na floricultura falaram uma vez por mês! – Gael estava rindo ao cumprimentar seus colegas de trabalho.
– Eu pesquisei no Google e lá fala a cada sete dias no verão. Como o verão acabou cinco dias antes da primeira rega, eu reguei todos os dias seguintes para compensar as semanas que não coloquei água.
– Ai, Diana... – Gael não parava de rir enquanto digitava – Você afogou os coitados. Agora só tem um jeito...
– Qual?
Diana continuou esperando a resposta de Gael, mesmo tendo pastas e mais pastas em cima de sua mesa. O rapaz não a respondeu e ela passou parte de sua manhã pensando se havia frustrado o amigo, mesmo já tendo avisado que não prometia conseguir manter as pequenas plantas vivas.
O horário do almoço foi se aproximando e pela primeira vez em muito tempo ela decidiu por conta própria convidar o noivo para almoçar fora. Maurício aceitou e perguntou onde a noiva gostaria de ir. Diana escolheu um restaurante por quilo próximo ao escritório, mas ele negou e mais uma vez escolheu o lugar que queria. O restaurante era bom e ela até gostava dali, só achava caro demais pela quantidade de comida servida.
– Sessenta reais nisso aqui é muito dinheiro – ela reclamou ao receber a pouca porção de risoto de frango.
– Você sabe que eu só escolhi aqui porque o dono é meu cliente – Maurício tomou um gole de sua água com gás – Além do mais, é uma porção ótima levando em conta o tanto que você tem comido ultimamente.
– É sério que você vai querer controlar até o meu peso? – Diana ficou contrariada.
– Claro que não, minha princesa! Jamais faria isso! – Maurício ergueu as sobrancelhas – É só que no fim de semana nós temos o casamento da sua amiga e eu não quero que você esteja gorda no vestido azul marinho que te dei no Natal.