Precisa. Analítica. Metódica e calculista. Estes são os adjetivos secretamente mais usados para descrever a advogada Diana Andrade.
Dona de uma carreira sólida aos 30 anos, um noivo que a ama e uma família perfeitamente tradicional, ela vive seus d...
Eu vejo a vontade emanando de você. De frente enfrente o medo, o medo tem dois corações. De Pé - R.Sigma
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O trânsito daquela segunda-feira estava mais intenso do que o normal devido a um acidente entre dois carros que acabou fechando uma das faixas da avenida. Diana sempre chegava mais cedo no escritório, mas só conseguiu estacionar na garagem do edifício perto das oito e meia da manhã. Irritada pelo tempo em que passou parada no congestionamento, respirou aliviada ou entrar no elevador.
Ao chegar no décimo andar, foi recepcionada por Márcia com um "bom dia" animado e até mesmo Maurício foi cordial ao cumprimentá-la com um sorriso no rosto. Um sorriso ardiloso demais para seu gosto. Diana estranhou aquele comportamento do ex-noivo e evitou olhá-lo enquanto procurava pela chave de sua sala. Assim que destrancou a porta e a abriu, teve vontade de gritar.
A sala antes bem decorada com móveis caros e elegantemente sem graça estava praticamente vazia. Seu computador estava sobre o piso amadeirado onde antes ficava sua mesa e todos os arquivos que ficavam guardados no armário planejado estavam amontoados em um canto. Nem mesmo as cadeiras estavam ali. Na parede onde um balcão ficava, apenas o vaso de flores artificiais rachado no chão. Diana sentiu os olhos encherem de lágrimas ao ver seu escritório daquela maneira e com uma fúria que não sabia dizer de onde veio, caminhou até o ex-noivo que sorria abertamente e o segurou pelo colarinho da camisa.
– Quer merda é essa que você fez?! – gritou ao puxá-lo.
– Eu te falei que esse escritório é majoritariamente meu – deu de ombros – Você disse que a sua sala ainda era sua, mas não vamos nos esquecer que foi a minha mãe quem fez o projeto e pagou pela mobília.
– Você é doente! – soltou o colarinho e o empurrou contra a parede – Um megalomaníaco doente!
– Eu só quero te provar que você não vai a lugar nenhum sem mim. O que aquele seu marginal pode te dar? Uma mesa de plástico e cadeiras de bar? – ajeitou a camisa antes amassada pelas mãos da ex-noiva.
– Você realmente acha que eu preciso de você? – Diana riu com escárnio – E eu não dependo do que ele pode me dar. Eu não sei se você já percebeu, mas tudo o que eu tenho, eu conquistei sozinha. Nunca dependi nem mesmo de você.
A discussão foi interrompida pelo barulho do telefone. Márcia, que até então estava atônita prestando atenção no bate-boca entre os chefes, correu até o aparelho e o atendeu. Um novo cliente que Diana vinha tentando prospectar há dias e que tinha agendado uma reunião para aquela manhã havia acabado de chegar e a advogada sequer teria um local para recebê-lo. Maurício sorriu ao ver o olhar aturdido da ex-noiva e antes que ela pudesse encontrar qualquer objeto para jogar em sua direção, ele voltou para sua sala devidamente mobiliada.
Diana conseguiu contornar a situação ao inventar que sua sala havia sido dedetizada ainda na sexta-feira, mas que o cheiro de produtos químicos ainda estava muito forte. O possível cliente acreditou e os dois seguiram até a cafeteria do próprio edifício para aquela primeira reunião. A firmeza das palavras da advogada e a forma que ela o deixou falar por todo o tempo em que o homem julgou necessário enquanto tomavam um expresso foi o que o convenceu a aceitar os valores apresentados e fechar o contrato.