Precisa. Analítica. Metódica e calculista. Estes são os adjetivos secretamente mais usados para descrever a advogada Diana Andrade.
Dona de uma carreira sólida aos 30 anos, um noivo que a ama e uma família perfeitamente tradicional, ela vive seus d...
Buquês são flores mortas num lindo arranjo. Arranjo lindo, feito pra você. Não Existe Amor em SP - Criolo
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Depois de desabafar com Rita e dona Cida, Diana conseguiu descansar a mente no restante do sábado, inclusive dormiu por mais horas do que de costume. Percebeu que nem sempre guardar tudo para si era uma boa ideia e que sim, haviam pessoas dispostas a ouvi-la e ajudá-la sem julgamentos, diferentemente do que estava acostumada dentro da família Andrade.
No domingo de manhã enviou uma mensagem para Maurício informando que iria sair, mas não deu mais detalhes. Ele a questionou algumas vezes, mas Diana não estava nem um pouco a fim de dar satisfações. Vestiu uma roupa casual, pegou no armário o vinho mais caro (de acordo com o Google) e saiu. Estacionou o mais próximo que conseguiu do bar e enviou uma mensagem para Gael avisando que havia chegado, pois as portas estavam fechadas. O tatuador abriu a porta e estava sem seu usual avental preto, deixando claro que era uma festa somente para os mais chegados e que ninguém serviria ninguém naquela tarde.
– Doutora Diana dos vinhos! Não achei que viria! – Bento a cumprimentou com um abraço assim que a viu.
– Só uma passada rápida para te desejar felicidades e te dar isso aqui – estendeu a garrafa de vinho para o homem – Espero que você goste!
– Diana, isso aqui é vinho, eu vou gostar! – deu aquele sorriso largo que só ele tinha – Mas olha, fica à vontade, hoje tá cada um por si, tem suco, cerveja e refrigerante naquela geladeira – apontou à sua esquerda – E o churrasco eu tô fazendo lá nos fundos, mas daqui a pouco já tem carne circulando por aí.
Aquela festa tinha poucos convidados, mas todos pareciam tão animados quanto o aniversariante. Diana se sentou em uma mesa próxima à parede e ficou observando a correria da menininha negra de cabelos crespos que com certeza era filha de Bento, pois seus sorrisos eram idênticos.
– Di! – Rita correu até a mesa da amiga – Nem acreditei quando o Gael falou que você estava aqui!
– Eu também não sabia que você estaria! – Diana comemorou timidamente com a amiga – Nem sabia que você era amiga do Bento!
– Ele é amigo do Gael há anos, e como eu sou a irmã pirralha, vivia me metendo na vida deles e aí a gente virou amigo também – deu de ombros.
– Ei, peguei pra você – Gael se aproximou e entregou uma lata de Coca-Cola para Diana – Sei que você não aceitaria a cerveja porque é domingo e amanhã você trabalha.
– Talvez hoje eu precisasse justamente da cerveja, mas refrigerante está ótimo – Diana sorriu – Obrigada.
Rita observou aquela breve troca de olhares e sentiu que talvez precisasse dar uma volta. Pediu licença e falou que iria importunar a esposa de Bento, seguindo até a mulher de cabelos trançados do outro lado do bar. Gael riu da irmã e logo se voltou para Diana, que estava com o olhar perdido encarando o vazio.