Precisa. Analítica. Metódica e calculista. Estes são os adjetivos secretamente mais usados para descrever a advogada Diana Andrade.
Dona de uma carreira sólida aos 30 anos, um noivo que a ama e uma família perfeitamente tradicional, ela vive seus d...
Eu sou um pássaro, me trancam na gaiola, mas um dia eu consigo existir. Clarisse - Legião Urbana
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A companhia de Diana naquela noite de sábado estava tão agradável que Gael não a deixou ir embora. Depois do banho longo e acompanhado, a convidou para dormir ali e até mesmo terminou de fazer o jantar que havia deixado de lado quando ela chegou. Ela não negou, muito pelo contrário, vestiu um agasalho de moletom do rapaz e se aconchegou debaixo das cobertas ao lado dele. Até então não haviam conversado sobre nada, apenas aproveitavam o silêncio agradável na presença um do outro após satisfazerem suas vontades.
– Eu senti falta de almoçar com você essa semana – Diana murmurou deitada em seu abraço.
– Eu também. A cada coisinha que acontecia eu pensava que não iria te ver pra poder te contar... coisas bobas, clientes engraçados, besteiras do dia-a-dia.
– Era pra você ter uma história de cliente engraçada hoje – riu – Aposto que eu seria uma cliente difícil.
– Você realmente pretendia fazer uma tatuagem hoje? – ele franziu o cenho.
– Claro que sim! Você achou que eu fui até lá só pra ver o tatuador bonitão?!
– Isso acontece mais do que você imagina – sorriu – O que aconteceu com "meus pais vão me deserdar"?
– Eu já não me importo mais com o que eles vão dizer... – deu um suspiro profundo – Eu cortei relações com a minha família.
– Eu sinto muito – a abraçou mais forte na cama – Quando foi isso?
– No último domingo. Eles receberam as flores, estavam passando pano pra minha irmã. Meu pai exigiu que eu voltasse com o Maurício, a minha mãe me deu um tapa na cara por defender o Fábio, a Fernanda surtou e me agrediu... Eu não quero mais essas pessoas na minha vida. Eu me desdobrei pra agradar essa família e é isso que eu recebo em troca. Eu sou muito ruim por abrir mão deles?
– Eu não acredito! – Gael ficou verdadeiramente surpreso – Vai me desculpar, mas que bando de desgraçados! Claro que você não é ruim, você é humana! Ninguém aceitaria tudo isso calada e você aceitou até demais.
– Mas agora eu sou livre – sorriu – E eu não tenho mais medo deles.
– Agora você é tão livre quanto um passarinho que fugiu da gaiola – ele abraçou sua cintura, a encaixando contra si.
– É isso! – ela vibrou ao se aninhar nele – Você acaba de me dar uma ideia!
A vontade de Diana era levantar da cama e ir na mesma hora até o estúdio para finalmente fazer sua primeira tatuagem, mas o tatuador agarrado a sua cintura não pretendia sair da cama tão cedo. Aproveitando o calor do corpo aninhado ao seu naquela noite gelada, ela adormeceu.
A cama de Gael não era tão confortável ou espaçosa quanto a sua, mas sem dúvidas Diana estava mais confortável ali do que jamais esteve em seu colchão constantemente frio. O domingo amanheceu preguiçoso para os dois que continuavam abraçados sem coragem para levantar. Em meio a cochilos eventuais enquanto rolavam de um lado para o outro com braços e pernas entrelaçados, ele a surpreendeu com um selinho demorado.