|| In another life.

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Era brincadeira, certo?

- O que está fazendo aqui? - Digo mais baixo que havia imaginado.

- Não vim gastar muito do seu tempo.

Any usava uma roupa larga preta, e em suas mãos ela tinha uma blusa minha, dobrada.

- Só vim devolver isso. - Ela a estende para mim.

Era possível sentir o cheiro do seu perfume marcado na peça de longe.

Olhando para ela, com certeza eu estava muito pior. Seu rosto continuava angelical, mesmo que cansado.

- Não é mais minha. É tua.

- Não preciso disso, e muito menos quero. Vim me despedir. Eu e papai vamos morar em outro lugar agora, mais perto do hospital de Tustin.

- Não, não, não. Você não...

- O que quer dizer com "não"?

- Não pode se mudar. Tustin é uma hora daqui.

- E qual seria a diferença? Vou morrer de qualquer jeito, não é?!

- Não estava pensando direito quando te disse aquelas cois...

- Mas disse, droga! E sabe de uma coisa, você estava certo. Eu soube a droga do tempo todo. Sabia que era a última pessoa que devia ter feito isso mas fiz ainda assim. Porque era cômodo, Josh. Era ótimo. Você me deu comida, um lugar descente, atenção... E até sexo bom.

- O que está dizendo?

Amargamente ela se encosta no batente da porta. Parecia rir do meu desespero.

- No começo te achava nojento. Você era egocêntrico, babaca e mentiroso. Mas você me mostrou uma coisa importantíssima que de cara me ajudou a te desvendar. Você precisava de uma única coisa que eu poderia te oferecer, e isso era... Compreensão. Uma coisa que só passou a fazer sentido depois. Você precisava de alguém que te visse, e foi o que fiz. Te vi de verdade, te senti, te dei tudo que podia e não podia. Dei até minha virgindade... Ugh.

- Está me confundindo, eu não entend...

- Nunca gostei de você, droga. Nunca. Eu só precisava de uma distração.

- Isso é mentira.

Ela ri.

- Costumava dizer que desviava os olhos quando mentia, então presta bastante atenção nos meus olhos, Josh... Eu, Any Gabrielly, nunca gostei de você.

Seus olhos não desviaram por um segundo sequer que fosse. Podia sentir minha garganta secar.

- Está mentindo.

- Não.

Finalmente me levanto. Isso não é verdade.

- Porque diz isso?! Somos apaixonados, somos...

- Você é apaixonado. Não eu.

- Não diga isso meu bem... Não faz isso.

- Isso o que? Já te disse o que sinto.

- Você não diz a verdade. Eu sei o jeito que me olha, eu sei o jeito que me beija, eu sei... Eu sei.

- Então tenta me beijar agora.

- Eu...

- Me beija, droga.

Com uma mão, seguro seu pescoço e a puxo contra mim. Era como o nada, o absoluto nada.

Ainda com ela, sinto que finalmente estava desesperado. Tentava de tudo para a fazer me beijar de volta, e ela continuava sem reação.

A empurro.

Begging | Beauany.Onde histórias criam vida. Descubra agora