Todo mundo tem seu milagre.
Por exemplo, muito provavelmente você nunca será atingido por um raio, nem ganhar um Prêmio Nobel, nem ter um câncer terminal de ouvido. Mas, se você levar em conta todos os eventos improváveis, é possível que pelo menos...
"Take my hands now You are the cause of my euphoria"
"Pegue minhas mãos agora Você é a causa da minha euforia"
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Respirei uma, duas e três vezes antes de ter coragem de tocar a campainha da porta de casa.
Brinquei com meus próprios dedos enquanto esperava alguém vim atender a porta da frente. Olhei em volta para a casa dos vizinhos tentando imaginar as fofocas que corriam por ali sobre as filhas dos Lynch saírem de casa tão novas, e com certeza não eram nada boas.
Passos se aproximaram da porta e eu rapidamente ajeitei o colarinho da minha blusa tentando compreender se tudo estava em ordem, quando tive a certeza que sim. Suspirei fundo uma última vez e cruzei minhas mãos atrás das minhas costas esperando pela porta que agora era destrancada.
- Filha. - Michael veio até mim rapidamente, me abraçando com todo cuidado possível. Seus olhos estavam lacrimejando quando ele me soltou e me olhou.
Eu o encarei, sem palavras, com os olhos esbugalhados. Eu sabia que ele estava esperando pela minha reação, mas eu não consegui falar nada. Provavelmente eu estava esperando mais uma rejeição do que um abraço.
- Oi, pai. - Sorri para ele, e agora foi a minha vez de abraçá-lo.
Eu era mais cuidadosa do que o normal, não queria poder dar algum motivo para ele me achar um monstro, mas ainda assim, eu me sentia uma garotinha indefesa fora do abraço do pai.
Encostei minha cabeça no ombro dele e suspirei alegremente. Talvez houvesse mesmo uma chance de tudo estar bem.
- Vem, entra. - Ele limpou algumas das lágrimas que ameaçavam cair pelo seu rosto. - Hannah saiu faz algumas horas, mas talvez ela esteja voltando.
Entrei dentro de casa e fechei a porta. Ele continuou andando até a sala, nunca olhando se eu estava prestes a atacar sua retaguarda desprotegida. Eu supus que ele confiava em mim nesse momento, pelo menos alguns 20%.
Olhei ao redor de casa prestando atenção em cada mínimo detalhe que estava fora quando eu morava aqui. Alguns novos quadros haviam sido pendurados e alguns outros móveis trocados, infelizmente o quadro horrível que Hannah havia comprado num leilão permanecia ali.
- Acredite, eu tentei tirar inúmeras vezes. - Ele falou ao ver minha atenção presa no quadro.
Eu ri silenciosamente, maravilhada no quão rápido tudo tinha se tornado certo quando era tudo aterrorizante há apenas dois meses atrás.
- Eu nunca vou entender qual era a ideia do artista. - Virei minha cabeça, tentando encontrar algum sentido naquilo.
- Parece um pato. - Ele veio até meu lado inclinando a cabeça também. - Ou uma árvore.
Olhei para ele ainda mais confusa agora.
- Bom, arte não se discute, não é? - Michael tentou se defender.