Quando acordo, a primeira coisa que desejo é ver seu rosto.
- Cecelia Ahern
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Acho que eu tomei muito no cu.
Para caralho.
Estou parado diante da porta do prédio principal da universidade enquanto observo o mundo desabar do lado de fora. De uma hora para outra o tempo fechou completamente, e desde então não para de chover. E foda-se os filhos da puta que não trouxeram a merda de um guarda-chuva.
Eu sou um desses filhos da puta, a propósito.
Eu também deveria ter me dado o trabalho de olhar a previsão do tempo, mas aparentemente não fui capaz de tomar um minuto do meu tempo para verificar a porra do meu telefone.
Vejo alguns dos infelizes correndo, tentando evitar o aguaceiro, o que era claramente inútil já que estava chovendo PARA CARALHO, mas na cabeça de algumas pessoas correr adiantaria de algo. Não que esperar feito um babaca que acabou de tomar um bolo também adiantasse de algo, já que o tempo claramente permaneceria fechado até o dia do armagedom.
Sinto um peso enorme cair sobre meu ombro e me viro abruptamente, assustado com o contato repentino, mas logo me acalmo ao ver o brutamonte plantado ao meu lado. Henri, o namorado da amiga de Mel, sorri para mim de forma amigável, ou pelo menos o mais amigável que ele poderia parecer, já que o cara parecia uma muralha que poderia facilmente quebrar meu braço.
- E ai, cara! - ele me cumprimenta animado. - A porra do tempo está uma merda, hein?
Olho para Henri por um momento e percebo que ele também não veio preparado para enfrentar o dilúvio. Somos dois filhos da puta desavisados, afinal.
Estalo a língua irritado e volto a olhar o fim dos tempos.
- Merda é pouco para descrever essa porra. - resmungo em resposta e ele ri.
Henri, diferente de mim não parece irritado, talvez só frustrado com a porra da chuva. Acho que ele é aquele tipo de pessoa que não se irrita com facilidade, o que é uma benção porque se ele fosse esquentado, seria um problema para a integridade física das outras pessoas.
Ele me lembra um pouco Lysandre. Claro, tirando o tamanho e a facilidade com que ele fala qualquer merda absurda sem pensar suas vezes, como por exemplo, quando ele mencionou ter uma porra mágica já que Dani engravidou mesmo tomando anticoncepcional. Acho que Dani perdeu todo o sangue do rosto quando ele soltou aquela merda na noite em que estava na casa de Mel.
Aquela noite foi... esquisita e estranhamente divertida.
Sinto a irritação crescer de novo com a lembrança. Mel estava me ignorando deliberadamente e eu já estava muito puto com a situação. Porque, porra, alguma coisa aconteceu entre nós dois. Não tô falando somente do sexo oral que rolou no banheiro, embora isso não tenha saído da minha cabeça nos últimos dias.