"A melhor lição que você aprenderá sobre amar é ser amado"
Moulin Rouge, de Pierre La Mure
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Com um baque surdo, Henri deixa cair sobre o assoalho de madeira as duas latas de tinta amarelo pastel junto à tinta branca que eu havia posto ali um momento antes. No canto do quarto havia mais uma sacola cheia de pincéis, rolos, espátulas e uma lata de algo que eu sinceramente não faço a mínima ideia do que seja.
- Pronto! - ele disse batendo as mãos para tirar a poeira imaginária que havia ali. - Acho que podemos começar.
Henri usou uma chave de fenda para abrir a primeira lata de tinta, e antes de despejar o conteúdo na vasilha, eu pergunto:
- Não precisamos diluir isso aí em água antes?
Ele para na metade do movimento para olhar para mim.
- Precisamos?
Não consigo evitar, meus ombros caem em sinal de frustração imediatamente.
- É a história do berço toda de novo. - resmungo. - Olha o manual, deve ter algo que explique isso.
- Não veio com manual, Castiel. - respondeu colocando o latão no chão. - Será que eu tinha que ter pedido antes?
Henri olhou para mim como se eu soubesse de alguma coisa. Porra! Não sei. Se juntarmos todo o meu conhecimento e o dele a respeito desse tipo de atividade teremos um total de dois idiotas que não fazem a mínima ideia do que estão fazendo.
Porque foi mesmo que eu topei ajudar ele a pintar o quarto?
- Estão tendo problemas?
Me viro a tempo de ver Dani se acomodando no batente da porta, a barriga inchada de cinco meses já não deixa sombra de dúvidas sobre sua gestação. O berço foi para a casa do caralho. Eles acabaram comprando outro, que ainda está na caixa, afinal, seria idiota montá-lo antes de pintar o quarto, assim como foi idiota montá-lo na sala.
Sinceramente eu não sei como Dani não perdeu as estribeiras comigo e com o namorado dela, ou melhor, com o noivo dela. Embora Dani tenha deixado claro que não vai se casar com uma barriga enorme e muito menos com a ameaça de ter leite vazando em seu vestido, então provavelmente o casamento sairá cerca de um ano depois da criança nascer.
Criança essa que até o momento se recusa a facilitar a vida do médico que vem tentando determinar se é menino ou menina. Eles acabaram desistindo e vão deixar para saber quando o pirralho ou pirralha nascer. Eu acho bom, porque eles ainda não escolheram nenhum nome.
Semana passada um cara bateu na traseira do carro de Dani em um estacionamento. O desgraçado se chamava Gael, então Gael deixou de ser uma opção rapidinho.
Estou começando a achar que vamos chamar a criança de bebê gigante para sempre.
- Precisamos mesmo diluir a tinta em água? - Henri pergunta a ela.