Capitulo 08

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—Tem alguém aqui?.—um grito vem de longe e levantamos desesperados.
—Quem tá aí? Quem tá aí porra?.—o grito fica cada vez mais perto, e da pra ver a luz de uma lanterna se aproximando também.

Nunca corri tão rápido em toda a minha vida, corremos em direção ao portão, eu só consigo pensar que eu tô fodida, se isso da merda, meu pai me deserda e eu tô fodida. Não tenho mais fôlego, mas continuo correndo, finalmente vejo o portão. Xamã me estende a perna para me dar apoio e eu pulo, ele vem pulando logo atrás.
Sinto minha coxa arder, mas nem ligo, vou correndo em direção a moto.

—Catheee.—Xamã grita um pouco distante.

Viro pra trás pra entender.

—As roupas caralho.—ele diz apontando pra mim que me encontro de calcinha e sutiã no meio de um estacionamento vazio.
—Puta que pariu, e agora? Como eu vou assim?.—começo a me desesperar, mas ao mesmo tempo a ter uma crise de riso.
—Porra a gente é muito burro.—ele diz se aproximando.
—Pega.—ele abre o banco da moto e tira um casaco.— Eu acho que dá pra te cobrir, eu vou sem camisa mesmo.— ele diz enquanto coloca o capacete.

Eu visto o casaco que cabe como um vestido, mas mesmo assim me sinto pelada e penso o que diabos vou dizer quando eu chegar em casa assim. Coloco o capacete e sento na moto. Escutamos o segurança no portão gritando, viramos pra trás e ele está abrindo o mesmo, Xamã da partida e acelera.

—Comeu poeira tadinhooo.—Xamã grita assim que pegamos a BR.
—Você é malucooooo.—grito de volta rindo.

—Para ali.—grito apontando pra um comércio.

Ele estaciona a moto e eu desço.

—Fica aqui, eu já volto.—digo em rumo a loja.

Depois de alguns minutos, saio da loja vestida com um short jeans e uma blusinha escrito "Rio de Janeiro ❤️" e vejo o mesmo escorado sem camisa na moto mexendo no celular.

—Pega.—jogo o moletom em direção dele, e ele o agarra.—E isso é uma camiseta de presente.—me aproximo e entrego uma sacola rindo.
—Pra que isso pô?.— ele diz vendo a sacola.
—Tu perdeu uma blusa, tô te dando uma, pra compensar a noite incrível.—sorrio.
—Coé tu é besta, vai lá e troca em algo pra ti.—ele balança a cabeça em negação.
—Hum hum, presente não se devolve e nem faz desfeita, que feio.— faço bico.
—Conjuntinho?.— ele ri olhando para a camiseta que também está escrito "Rio de janeiro ❤️"
—Era a única coisa que tinha lá, ou você preferia o "I love RJ❤️" .— caio na gargalhada também.

Ele veste a camiseta, olha pra ela em seu corpo e sorri.

—Pô maneirassa, obrigada então.—ele me puxa pela cintura, me encaixando entre suas pernas.
—Por nada.—sorrio sem graça.
—Como que pode ser linda até com uma blusa dessa?.—ele me beija.

Ele distância os lábios dos meus, coloca as mãos entre meu pescoço e meu maxilar, e me olha.

—Obrigada por ter ido hoje, esses bagulho de música é meu ponto fraco sabe? É meu sonho de vagabundo.— ele diz tímido.
— Você vai muito longe, ainda vou ouvir muito falar de ti.— abraço ele.
—Vamos?Antes que seu pai apareça de helicóptero aqui, atrás de você.—ele diz rindo.

Subimos na moto e me abracei ao corpo dele, eu me senti viva, não sei se era ele, ou a moto, mas eu sentia algo diferente desde ontem. Depois de longas avenidas, ele encosta na frente do meu prédio, eu me despeço e desço de pressa para que ninguém veja.
Entro no elevador, olho no meu celular que marcam 23:30, e tem apenas uma mensagem, da Bela avisando que chegou em casa, sinal de que provavelmente meu pai não tinha chego.
Entro em casa e Michele tá no sofá, pausa o seu filme ao me ver.

Era uma vez // Xamã Histórias para pegar e não largar. Descubra agora