Chego no trabalho no sábado torcendo para que o almoço com um contratante seja cancelado mas infelizmente não foi.
No carro com o Sr. Fabrício ele quebra o silêncio com uma de suas patadas.
-Srta. Bittencourt - ele fala deixando celular em cima do banco do carro - temos uma viagem hoje à noite então faça suas malas
-Que? - levanto uma sobrancelha
-Bruno tratou comigo durante a semana e só te comuniquei agora pois já está tudo certo - ele fala com uma naturalidade
-Pra onde VOCÊ vai? - entono o fato de que não vou
-NÓS vamos até a Califórnia decidir alguns detalhes e modelos de um desfile que vai acontecer - ele enfatiza o "nós"
-Eu não vou - reviro os olhos - não precisa de mim para ver mulheres desfilando e decidir qual lingerie fica melhor
-Se estou mandando é porque eu preciso - ele fala grosso - voltamos terça pela manhã
Nesse momento o motorista passa por uma lombada e acabo indo parar de cara no peito do Fabrício com minha bolsa e celular no chão.
-Porra - ele grita
Na mesma hora percebo que bati/arranhei meu joelho em um negócio de ferro que tinha no carro e que aparentemente não foi feito para colocar o joelho
-Que merda - falo com dor e colocando mão no fino corte
Fabrício grita de dor mas por outro motivo: eu sem querer (mas foi muito bem servido) dei um soco no peito dele para tentar evitar o choque de meu rosto.
-Desculpe - tento me levantar
-Presta atenção no trânsito e não nas mulheres da rua seu incompetente - ele grita com o motorista
-Desculpe senhor - o motorista fala ajeitando os óculos
Vi que ele estava nervoso e provavelmente foi só um acidente mas aquilo deixou Fabrício em fúria.
-Calma - pego no braço dele
-Anjo, deixa eu resolver com ele - ele grita - você podia ter machucado ela de verdade
Naquele momento percebi que não era por ferrar o amortecedor do carro ou pelo soco que recebeu e sim pelo fato de eu ter me "machucado".
-Ei - sorrio e coloco a mão no rosto dele - eu to bem, foi sem querer
-Você tá bem? - ele fala colocando a mão na minha perna
-Estou - sorrio
Ele da um sorriso de alívio e preocupação que logo toma lugar uma cara séria que fala de trabalho.
-Como eu ia dizendo - ele ajeita a gravata - algum motorista competente vai te pegar na sua casa 21h para partirmos.
-Quero um motivo muito bom para eu ir - falo cruzando os braços
-Seu salário vai triplicar esse mês - ele fala mas continuo de cara fechada - e eu não consigo decidir muitas coisas longe de você, Anjo - ele fala sorrindo
Minha nossa senhora tirem esse homem de perto de mim porque se não fosse pelo motorista tinha dado pra ele ali mesmo no meio de uma avenida.
O almoço com o contratante foi um sucesso e o Fabrício fechou um contrato que trará muito dinheiro a empresa então o dia está rolando bem.
Óbvio que fiz mais doce para não ir nessa viagem mas depois do "não consigo decidir muitas coisas longe de você, Anjo" eu claramente ia sem pensar duas vezes. "Aline você é muito trouxa" vocês pensam e eu até concordo dessa vez.
Ele me deixa em casa mas antes que eu saia me dá um beijo no canto da boca que acendeu todas as chamas que existem em mim.
Arrumo minhas malas e é claro com uma roupa para qualquer tipo de ocasião já que não quero passar o mesmo que da última viagem com Felipe (estávamos fazendo uma linha para uma cantora famosa e teve um jantar chique na casa dela e eu estava com roupa de secretária esfarrapada).
Coloco um all star, uma calça jeans, um moletom vermelho e deixo meu cabelo em um coque improvisado já que
O voo não demora muito
Está frio
Por que vou me arrumar para viajar de avião?
...
Nove horas chega o carro da empresa e eu desço com a minha mala vermelha e uma mochila pronta para ir.
Fabrício costuma viajar (até seu pai) com o jatinho da empresa por ser mais rápido e confortável então imaginei que fosse ser assim também.
Assim que chegamos no aeroporto encontro Jéssica (???) falando no telefone com cinco malas a sua volta e o Potter com uma cara de que vai matar o primeiro que passar no seu caminho.
-Anda Jéssica- ele fala sem paciência - já estamos atrasados
-Aí tudo bem - ela desliga o telefone
-Queridinha carrega minha mala - ela fala passando por mim
-Pega você - reviro os olhos e entro
Óbvio que ela falou para me provocar já que as malas são colocadas em outro lugar do jatinho por pessoas designadas a isso mas ela não perde a chance de dizer que sou "inferior" a ela sendo que
Quem carrega as malas sempre são ótimas pessoas
Não sou inferior a ninguém muito menos a essa lagartixa de salto
Entro no jatinho e o Fabrício logo em seguida entra também. As poltronas eram organizadas de forma que pares ficaram na frente de pares, no meio delas tinha uma mesinha e elas eram grandes suficientes para serem consideradas poltronas de televisão que custam dois fígados e meio.
Me sento em uma na janela e coloco meu fone enquanto procuro a playlist certa que faça eu não ouvir a Jéssica cacarejando daqui até lá.
Assim que Fabrício se senta Jéssica joga as pernas pra cima dele e começa a falar como se não houvesse amanhã e para minha sorte achei a playlist que fizesse ela ficar quieta para meus ouvidos.
Pego no sono rapidamente mas antes consigo olhar para Fabrício que estava com rosto de "ou você cala a boca ou jogo você daqui de cima" para Jéssica.
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Chefe
RomanceAline Bittencourt, após quatro anos de trabalho para Felipe Arantes, se vê no seu primeiro dia de trabalho novamente quando o filho de Felipe assume a empresa. Totalmente o inverso do pai, Aline terá que aprender a controlar os nervos e seu corpo pa...
