Tristeza e Recomeço...

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Eu deveria dizer que me sinto um patético nesse momento saindo do campo de futebol segurando meu choro.

As palavras de Macau estão penduradas em minha mente como um lembrete de quão fácil de ler eu sou. Afinal, foram exatamente essas palavras que ele usou.

Queria poder de fato culpar Macau por ter estragado a minha chance de chamar Kim para o baile ou até mesmo conseguir ter algo com ele, mas eu não posso. Não posso e não consigo me enganar dessa forma.

Porque eu sei que mesmo que Macau não tivesse falado nada com Kim, ainda sim, a resposta dele permaneceria intacta. Porque Kim não está nem um pouco interessado em mim.

Acabo me sentando na arquibancada. Consigo ver os garotos que formam o time correndo a todo vapor pelo campo. Até que mais nada eu vejo. Pois adormeci com a cabeça apoiada em meus joelhos.

...tic-tac...

Abro meus olhos minimamente. Está tarde.

Permaneço com a cabeça abaixada vendo Macau hesitante em passar pela grande saída do campo. Ele parece estar em uma briga interna, até que se decide falando um merda, antes de se encaminhar até onde estou. Fecho meus olhos novamente.

Me sinto ansioso. Pois ouço seus passos se aproximando e o ranger do banco ao se sentar ao meu lado. Ele está em silêncio.

Abro meus olhos devagar para olhar para Macau, que está realmente ao meu lado, mas seus olhos estão focados no campo.

O céu cada vez mais escurecendo e naquele ambiente somente eu e Macau se fazendo presente.

Me desculpe - ele diz tão baixo, que se não fosse pelo silêncio ensurdecedor entre nós, eu nem mesmo teria escutado. Depois de um curto período de tempo ele continua a falar - Eu não deveria me meter em quem você quer chamar ou não para o baile.

Meu olhar que ainda está pousado sobre Macau, me permite ver a sinceridade em toda sua fala e expressão. Levanto a minha cabeça dos meus joelhos.

Vamos! - ele diz se levantando - Esta tarde, vou te acompanhar até sua casa.

Não penso muito. Apenas puxei minha mochila acompanhando Macau.

A escola está praticamente vazia.

Tudo é feito em silêncio, desde o se dirigir até um ponto de ônibus, até ao entrar no ônibus e se sentar. E isso está me incomodando. Porque Macau não é silencioso. Macau é barulhento e falador. Macau é aquele que me faz ficar à flor da pele com suas falas egocêntricas e ações de caráter duvidoso.

Olhando um pouco para janela, decidi pegar meu fone de ouvido e meu celular. Entro em minha playlist conectando uma música. Entrego um fone para Macau que olha primeiro para o objeto e depois para mim.

Eu te desculpo - digo pela primeira vez desde que eu acordei da arquibancada. Macau não esboça reação alguma. E eu desejo que eu também não esteja fazendo isso. Pois de alguma forma, o toque de nossos dedos quando Macau pega um lado do fone, me faz ter o estômago rodopiar em uma dança de borboletas.

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