A procura de ser desculpado...

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Uma semana se passou e eu deveria dizer que tentei falar com Kim pelo menos umas três vezes. Mas todas foram sem êxito.

Penso que de alguma forma ele sabia que eu queria ir até ele, então evitava a todo custo essa possibilidade.

O que acabou gerando que meu pedido de desculpas fosse apenas adiado.

A parte racional de mim ainda me questiona do por que eu irei pedir desculpas a ele, sendo que eu poderia evitar mais constrangimentos.

Mas a parte que está louca e apaixonada por Kim, está seguindo um mantra em que diz : mas vergonha do que desmaiar você não vai passar, então apenas siga o fluxo.

E é exatamente isso que eu tenho feito.

E o pedido de perdão é o início de tudo.

Mas pelo visto Kim não quer receber meu perdão e nem nada que envolva eu estar perto.

E assim com esses pensamentos vou até a biblioteca. E falando do meu anjo, eu me esbarro nele. Foi apenas uma trombada. Nada que fizesse nem eu e nem ele cairmos.

Assim que Kim me olha, ele desvia o olhar para todos os lados como se estivesse em busca de alguém.

Kim - começo, estou hesitante, mas é minha oportunidade de pedir perdão - Me desculpe, sério não foi minha intenção.

— Não se preocupe - ele se limita a dizer e se vira para se afastar, mas antes que isso aconteça eu cutuco a região de sua omoplata. E o mesmo se vira, com uma sobrancelha erguida, um pedido mudo para que eu vá dizer o que eu quero.

Eu também quero me desculpar pelo outro dia - digo gesticulando com minhas mãos mas do que eu planejo. Ele me olha, ajeita a postura se virando totalmente para mim e solta o ar pela boca.

Não se preocupe. Você está bem? - ele pergunta calmo.

Sim, eu estou bem. E você está bem? - acabo sorrindo demais e levo a mão na boca, um grande indício de que eu estou muito nervoso agora. Kim sorriu pequeno.

Digo, você está bem do desmaio? Daquele dia ?

— Ah sim - digo olhando para os lados. droga... sinto minhas bochechas esquentarem - Estou bem também daquele dia - me embaralho nas palavras. Droga novamente. E eu pensando que não tinha como passar mais vergonha.

Mas então Kim riu mais um pouco. E isso dissipou totalmente minhas inseguranças.

Isso é bom. Está à procura de um livro?

Ergo minhas sobrancelhas como se isso fosse óbvio, afinal estamos em uma biblioteca. Ele sorri pequeno.

Sabe achar livros aqui nessa joça? - acabo rindo desacreditado com a fala de Kim.

Sim. Eu sei achar livros nessa joça. De qual você precisa?

— Um de matemática. Eu meio que nunca vim aqui na biblioteca - o olho meio acusador e o mesmo apenas sorri.

Poucos minutos se passaram desde que comecei a procurar o livro e estamos em silêncio.

Até que ele começa a falar.

Eu sei que naquele dia você iria me chamar para o baile - ele diz calmo, quase que pausadamente, uma das coisas que eu já percebi em Kim é que ele tende a falar calmo demais, sem esboçar quase emoção nenhuma em suas palavras.

Ouvir a palavra baile me paralisa um pouco. Então, apenas permaneço sentado no chão ainda passando meus dedos pelos livros, à procura do livro que Kim precisa.

Como ?

— Macau. E eu sugiro que não faça isso. Eu não gosto de bailes.

— É por isso que estava fugindo? - digo depois de me levantar e entregar o livro a Kim. Minha mão está em uma extremidade do livro e a de Kim na outra.

Kim não me responde, mas seus olhos inexpressivos de alguma forma me transmitem que sim. Então ele apenas se vai. Murmurando um obrigado antes de partir.

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