Pensando sobre aquela noite...

488 80 43
                                        


P.O.V autora...

Porchay sente seu coração despedaçado.

Chateado consigo mesmo pelas próprias decisões.

Deixar Macau sair da forma como saiu, não foi uma das coisas mais inteligentes que ele fez. Ele entende isso.

Convidar Kim, usando o pretexto para a própria consciência de que ele era um amor mais seguro, foi outro momento desprovido de inteligência de Porchay.

Deitado em sua cama pensando em como tudo chegou aquilo, se tornou a sua rotina por dois dias.

Flashback on...

A transição do ensino fundamental para o ensino médio era algo que estava deixando Porchay ansioso nas últimas semanas.

Em frente ao seu espelho, decidindo roupas para seu primeiro dia de aula, foi surpreendido por Porsche, seu irmão, que abriu a porta do cômodo apontando somente a cabeça.

É aqui que pediram uma mochila super sagaz para o garoto mais descolado do ensino médio??! - a fala de seu irmão fez Chay sorrir gigante.

Che não me zoe - disse fazendo manha ao se jogar na cama.

Quem está zoando aqui? Estou apenas perguntando se dessa vez eu comprei a mochila certa. Eu comprei ? - disse, já dentro do quarto, levantando a mochila na altura do rosto.

Sim Che, essa parece mais descolada - disse com um pequeno sorriso nos lábios, enquanto observava seu irmão se sentar na beirada de sua cama.

Nervoso?

— Imensuravelmente -

Veja só, você já está pronto!! Está até mesmo usando palavras complicadas como adolescentes complicados - Porsche disse fazendo graça.

Aborrecente o nome - eles sorriram um pouco um para o outro. E então Chay se sentou, ficando de frente para seu irmão. Os sorrisos divertidos se dissipando, para dar lugar a sorrisos acalentadores.

Vai dar tudo certo. Sei que parece que está indo para uma guerra agora. Mas na verdade é apenas o ensino médio.

— É uma nova etapa da minha vida. Não terei mais que usar uniformes - Chay sorriu, abaixando a cabeça - Acho que estou crescendo.

— É... eu também penso isso - Porsche disse puxando seu irmão mais novo em um abraço.

Porsche manda seu irmão acabar de se arrumar e logo depois o deixa na porta da escola.

Ainda adentrando o local, Chay conhece Win, um cara falante, alto e bonito demais. Depois de descobrir qual seria sua sala, Chay fica feliz em saber que Win também caiu na mesma. E fica mais feliz ainda em fazer amizade com uma segunda pessoa, Nani. Talvez o ensino médio não fosse tão ruim assim, já que a maior preocupação de Porchay era estar sozinho naquele abatedouro de adolescentes na puberdade.

Porchay estava gostando, até, da escola.

Ela era grande e incrível.

Um grupo de garotos e garotas do segundo ano se dividiram, a mando do coordenador, para apresentar a escola aos novos calouros.

Um garoto de sorriso macio, pele dourada e cabelos negros, estava apresentando a escola a sala de Porchay. Ele, e mais uma garota bonita, de cabelos cor de mel e sorriso fofo, que o garoto descobriria que se chama Malia.

Porchay não entendeu o motivo do coração ter acelerado tanto.

Tão novo e inexperiente no quesito amor, que não entendeu que a partir daquele dia, seria difícil desviar os olhos de Macau Theerapanyakul.

Não houve uma conversa direta. Nem mesmo um sorriso direcionado para si.

Mas ainda sim houve paixão.

Houve a descoberta de se apaixonar por um garoto.

Houve o coração acelerado e intenção genuína no ato de amar.

Porchay estava apaixonado.

Flashback off...

E ele ainda permanece apaixonado por Macau Theerapanyakul.

Mesmo depois do fatídico dia, em que seu coração parecia não aguentar mais viver em um amor oculto, e por conta disso, escreveu uma carta de amor para Macau. Sem nome, sem demais informações, apenas os seus sentimentos.

A carta foi posta no armário de Macau, e Porchay decidiu que tudo o que mais queria era ver a reação de Macau ao ler a carta. É por isso que a colocou ainda no momento em que acontecia a aula e foi um dos primeiros a sair da aula para ir para seu próprio armário assistir tudo de longe...

Porchay se sentiu magoado, ferido, quando Macau todo sorridente abriu o armário e se deparou com a carta em um papel verde água. Ele não leu, ele não abriu. Na verdade, ele enfiou todo o material dele dentro do armário, foi amassando a carta que Porchay colocou todo o coração, e a jogou na primeira lata de lixo.

O coração já tinha sido quebrado de qualquer forma, então Porchay não pensou quando saiu do corredor correndo, com os olhos cheios de lágrimas, passando por Macau.

Explicar ao seu irmão o porquê daquelas lágrimas, e pior, explicar que o motivo era Macau, apenas o cara que ele vivia tagarelando dizendo ter se apaixonado, não foi uma das melhores coisas a se fazer.

Mas ainda sim Porchay teve que fazer. Porque era seu irmão ali, o cara que lhe escutava e que jamais deixaria Porchay passar chorando pela sala e não fazer nada a respeito.

Uma semana sofrendo dentro de casa, pois estava decidido a não ir à aula, foi o que Porchay fez.

Poxa... porque tinha que doer tanto.

Macau era seu primeiro amor.

Sua primeira paixão.

Ele estava disposto a amar Macau até o último átomo do seu corpo, mas o mesmo não sabia nem mesmo da existência desses átomos.

Droga... ele era um bobo apaixonado.

Estava apaixonado por um cara que gostava de sair à beça. Ficava com quem quisesse e mais mil coisas, que não agradava Chay.

E foi dando um pulo da cama, em um sábado à noite, que Porchay se olhou no espelho. E disse que iria desistir de Macau.

"Eu desisto de você Macau. Estou renunciando todo amor que tenho"

É claro que isso não aconteceu só porque Porchay queria e porque estava determinado.

Na verdade, Porchay passou por longos seis meses tentando de fato esquecer o que sentia, porque sim, ele ainda sentia.

Mas então apareceu Kim.

Nunca esteve em sua visão. Porchay nem mesmo se lembra de já o ter visto em algum lugar. Mas ali no baile, tocando alguma música para os casais na pista dançarem, Porchay sente que Kim seria a melhor opção para esquecer Macau.

Kim tinha tudo para fazer Porchay morrer de amores. E de uma forma que não conseguia imaginar, foi alimentando toda essa sensação. Foi escolhendo e procurando cada coisinha para se encantar por Kim.

E estava. Ou pelo menos era o que pensava.

Pois agora ali na sua cama, pensando em toda a trajetória de sua vida, entende que seu coração nunca acelerou de fato por ninguém como acontece quando está, mesmo que a quilômetros de distância, de Macau.

Poxa, ele ama Macau. E deveria fazer algo a respeito.

Porchay sente que não precisa considerar aquela história fiada de que o primeiro amor nunca dá certo.

Afinal, Macau não era somente seu primeiro amor. Macau era seu segundo amor, seu terceiro. Seu amigo e se o universo estivesse ao seu favor, seria seu companheiro.

E foi pensando nisso, que Porchay sai correndo de sua casa.

------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

agora eu não tenho culpa do resultado do seu simulado na segunda : - )

Ou tenho??

Te amar novamenteHistórias para pegar e não largar. Descubra agora