Olhos negros e brilhantes...

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Notas: sério. Eu amo esse primeiro quase encontro deles.

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— Então o que íamos fazer era entrar escondido na escola? - pergunto para Macau o olhando.

— Gostou? - ele pergunta com um sorriso provocador.

— É… eu gostei - digo voltando meu olhar para o céu - Macau? - olho para ele novamente em menos de segundos.

— Porchay - ele diz fazendo o mesmo. Sorri pequeno.

— O que você vai fazer depois que sair daqui?

— Bom… vou te levar para casa, voltar para minha. Tomar um banho e desmontar - 

— Nãooo - falei calmo - Digo. O que você vai fazer depois que acabar seus estudos aqui. Que faculdade vai fazer?

Macau parece pensar, pois ele demora um tempo considerável para responder, enquanto observa o céu.

— Sabe Chay. A minha família, desde muitos anos atrás, é constituída basicamente por médicos e advogados. Você raramente vê uma opção diferente desta na minha família. Até mesmo os cônjuges se você for reparar é advogado ou um médico. Pete é um grande advogado.

— Mas e você, o que você quer fazer? - pergunto novamente, pois acho que Macau não entendeu a minha pergunta.

— É isso o que eu tenho pra ser Chay.

— Mas Kim escolheu música? Você também deve escolher o que deseja - Macau me olha nesse momento.

— Kim escolheu música e é ameaçado frequentemente pelo vovô em ser deserdado. E isso inclui não ter ninguém pagando por sua faculdade. Não estou disposto a pagar um preço que eu não quero pagar apenas por conta de uma profissão Chay. Prefiro me estabilizar primeiro na profissão que eles querem, e me rebelar depois. 

Fico em silêncio. Macau também fica. E o silêncio que se instala entre nós dois é esmagador. Pela primeira vez, é esmagador.

Dessa informação eu sinto que se tem muito para tirar. De um lado estou a favor de Kim e acho sua atitude a mais certa e de outro está a de Macau, soando tão certa quanto.

Respiro profundamente, e lentamente passeio com meus dedos até encontrarem os de Macau sobre a grama sintética.

Ao sentir os meus dedos ele levemente os movimenta em uma hesitação, mas então os aproximando cada vez mais, enlaço meus dedos nos de Macau. Que não recua mais em nenhum momento.

Estamos com as mãos dadas sobre a grama enquanto olhamos para o céu. 

— O céu é tão grande que faz nos sentirmos tão pequenos - Macau diz baixinho - Nossos problemas não parecem nada, comparado a tudo isso.

Me viro para Macau, me deito de lado e ele faz o mesmo. Estamos ainda com os dedos enlaçados, olhando um para o outro.

Não consigo desviar. Não quero desviar desses olhos negros e brilhantes.

Te amar novamenteHistórias para pegar e não largar. Descubra agora