Capítulo treze.

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A luz que entrava pela janela incomodava meu sono. Resmungando passei meus dedos ao redor da minha cabeça em busca de algum tecido para tampar meu rosto. Toquei em uma superfície dura e estranhei, abri os olhos ao perceber que tinha dormido em cima da escrivaninha. Não demorou muito para uma dor no corpo aparecer por conta da maneira que eu havia dormido ali. Pisquei os olhos algumas vezes encarando um ponto fixo do quarto até despertar completamente.

Me mexi para tirar o braço dormente que estava de baixo da minha cabeça e senti duas coisas afiadas se enfiarem na pele da minha nuca. Mesmo estando grogue por causa do sono fiquei em alerta, devagar, levei minha mão até a nuca toquei o que estava em cima de mim. Senti um dos meus dedos serem bicados e logo em seguida me levantei de forma brusca.

O pássaro voou até a sacada e ficou me encarando de lá. Massageei o dedo bicado para aliviar a pequena ardência no local e franzi a testa irritada para o animal que parecia me julgar.

- Desnecessário, sério. Fez isso por que estou te fazendo esperar? - Perguntei sem exigir uma resposta.

Passei na frente do espelho e notei meu semblante cansado, os acontecimentos anteriores não me deixaram dormir. Acabei me afundando nos últimos detalhes da organização sobre a viagem para esquecer dos problemas e no fim dormi sem tomar um bom banho para descansar meus músculos.

Suspirei e alonguei o corpo dolorido. Parecia que eu tinha dormido em cima de uma roxa, essa noite minhas costas sofreram mais do que qualquer um.

Voltei a olhar para o pássaro que agora observava o andar de baixo.

- Onde eu deixei? - Murmurei e vasculhei os bolsos encontrando o envelope totalmente amassado, fiz meu melhor para desamassar mas não deu muito certo. - Que seja, vai assim mesmo. - Fui até a sacada e fiquei na frente do pássaro. - Com licença, não me bique de novo. - O animal nada fez. Ele esperou pacientemente até que eu colocasse o envelope em seu suporte para cartas na pata e começou a voar assim que me afastei.

Suspirei assim que coloquei meu pé para dentro do quarto. A situação de ontem me incomodava, causando um desconforto mental toda vez que pensava nela.

Ainda era muito cedo, o sol tinha acabado de aparecer e por isso minhas criadas deveriam estar prestes a acordar. Não queria esperá-las, então decidi me banhar sozinha como era antigamente.

O problema era que aquela sensação esmagadora não deixava minha mente descansar. Me sentia aérea, como se não estivesse controlando o meu próprio corpo, como se alguém estivesse brincando comigo. Balancei a cabeça para me distrair e comecei a esfregar minha pele com os produtos que sempre usava no banho.

Eu não sabia muito bem o que estava me deixando daquele jeito. Poderia ser a briga com meu pai, o passado triste dos gêmeos, uma parte de mim que ficou ansiosa demais com a viagem e os perigos dela, ou tudo isso ao mesmo tempo. Juntei meus joelhos até o peito e enfiei minha cabeça entre eles enquanto observava as pequenas bolhas flutuando na água.

O silêncio daquele quarto parecia me engolir a cada segundo que se passava. Levantei um pouco a cabeça quando ouvi o som da porta do quarto se abrir, por um momento achei que fosse apenas minha imaginação buscando qualquer som para me fazer sentir menos sozinha mas joguei fora essa probabilidade assim que ouvi passos se aproximando do banheiro. Instintivamente levei meu braço para tampar os seios e dei as costas para a porta.

- Acordou cedo, senhorita. - Isabel carregava uma toalha em seu braço e se aproximou de mim. - Peço desculpas pela demora, irei ajudá-la a lavar seu cabelo. - Não respondi nada, apenas concordei com a cabeça. Ela puxou um banquinho e sentou atrás de mim.

Apesar de sua face ser fria, Isabel possuía os dedos mais delicados e gentis que já vi e senti. Ela massageava meus fios com tanta maestria que me fazia esquecer aquela sensação ruim e só prestar atenção em seu toque.

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