Capítulo dez.

565 93 2
                                        

Franzi o cenho quando Isabel colocou aquele envelope em minhas mãos. Ele possuía o símbolo da família real em seu lacre, pulei da cama e fui até minha penteadeira para abri-lo. Não sei qual é o nome do papel utilizado nesta carta mas consigo dizer que é caríssimo só pelo toque.

Violei o lacre e retirei o papel de dentro do envelope. Irritação se fez presente no meu rosto assim que comecei a ler.

"Senhorita [Nome] Floyd, sua presença foi requisitada para uma festa do chá que acontecerá no palácio essa tarde às 15:00. Esse evento será realizado com o intuito de vossa alteza conhecer melhor as damas, já que uma de vocês será sua esposa e a futura rainha. A presença de todas as pretendentes é obrigatória, a falta dela significa a desclassificação na competição.

Atenciosamente: secretário do rei."

Repremi um gemido frustrado. Hoje eu começaria a organizar minha viagem até o território dos magos, mas terei que adiar meus planos por conta desta porcaria de "convite" obrigatório.

- Algum problema, senhorita? - Isabel perguntou mascarando sua curiosidade sobre o que eu acabará de ler.

- Minha presença foi requisitada no palácio para uma festa do chá com o príncipe. E eu não tenho o direito de recusar. - Corri até minha cama pulando nela e afundando meu rosto em meu travesseiro macio.

- Entendo sua frustração mas como uma dama e futura herdeira da casa Floyd você precisa cumprir com suas obrigações. A senhorita Elyse-

Levantei meu braço fazendo-a se calar imediatamente. Virei meu rosto no travesseiro e cerrei os olhos em sua direção.

- Agradeço por dizer o óbvio, Isabel. Eu sei das minhas obrigações e não preciso de sermão vindo de ninguém. E eu não sou Elyse. - Ela se desculpou com seu rosto inabalado de sempre e eu voltei a me afundar no travesseiro. Esses idiotas não poderiam ter enviado o convite antes? Os nobres possuem costumes de convidar as pessoas em cima da hora? Suspirei no travesseiro sentindo o mesmo esquentar. Levantei da cama colocando meus pés para fora dela. - O meu pai já sabe sobre meu compromisso?

- Não, senhorita. Ele apenas tem consciência que uma carta vinda do palácio chegou para você.

- Mande alguém para avisá-lo. - Caminhei na direção da minha penteadeira. - Depois traga o grupo de sempre para ajudar a me arrumar.

- Agora mesmo, senhorita. - Ela se curvou e correu para fora do quarto.

Eu fui mesquinha com ela? Por um momento eu pareci uma garota mimada que não gosta de ser comparada. Neguei com a cabeça. Estou no total direito de ficar irritada com ela, eu sei dos meus deveres e não preciso de ninguém para lembrá-los.

Minutos depois Isabel retornou com as criadas que pedi. Amélia era a mais animada entre elas, qualquer menção do príncipe a deixava eufórica. Aos poucos fui descontraindo e conversando com o restante das meninas de forma informal, exceto com Isabel. Ela era silenciosa e só dizia o básico, eu queria que ela fosse mais expressiva como Amélia mas entendo que a quietude faz parte da personalidade dela.

Amélia fez com que o restante das criadas se soltassem na minha presença e aquele grupo de mulheres no meu quarto se pareceu com uma reunião entre amigas de longa data.

- Senhorita, acho que azul fica tão lindo em você. - Emma disse animada.

- Devo concordar, mas... - Stace colocou a mão no queixo me analisando. - Acho que vermelho se encaixaria melhor. Essa cor te daria um ar de madura e sedutora.

- O que acham de preto? Ou talvez branco? - Meggy, a mais tímida entre elas falou baixinho.

- Acho que preto ficaria um tanto fúnebre. Branco...? Não sei. O que acha, senhorita? - Amélia perguntou enquanto passava a toalha em meus cabelos para secá-los após meu banho perfumado.

White Prince.Onde histórias criam vida. Descubra agora