Capítulo oito.

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Logo que comecei a andar o caminho ficou repleto de pessoas dançando a música calma e enjoativa que tocava. Decidi que iria para os cantos do salão para não acabar trombando com ninguém.

Eu andava com passos firmes e rápidos para não ter tempo de ninguém me parar, não aguentaria mais uma chuva de interrogatórios. Enquanto procurava por Itadori e Sukuna meus olhos começaram a vagar pelas decorações e trajes luxuosos. Passei pela mesa onde várias comidas estavam espalhadas para degustação, um prato que julguei ser de ouro por conta do peso e da cor me chamou a atenção, um desses sustentaria uma família mestiça por meses. Peguei uma espécie de torrada com uma pasta esverdeada por cima e levei até a boca, imediatamente busquei um guardanapo para cuspir.

Ouvi uma risada abafada vindo do meu lado esquerdo, o som vinha de um guarda do castelo, mesmo com o capacete eu consegui ver o seu sorriso zombeteiro.

- Eu também não gosto desses aí. - Ele disse se aproximando.

- Acredito que você deveria estar fazendo o seu trabalho e não rindo das pessoas, senhor...?

- Suguro Geto. A princesa parece não ter papas na língua, tome cuidado com isso em um lugar como esse. - Ignorei a segunda parte.

- Não sou uma princesa.

- Está vestida como uma.

- Você também está vestido como um guarda mas não age como um. - Ele pareceu surpreso por um instante e riu mais uma vez.

- Touché. - Ele pegou um dos doces da mesa e colocou rapidamente na boca. - Acho que ser a escolta pessoal do príncipe me faz ter muitos privilégios. - Escolta? Então quer dizer que o príncipe está por perto, preciso sair daqui, eu não quero falar com ele.

Mantive a expressão neutra.

- E não deveria estar com vossa alteza ao invés de estar rindo das pessoas? - Olhei ao redor ainda na procura dos meus irmãos.

- Parece que te ofendi, peço perdão, Senhorita Floyd. - Sua voz não carregava arrependimento algum. Ignorei e continuei a olhar pelo salão. - Está procurando por vossa alteza?

Ri com escárnio.

- É claro que não. Estou procurando meus irmãos.

O guarda ao meu lado pareceu um tanto confuso.

- Que estranho. - Ele pegou mais um doce.

- Estranho por quê?

- As três pretendentes estão claramente seguindo o príncipe. - Desta vez ele levantou seu capacete e eu pude ver mais que só seus olhos e sua boca. Seu rosto era irritantemente bonito. Por ele estar perto eu consegui notar seus orbes semicerrados e suas íris negras. A família dele claramente era de fora do continente assim como a minha. Ele colocou o doce na língua me encarando com um sorriso, eu corei e fingi olhar para o outro lado do salão. - Já você, Senhorita Floyd, parece evitá-lo. - Ele colocou o capacete novamente.

- O príncipe carrega consigo os holofotes, não gosto deles. - Ele riu zombeteiramente de novo. Eu já estava começando a me irritar com o som.

- Tenho pena de você.

- Por quê? - Ele me olhou como se fosse óbvio.

- [Nome] Floyd, a filha mais nova da casa Floyd, ninguém aqui sabia de sua existência e para fechar a situação com chave de ouro, a sua entrada gloriosa que ofuscou não só as pretendentes como a família real. Senhorita, senhorita... Você será assunto nas festas e mesas de chá por semanas, até meses se duvidar. - E ele tinha razão.

Cruzei os braços e bufei cansada só de pensar no que teria que passar daqui em diante.

- É, aparentemente sim. - Pode parecer estúpido mas eu havia esquecido que para se tornar alguém importante você precisa estar nas luzes dos holofotes. Mas o fato de ter todos com seus olhos focados em mim me deixava nervosa. Balancei a minha cabeça e ignorei a sensação que começava a crescer em mim, não posso ter outra crise em meio de tantas pessoas. Recobrei minha postura e me virei para encará-lo. - O senhor saberia me dizer o paradeiro dos meus irmãos?

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