Sukuna estava na porta com sua expressão tediosa de sempre.
- Seus pertences novos, vim entregar. - É estranho pensar que ele veio até aqui por conta própria então tenho certeza que quem mandou ele trazer isso aqui é Aléxandros. Poderia ter mandado Itadori.
- Entendo. Onde estão? - Me inclinei para olhar por trás dele e não vi nada.
- Estão no primeiro andar, achou mesmo que eu iria trazer tudo aquilo no conforto do seu quarto? Você é bem iludida.
Bufei incrédula com sua atitude. Ele veio aqui para me avisar das minhas coisas e vai embora?
- Mas é muita coisa? Vai demorar muito se eu precisar trazer tudo sozinha e-
- Você é bem burra, né? É só pedir para os criados levarem pra' você. Preciso te explicar tudo? - Corei por não lembrar desse detalhe, os nobres possuem empregados que podem fazer tudo por eles.
- Certo... - Passei meus olhos pelo corredor vazio e escuro a procura de alguma alma bondosa para me ajudar.
Sukuna suspirou cansado. Ele segurou em meus ombros, me virou em direção ao meu quarto e me empurrou para dentro dele.
- Ei, ei, ei, o que pensa que está fazendo!? - Ele não me ouviu, continuou me empurrando até chegar do lado da minha cama. Me soltou e apontou para um canto da parede.
- Está vendo isso aqui? Não é de enfeite. - Havia uma corda ali. Sukuna tentava me explica o que fazer puxando o ar do lado da corda encenando o que eu deveria fazer como se eu fosse uma criança que não entende nada. - É só isso.
Demonstrei meu desgosto empurrando ele do caminho. Puxei a corda e ouvi um som de sino abafado. Logo depois ouvi passos apressados.
Sukuna se sentou no canto escuro da cama enquanto eu andei até o meio do quarto.
- Senhorita, precisa de algo? - Era Amélia, a mesma empregada que vi na biblioteca quando fui lá pela primeira vez. Ela tinha um sorriso gentil no rosto.
- Ah, e-eu, bom, é... - Eu não sabia o que dizer.
Sukuna estalou a língua e levantou assustando Amélia que não tinha visto ele ali.
- Os pertences dela chegaram agora a noite, peça aos criados te ajudarem a trazer tudo aqui.
- Sim, senhor. - Amélia se curvou em sinal de respeito e foi fazer o que foi mandado.
Eu não queria agradecer a "sútil gentileza" de Sukuna. Sou orgulhosa demais para dizer obrigado a alguém como ele. Fiquei em silêncio encarando o nada enquanto ele zombava.
- Agora você diz "obrigada". Acho que não te ensinaram isso, não é? - Não respondi, só fiz uma careta ainda olhando para o nada.
- Você pode ir agora. - Finalmente me virei para encará-lo.
- E se eu não quiser? - Sukuna foi até a minha cama, deitou, colocou as mãos atrás da cabeça e fechou os olhos. - Sua cama é mais confortável. - Ele sorria diabolicamente.
O sapato que lancei diante dele pareceu pegá-lo de surpresa. Ele levou a mão no estômago e sentou na cama.
- Tem mais de onde veio esse. O próximo será no seu nariz. - Ele olhava atordoado ainda processando a informação. - O que foi, irmãozão? Nunca jogaram um sapato em você antes? Dizem que tudo na vida tem sua primeira vez.
- É só isso que tem? Jogue mais forte, irmãzinha. - Só havia deboche em sua fala. Ele se levantou na cama e pegou um travesseiro para usar como escudo.
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White Prince.
Romansa[Nome] teve sua vida virada de cabeça para baixo ao saber que era a filha ilegítima de um dos maiores nobres do reino. Elyse, a sua irmã à qual nunca conheceu, era uma das candidatas para se casar com o príncipe herdeiro, porém acabou falecendo por...
