Minha cabeça estava a milhão enquanto caminhávamos até a biblioteca.
Uma parte de mim gritava inseguranças sobre contar ao Itadori sobre a existência do loiro, já a outra dizia que eu deveria confiar mais nele, afinal, meu irmão prometeu. Mas quanto mais pessoas sabem de um segredo, mais ele fica propenso a ser descoberto.
— Onde estamos indo? — Meu irmão ansioso assim como eu me questionava.
— Na biblioteca. — Falei simples e dispensando mais perguntas.
Quando avistei as grandes portas da biblioteca outra onda de inseguranças me atingiu. Apenas respirei fundo e olhei para meu irmão por cima do ombro. Senti tudo aquilo desmoronar quando ele me ofereceu um dos seus sorrisos mais puros e gentis. Eu precisava confiar nele.
Assim que meus dedos tocaram a maçaneta gelada uma onda de coragem tomou a dianteira da situação. Olhei para a bandeja com comida na minha mão esquerda, de repente preocupada se Kento gostaria dos alimentos presentes ali.
— [Nome]? — A voz do meu irmão me assustou. — Está tudo bem? — Balancei a cabeça e sorri fraco.
— Estou sim. — Ele franziu o cenho.
Abri uma das portas sem esforço. Caminhei para dentro da biblioteca, Itadori a três passos atrás de mim. Coloquei a bandeja com comida em cima de uma das mesas e ele fez o mesmo com o cálice e o vinho.
Ele se concentrou em arrumar a refeição para ser consumida. Quando eu ia pedir para que deixasse aquilo de lado ouvi sons de passos atrás de nós. O desespero começou a controlar meus nervos.
— Finalmente, odeio esperar. — Senti o medo e surpresa do gêmeo mais novo.
— Quem é você e como entrou aqui? — Itadori se pôs na minha frente de imediato. Sua voz estava séria e perigosa, assim como a de nosso irmão mais velho.
— Enlouqueceu de vez, Sukuna? — O loiro arqueou as sobrancelhas como se zombasse dele.
Meus olhos arregalados atraíram a atenção do loiro e neguei freneticamente com a cabeça. Ele rapidamente entendeu a situação e olhou para o mais novo com o corpo tensionado. Não lembro de ter mencionado para ele que o Sukuna e o Itadori eram gêmeos.
— Está tudo bem, Itadori. — Segurei seu ombro tentando virá-lo na minha direção mas ele nem se moveu.
— "Está tudo bem"? Você enlouqueceu, [Nome]? Era por isso que estava tão apreensiva? Porque trouxe um estranho para dentro da nossa casa? — Sua voz me repreendia ao mesmo tempo que me surpreendia. Itadori estava bravo comigo pela primeira vez.
— Me deixa explicar. — Tentei sair de trás das suas costas mas ele estendeu o braço para me impedir. — Nanami se movimentou no lugar, atraindo os olhos de águia do mais novo.
— Não ouse se mexer. — A mensagem era para Kento e eu.
Eu estava surpresa com o rumo da situação. Esperava que ele se escondesse atrás de mim ou tentasse fugir gritando o nome dos sentinelas para virem nos ajudar. Mas estava completamente enganada. Itadori não só assumiu o controle da situação, como se pôs na minha frente para me proteger. Com isso posso concluir que não sei nem da metade das capacidades do meu irmão.
Mas independente, eu precisava contornar isso e agir de forma cautelosa para evitar uma luta. Sukuna mencionou uma vez que Itadori sempre gostou de andar com uma adaga que ganhou de presente do nosso pai, seja para cortar frutas ou para se proteger caso precisasse.
Avancei novamente, me desvencilhando de seu braço e parando no meio dos dois.
— Já chega. Se continuar com essa atitude não poderei esclarecer a situação. — Olhei no fundo dos olhos dele e ele fez o mesmo. — Abaixe a guarda. — Tentei fazer com que minha voz saísse a mais delicada possível. — Por favor.
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White Prince.
Romance[Nome] teve sua vida virada de cabeça para baixo ao saber que era a filha ilegítima de um dos maiores nobres do reino. Elyse, a sua irmã à qual nunca conheceu, era uma das candidatas para se casar com o príncipe herdeiro, porém acabou falecendo por...
