Correr por minha vida é uma situação monótona que não desejo a ninguém, o constante medo da morte assombrou meus pensamentos mais vezes do que eu gostaria. Meus pulmões ardiam e meus joelhos reclamavam, a adrenalina mascarava a dor quando algum galho rasgava a minha pele enquanto eu fugia dos meus perseguidores em meio a floresta. Ao fundo meus ouvidos captavam o som de gritos furiosos e cães latindo, eles estavam cada vez mais próximos de mim e isso não era nada bom.
Entrar em uma floresta desconhecida não é uma coisa muito esperta de se fazer mas no momento é a minha única chance de sobrevivência, preciso despistar essas pessoas.
Assim que julguei estar suficientemente segura usei uma das minhas últimas forças para subir em uma árvore. Me sentei em um galho grande e alto enquanto recuperava meu fôlego, coloquei a mão na boca para abafar o som da respiração ofegante.
Com sorte a folhagem densa da árvore esconderia meu cheiro dos cães e minha silhueta dos homens, caso contrário meus minutos estariam contados.
Enquanto minha respiração se estabilizada os meus cortes nos braços e rosto começavam a arder, se eu sobrevivesse futuramente teria cicatrizes para me lembrar do terror que passei durante esse dia.
Segurei minha respiração e me mantive quieta quando ouvi os passos abaixo de mim. Voltei a sentir meu coração pulsando nas orelhas, o medo de ser pega e morta fez meus olhos marejarem.
- Os cachorros encontraram algum rastro dela?
- Ainda não, senhor, vamos rondar o local mais um pouco. - O homem riu. - Aquela maga maltrapilha não iria aguentar correr para muito longe, ela certamente se escondeu em algum lugar.
- Isso é óbvio. Tragam a garota viva ou morta, o rei não liga. - Me assustei com o grito vociferando ordens de uns dos homens e quase derrubei um pequeno galho que estava no tronco onde sentei. Me permiti puxar e soltar o ar livremente assim que tive certeza que eles estavam distantes o suficiente para não ouvir minha respiração e nem as batidas do meu coração.
Não posso ficar aqui até eles irem embora, seria estúpido já que eles não desistem até nós matar. Terei que esperar até o momento certo e discretamente correr para a direção oposta.
Puxei minhas pernas para perto do peito e coloquei minha cabeça em volta delas. Estou com sono, fome e frio, daqui algumas horas vai anoitecer e minhas chances de sobreviver vão acabar. Se eles não me acharem algum predador noturno e faminto vai.
Não sei dizer quanto tempo passou mas com certeza foram longas horas já que o sol estava quase partindo.
Respirei fundo e juntei toda a minha coragem, preciso correr agora. Lentamente levei a minha cabeça até a beira do galho e olhei para o chão.
Parei de respirar como se isso deixasse meus instintos mais precisos e procurei qualquer sinal ou som dos meus perseguidores.
Após verificar para ter certeza que era seguro eu soltei um suspiro aliviado. Cuidadosamente desci da árvore e olhei em volta. Comecei a correr para fora da floresta desconhecida, se eu tiver sorte conseguirei encontrar um abrigo antes do sol abandonar seu posto.
Eu estava na saída da floresta quando trombei em algo e cai no chão. Atordoada e assustada ao mesmo tempo olhei para cima na tentativa de identificar o que me parou tão bruscamente. Terror tomou conta dos meus músculos quando vi um dos cavaleiros do rei Silverfin sorrindo de maneira doentia na minha direção.
- Pobre garotinha, parece que você caiu em um truque óbvio. - Ele chutou meu rosto me deixando desnorteada e com um movimento rápido me levantou pelo cabelo, senti uma dor aguda no meu coro cabeludo. Recuperei meus sentidos a tempo para ver que o homem levar a mão até o bolso e tirar um apito para avisar os outros que me encontrou.
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White Prince.
Romance[Nome] teve sua vida virada de cabeça para baixo ao saber que era a filha ilegítima de um dos maiores nobres do reino. Elyse, a sua irmã à qual nunca conheceu, era uma das candidatas para se casar com o príncipe herdeiro, porém acabou falecendo por...
