Sukuna.
Tudo parecia estar acontecendo em câmera lenta. Eu olhava assustado nos olhos do meu pai, o medo que eu via neles me deixava ainda mais desnorteado. Virei o corpo dele para lado para que não se engasgasse com o sangue e gritei com o criado que nos olhava paralisado.
— O QUE ESTÁ FAZENDO PARADO AÍ!? FAÇA ALGO DE ÚTIL E CHAME O DOUTOR OTTO! — O jovem concordou freneticamente e correu dali. — Pai, seja forte, seja forte. — Ele ainda estava tossindo sangue. — Céus, por favor.
Itadori segurava as mãos dele enquanto gritava para trazerem algo que ajudasse naquela crise. [Nome] correu pela porta aos prantos. Itadori e eu chamamos seu nome em meio ao caos mas ela continuava a correr para sabe se lá onde.
— Vou atrás dela. — Ele fungou. — Cuide bem dele. — Concordei atônito. Antes de ir ele apertou as mãos do nosso pai e correu atrás da [Nome].
Olhei para baixo e vi que ele já havia parado de tossir. Balancei seu corpo algumas vezes para que ele abrisse os olhos, estava inconsciente. Entrei em pânico e coloquei dois dedos nas artérias carótidas, os batimentos estavam fracos demais.
Isabel apareceu do meu lado com algumas toalhas úmidas. Olhei em seu rosto e foi a primeira vez que vi emoção neles, ela estava assustada.
— Preciso tirá-lo do chão, me guie até o quarto de hospedes mais próximo. — Ela acenou desesperadamente e começou a correr. Levantei o corpo do meu pai em meus braços e corri pelo mesmo caminho que Isabel. Ela abriu uma das portas para que eu entrasse e assim fiz. Delicadamente coloquei ele sobre a cama e peguei uma das toalhas nas mãos dela para limpar o rosto dele. — Fique na porta de entrada esperando o doutor Otto e traga ele aqui assim que chegar.
— Sim, senhor. — Ouvi os passos apressados dela e o som da porta se fechando.
Passei a toalha pela linha de sangue no canto da boca dele para limpar. A gola da roupa estava encharcada com o líquido vermelho, aquilo estava me causando náusea então olhei para a janela. O único som no quarto era meu coração pulsando feito louco, engoli em seco e voltei a olhar para o rosto cansado dele. Senti meus lábios tremerem mas me recusava a chorar, balancei a cabeça e foquei em outra coisa.
Eu deveria ter pedido para trazerem novas roupas.
Pensei em levantar e ir em busca de alguém mas meu corpo se recusava a sair de perto dele. Comecei a desabotoar sua camisa e delicadamente a tirei para não machucá-lo. Continuei limpando sua pele até não ter resquício de sangue e joguei um cobertor fino em cima dele.
Nada explicava aquele episódio. Vaguei pelos meus poucos conhecimentos em medicina e não obtive resultado. Mas já tinha visto alguém assim antes e me recusava a acreditar que ele teria esse mesmo destino.
— Me desculpa. — Minha voz tremeu. — Eu não deveria ter dito aquelas coisas, não deveria ter dito que nunca te vi como um pai. — Apertei os olhos. Me sentia um merda. Por conta do orgulho deixei alguém importante magoado e esperei uma situação assim para me desculpar. — Espero que não seja tarde demais pra isso, pai. — Peguei sua mão e beijei seus dedos calejados.
Ouvi uma movimentação do lado de fora e me recompus rapidamente. As portas foram abertas e Isabel entrou junto com o médico da família.
— Ele se engasgou com o sangue? Está respirando? — Otto correu para perto da cama com sua maleta, abrindo-a.
Balancei a cabeça em negação e me afastei para não atrapalhar. Observei Otto examiná-lo minuciosamente. Respondi todas as suas perguntas sobre o estado do meu pai e o que ele fez antes da crise. Poupei os detalhes que ele não precisava saber.
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White Prince.
Romance[Nome] teve sua vida virada de cabeça para baixo ao saber que era a filha ilegítima de um dos maiores nobres do reino. Elyse, a sua irmã à qual nunca conheceu, era uma das candidatas para se casar com o príncipe herdeiro, porém acabou falecendo por...
