Capítulo vinte e dois.

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Sukuna.

Nanami esperava minha reação pacientemente, enquanto eu aguardava ele rir e dizer que aquilo não passava de uma brincadeira sem graça. Ele retraiu o corpo quando eu voei na sua direção e agarrei o colarinho da roupa dele. As mãos do mago seguraram as minhas enquanto eu encarava o fundo dos seus olhos.

— De que merda você está falando? — Balancei seu colarinho exigindo respostas. — Comece a falar.

Kento levantou o queixo, parecia estar bastante irritado com minha atitude mas se conteve. Ele apertou meu pulso e eu soltei seu traje, mas ainda estava próximo dele.

— Os magos são separados de acordo com suas habilidades. — Ele ajeitou o colarinho. — Elementais, curandeiros, animalescos e os que tem a habilidade de aplicarem maldições. — Senti meu pulso disparar.

— Um mago fez isso com meu pai? — Questionei já sabendo da resposta. Kento não disse que sim, ou não.

— As antigas comunidades magas acreditavam que demônios corromperam os humanos, fazendo-os mudarem geneticamente e desenvolvendo habilidades do mal. — Passei a mão pelo rosto e ri sarcástico.

— Demônios? Sério? — Kento negou com a cabeça.

— Só estou dizendo uma possibilidade. Magos de maldições são criaturas corrompidas. — Olhei para a janela, ainda recusando a acreditar naquilo. — Sua irmã pode arrancar um portão com a força do vento, existe três dragões morando na sua casa e você ainda me diz que não acredita na existência de demônios? — Sua voz ficou mais alta e encarei seu rosto com raiva. — Não sei dizer se é extremamente idiota ou só mais um ignorante.

Acertei o soco mais forte que consegui na sua bochecha esquerda. O loiro balançou para trás, ele tocou o local que começava a avermelhar e a inchar enquanto me encarava furioso. Não deixei me abalar e o desafiei com o olhar. Nanami parecia estar em um conflito interno, seu peito subia e descia rapidamente. Por fim, ele balançou a cabeça e passou por mim.

— Não esqueça dos dragões, vamos colocá-los na parte restrita da mansão depois que todos estiverem dormindo. — Sua voz estava levemente alterada. Olhei para suas costas e entortei o nariz.

— Isabel. — Usei um tom mais alto para que eu ela ouvisse. Isabel entrou e olhou para a bochecha inchada do loiro. — Arranje um quarto e leve ele até lá. Também disponibilize curativos e roupas novas. — Kento passou por ela em silêncio. Isabel balançou a cabeça e se curvou antes de sair.

Respirei fundo e me sentei na cadeira ao lado da cama. Olhei para o rosto adormecido do meu pai enquanto me afundava em meus pensamentos.

Se ele foi amaldiçoado e tem os mesmos sintomas da "doença" da Elyse significa que minha irmã foi morta por algum mago maldito? O que posso fazer para reverter a situação? Droga, por que eu soquei a cara daquele idiota? Preciso dele para entender essa situação com mais clareza.

Bom, de uma coisa eu sei, ele foi amaldiçoado. Preciso descobrir quem foi o desgraçado e acabar com ele, aí quem sabe essa maldição não acaba? Mas como caralhos eu vou descobrir isso?

Gemi em frustração e afundei minha cabeça entre os joelhos. A ansiedade fazia meus pés baterem sem parar no chão. Eu sentia os minutos passando e passando. Minhas costas começaram a reclamar da posição desconfortável e eu levantei. Me aproximei da cama meio hesitante e passei a mão pela testa do meu pai.

— Eu vou cuidar de tudo, pai. — Sussurrei, quase que para mim mesmo.

Sai do quarto e trombei com a criada baixinha e rechonchuda de antes. Ela carregava uma bandeja com chá e duas xícaras. Levantei a sobrancelha para questionar silenciosamente.

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