O dia do julgamento chegou e eu estava preparada para agir. Os últimos dias me deram clareza para enxergar toda aquela situação de um ponto de vista diferente e com a ajuda da minha amiga e da minha esposa eu estava pronta para pôr um ponto final na chantagem da Tina.
- Com a palavra a excelentíssima juíza, Doutora Lauren Jauregui. - de posse dos meus poderes legais iniciei a sessão.
- Estamos aqui hoje para definir o divórcio litigioso entre o senhor Joseph Ross e a senhora Christina Nunez. Com a palavra os advogados.
O advogado da minha ex explanou suas colocações em relação aos interesses de sua cliente, sendo procedido pelos advogados do réu, que apresentaram algumas evidências da sobriedade do seu cliente. Os advogados do senhor Ross também apresentaram algumas alegações que, pela reação da Tina, desarticulavam toda sua abordagem.
- É mentira. - gritou Tina em direção ao seu marido - Você está tentando manchar a minha imagem...
- Silêncio, Sra. Nunez, terá seu momento de falar, mas agora a palavra está com a outra parte. - eu a interrompi e devolvi a palavra ao advogado do senhor Ross.
- Meu cliente possui fotos que provam que sua esposa não cumpriu com sua promessa de ser leal ao seu marido. - o advogado estendeu a mão me entregando algumas fotografias, que pude analisar rapidamente.
- Sra. Nunez, o que tem a dizer sobre tais evidências? - a indaguei.
Tina mantinha uma expressão de surpresa, ela realmente havia sido surpreendida, e foi possível ver as engrenagens trabalhando para elaborar uma desculpa plausível.
- Essas fotos são montagens, Excelência. Eu jamais mantive uma relação extraconjungal. - defendeu-se.
- Excelência, eu gostaria de chamar aqui um perito que pudesse analisar as fotos e nos dizer se as imagens são reais ou montagens, como alega a Sra Nunez. - solicitou o advogado da outra parte.
- Se a testemunha estiver aqui mande-a entrar, por favor. - autorizei.
Um homem de cabelos grisalhos, vestindo um terno azul com riscos quadriculados e com cotoveleiras camurças entrou e sentou-se no banco de testemunhas.
- Senhor, diga o seu nome e sua profissão, por favor!
- Meu nome é George Gail, sou Perito Forense Digital, analiso crimes cibernéticos e manipulação de imagens.
- Muito bem, por favor senhor advogado, pode conduzir o interrogatório da sua testemunha. - deleguei.
A audiência transcorreu durante quase 3 horas, tivemos um intervalo de uma hora para o almoço. O trabalho era exaustivo, todos no recinto já mostravam-se cansados. Apenas Tina mantinha uma expressão imperturbável, nada do que fora dito ali parecia fazer-lhe perder a confiança. Mas depois de ouvir os dois lados e analisar as evidências apresentadas eu estava pronta para ditar o veredito.
- Depois de ouvir os argumentos e analisar o material apresentado por ambos os lados, quero dizer que este tribunal deliberou e concluiu que a Sra Christina Nunez não receberá nada além do que lhe já era seu por direito antes do casamento, visto que os agora divorciados casaram em separação total de bens. - bati o martelo encerrando a audiência, mas antes de me retirar pude olhar nos olhos da chantagista da Tina.
Ela parecia ainda não entender que havia perdido a causa. Mas antes que eu passasse pela porta pude ler os seus lábios que sussurram "Você me paga".
Voltei para meu escritório, Dona Rosa atendia alguém no telefone, mas pediu um segundo para poder me informar sobre a visita que me aguardava em meu escritório.
Entrei na sala e encontrei a monha amiga, Verônica. Ela me olhou com uma indagação estampada em sua testa, ela estava ansiosa para saber o resultado do processo.
- E aí? Como foi?
- Acabou. Tina perdeu.
- Sério? E como ela reagiu?
- Me ameaçou, mas eu não dei importância.
- O que pretende fazer agora?
- Uma coisa eu aprendi nesta profissão, prezada amiga. Não há verdades que não se revele um dia. Se por acaso a Tina resolver cumprir com suas ameaças, ela terá uma grande surpresa. - garanti.
- Nossa, você me deixou curiosa. O que vai fazer a respeito?
Antes que eu pudesse responder à minha amiga, a porta do meu escritório foi aberta de maneira raivosa, sendo ultrapassada pela mulher de quem falávamos. Ela veio andando em minha direção, a minha secretária logo atrás com um olhar assustado, sinalizava que não foi capaz de impedir a entrada da outra mulher. Eu apenas assenti para dona Rosa, que se retirou da sala.
- Você me paga, Lauren! - cuspiu Tina em minha direção.
- Eu não podia fazer nada, Tina. A sua causa não havia chance de vitória, você era casada em separação de bens. Não há precedentes na história dos tribunais desse país que embasasse uma decisão diferente da que eu tomei.
- Foda-se o precedente. Você não levou a sério o que eu disse sobre o que poderia lhe acontecer caso não deliberasse a meu favor. Eu vim até aqui só para garantir que você soubesse que vou cumprir com todas as promessas que eu te fiz.
Verônica ficou calada apenas observando a conversa entre mim e a Tina. Enquanto a mulher ainda cuspia suas ameaças, três seguranças do tribunal entraram em minha sala acompanhados da minha secretária e seguraram os braços da Tina para a conduzir para fora. Mas, antes de levarem ela eu me aproximei para proferir as minhas últimas palavras.
- Faça o que tiver que fazer, Tina. Mas saiba que ameaças a um magistrado é crime de desacato passível de até dois anos de reclusão. - olhei para os seguranças e confirmei com a cabeça, dando as costas e voltando para a minha mesa- Tirem ela daqui.
Os seguranças assim fizeram. Eu sentei em minha poltrona e massageei minhas têmporas, toda aquele dia estava sugando minhas energias. Verônica continuou ali calada por mais um tempo.
- Laur, o que você vai fazer se essa mulher cumprir com as ameaças?
- Ela não terá sucesso. Não se preocupe com isso.
- O que? Como assim?
- Nos últimos dias eu andei fazendo umas pesquisas e descobri que as imagens que a Tina e a Yasmin acham que tem e que podem usar contra mim não passam de meras imagens. Além disso, eu autorizei, a pedido dos advogados do ex marido dela, que grampeassem os telefones delas e obtive a gravação de algumas dessas ligações onde elas falavam sobre as imagens fraudulentas. Se ela tentar qualquer coisa contra mim, vou mandar prende-la por desacato e processa-la por calúnia, injúria e difamação. - conclui e relaxei na cadeira.
Verônica sorriu para mim orgulhosa e respirou fundo.
- E agora, o que vai fazer? Ainda tem serviço para hoje? - minha amiga me perguntou.
- Não, eu estou livre. Mas eu quero ir para casa, quero chegar mais cedo e fazer uma surpresa para Camz e para a Lisa.
- Ok! - ergueu as mãos em sinal de rendição - Neste caso, vou para minha casa também.
- A gente marca outro dia para tomar um drink.
- Combinado! - Vero levantou-se - Vamos juntas para o estacionamento?
Eu concordei e a segui, antes de sair liberei a dona Rosa mais cedo também. Dirigi pela cidade à procura de presentes para Camila e Lisa, passei no mercado e comprei alguns ingredientes para fazer um jantar para elas e fui para casa. Eu estava feliz, me sentia leve como não me sentia a muito tempo.
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Remember Love (Gay Panic Part 2)
FanfictionApós idas e vindas de Camila e Lauren, agora elas estão juntas. Mas um novo obstáculo ameaça a relação das duas. O amor delas será capaz de resistir a mais essa ameaça?
