Tudo acaba em um Baile

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A luz fluorescente do vestiário era fria e incômoda, contrastando com o calor que parecia emanar da queimadura na mão de Rachel

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A luz fluorescente do vestiário era fria e incômoda, contrastando com o calor que parecia emanar da queimadura na mão de Rachel. Ela remexia em um kit de primeiros socorros, tentando disfarçar o desconforto com um sorriso.

— Tem certeza que não quer ir ao hospital? — perguntei, notando a vermelhidão evidente em sua pele.

— Foi uma queimadura leve. Um pouco de pomada e ficarei ótima. — Rachel respondeu, como se estivesse tentando me convencer mais do que a si mesma.

Seu tom era tranquilo, mas o jeito como segurava a mão ferida traía a dor que não queria admitir. Peguei o tubo de pomada de sua mão antes que ela pudesse argumentar e apontei para a cadeira mais próxima.

— Senta aí, por favor.

Ela obedeceu, talvez cansada demais para discutir. Me agachei à sua frente, segurando sua mão com cuidado, evitando tocar na área machucada.

— Eu mesma posso fazer isso, Thomas. — A voz dela era firme, mas ignorei. Comecei a aplicar a pomada com a ponta do dedo indicador, concentrado em cada movimento.

— Ai! — Rachel exclamou quando, sem querer, toquei em um ponto mais sensível.

— Desculpa. Acho que não sou bom nisso. — Assoprei instintivamente o local, tentando aliviar a dor. Quando percebi minha falta de habilidade, entreguei o tubo de volta a ela. — Melhor você terminar.

— Fez um ótimo trabalho até aqui. — Ela sorriu, aquele tipo de sorriso que, por um instante, me fez esquecer o quanto era difícil entendê-la.

Ficamos nos encarando. Por um segundo a mais. Longo demais. Eu desviei o olhar e me levantei, limpando as mãos na calça sem necessidade.

— Como está a mão? — A voz de Kenon quebrou o silêncio, invadindo o espaço com sua naturalidade desajeitada.

— Novinha em folha. — Rachel respondeu, erguendo a mão enfaixada.

Kenon sorriu, aliviado, mas seus olhos logo se voltaram para mim.

— Seus amigos ainda estão lá fora. — Ele me lembrou, como se fosse possível esquecer.

Respirei fundo. A ideia de encarar Gasphar, Victor e Noelle naquele momento me dava a sensação de engolir um espinho. Mas sabia que não poderia adiar.

Caminhei até a mesa onde eles estavam, e Gasphar foi o primeiro a abrir a boca, como esperado.

— Conseguiu um emprego e não nos contou, Thomas? — brincou, apontando para o avental que eu ainda usava.

— Estávamos ajudando Rachel com umas caixas. — Respondi, sem energia para prolongar o assunto.

— E quem são seus novos amigos? Não vai me apresentar? — Noelle perguntou, sempre tão animada que chegava a ser desconcertante.

Não me de FloresHistórias para pegar e não largar. Descubra agora