Agradecimentos Submersos

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Não estava com paciência para voltar às aulas

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Não estava com paciência para voltar às aulas. O que eu realmente queria era um tempo para mim, algo que me fizesse desviar a mente das coisas  ruins da vida, tipo... minha falta de emprego, mas não podia escapar. Então peguei uns jornais na biblioteca — e por mais que fosse uma escola, esses jornais sempre são do dia. Vai entender! — e decidi dar uma olhada nos classificados. Subi até o terraço, aquele lugar tranquilo acima do campus de esportes, e me sentei no chão. O cenário era perfeito para me distrair um pouco e dar uma chance a qualquer emprego que surgisse.

Acontece que meu momento de paz foi interrompido logo quando Thomas apareceu ao meu lado, se sentando de forma meio esquisita, em posição de lótus, com os olhos fixos no jornal.

— Acho pouco provável que te contratem como entregadora de móveis. — Ele disse de repente, como quem não quer nada, fazendo uma observação do que circulei que soou mais como uma piada do que qualquer coisa.

Eu dei uma risada fraca, tentando não ficar desconcertada, e então me endireitei, tentando parecer mais séria do que realmente estava.

— Só estou considerando todas as opções... — falei, meio sem graça. — Mas o que você faz aqui? — perguntei, curiosa, já que não esperava ver Thomas por ali.

Ele levantou os olhos para mim, com uma expressão bem tranquila.

— Eu estava na biblioteca quando te vi passar com os jornais e fiquei curioso. — Ele respondeu com aquele jeitinho dele, que não me deixava escolha a não ser sorrir.

Eu sorri, não pude evitar. Algo em Thomas fazia as coisas ficarem mais leves, e o jeito que ele falava era... bem, tranquilizador.

A conversa seguiu e ele continuou apontando para os anúncios no jornal. Em um deles, ele sugeriu:

— E esse aqui de babá? Você é boa fazendo doces, protetora e atenciosa... Acho que se sairia bem cuidando de crianças. — Ele falou com aquele tom sério, mas com um brilho no olhar que quase me fez rir da situação. Só aí percebi que estava encarando ele sem parar, meio boba.

Desviei o olhar rápido, com as bochechas esquentando. Estava até me sentindo um pouco idiota.

— O horário não é viável por causa da escola e... — Fui respondendo, mais para mim mesma do que para ele, enquanto analisava o anúncio com mais atenção do que realmente precisava. — Não posso deixar minha mãe e meu irmão sozinhos por muito tempo... — Completei, tentando justificar e também preencher o silencio.

Ele ficou em silêncio, como se pensasse por um momento, até que de repente fez uma proposta, sem nem piscar.

— Então, talvez você possa trabalhar de babá para minha família. — Ele disse calmamente, como se estivesse falando de qualquer coisa casual.

Eu parei por um segundo, surpresa. 

— Você tem irmãos pequenos? — Perguntei, me inclinando para saber mais. Eu estava, de fato, interessada no trabalho, mas também em saber mais sobre ele.

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