Mais de 10 coisas, que eu odeio em você

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Estava desesperado

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Estava desesperado. Meu estômago dava voltas enquanto eu tentava explicar à polícia o que havia acontecido, mas toda vez que mencionava o sobrenome Tsukasa, as ligações pareciam cair em um abismo de silêncio ou desculpas.

— Antes de 24 horas, não podemos declarar desaparecimento, especialmente considerando sua... confusão sobre os fatos. — Disse o último policial ao qual recorri, um homem rechonchudo que mal olhou para mim antes de me dispensar da delegacia.

Era inútil. A lei parecia não se aplicar a gente rica.

Minha última esperança era ir à casa de Rachel. Talvez ela tivesse voltado sem que ninguém soubesse. Assim que entrei, Dona Anita veio ao meu encontro, o rosto iluminado por uma esperança frágil.

— Kenon, que bom que você veio. Rachel está com você? — perguntou, lançando olhares rápidos para a porta ainda aberta atrás de mim.

Engoli seco. Como dizer a uma mãe que sua filha foi sequestrada?

— Não. — Minha voz saiu embargada, quase inaudível.

O olhar dela vacilou por um momento, mas ela rapidamente continuou:

— Onde será que essa menina se meteu? O chefe dela me ligou dizendo que ela não foi trabalhar, e o celular dela só dá caixa postal. Já anoiteceu.

Não tinha escolha. Inspirei fundo, tentando manter a calma.

— Eu não sei como te dizer isso, mas... a Rachel foi sequestrada.

Antes que pudesse explicar, ela olhou pela janela e sua expressão mudou.

— Ela chegou!

Me aproximei rápido, seguindo seu olhar. Lá estava Rachel, saindo de um carro luxuoso. Ela acenava para o motorista com uma casualidade que me deixou atordoado.

Saí correndo e a alcancei antes que chegasse ao meio do quintal. Sem pensar, a abracei.

— Graças a Deus você está bem! Não te machucaram, não é? — Minhas palavras saíram atropeladas enquanto a segurava pelos ombros, examinando-a como se ela pudesse desaparecer de novo.

— Eu estou bem, não precisa se preocupar. — respondeu, calma, mas havia algo em seus olhos... uma sombra que ela tentou esconder.

Dona Anita se aproximou, preocupada.

— Onde esteve, filha? Te liguei tantas vezes! E que história é essa de sequestro?

Rachel hesitou por um segundo, antes de responder:

— Ah, foi só um trote de colégio, mãe. Não precisa se preocupar.

Ela nos guiou para dentro, mudando de assunto com maestria enquanto tranquilizava a mãe com toques gentis. Mesmo assim, eu não conseguia tirar os olhos dela. Algo estava errado.

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