Rachel Petrelli é uma garota de família pobre que apesar das dificuldades financeiras, consegue ser admitida em um colégio de alto padrão para estudar com seu melhor amigo Kenon Thompson.
No colégio Makenzie , os alunos são riquíssimos e adoram os...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
A manhã começou como qualquer outra, mas eu sabia que hoje seria diferente. Tentei me preparar mentalmente, mesmo que, no fundo, o medo e a vergonha ainda me corroessem. Depois do que aconteceu ontem, não sabia como enfrentaria as coisas. Passei o trajeto até o colégio ensaiando o que dizer, como agir, mas tudo sumiu da minha cabeça assim que vi os portões.
Meus pés hesitaram, e ali fiquei, olhando para o pátio. Victor e seus amigos estavam lá, rindo como se nada no mundo pudesse tocá-los. Meu estômago revirou, mas antes que pudesse recuar, ouvi uma voz familiar.
— Me esperando?
Rachel apareceu ao meu lado tão abruptamente que quase pulei de susto. Claro que ela reparou e riu.
— Na verdade, estava... me preparando físico e psicologicamente para entrar — confessei. Não fazia sentido tentar esconder. Ela sabia.
Rachel sorriu daquele jeito que sempre me fazia sentir um pouco mais seguro.
— Não se preocupe, hoje não vou tirar os olhos de você. E se algum riquinho se meter a besta, vou te proteger e quebrar os dentes dele. — Ela ergueu os punhos, fingindo lutar boxe.
Eu ri, mesmo que soubesse que ela falava sério. Rachel era assim. Sempre praguejando e prometendo socos, mas só porque queria proteger quem ela se importava.
— Sempre protege.
Ela colocou o braço ao redor dos meus ombros e me puxou para dentro, como se fosse tão simples enfrentar tudo que vinha pela frente. Queria acreditar nisso. Queria ser tão forte quanto ela.
Victor nos viu passar. Senti seu olhar perfurando minhas costas, mas Rachel não se intimidou. Mandou uma careta e seguiu em frente, me puxando com a mesma determinação de sempre.
Quando chegamos aos nossos armários, encontrei exatamente o que temia: pichações por toda parte. Palavras como "covarde", "inútil", "magrelo" e outras coisas piores estavam espalhadas. Meu peito apertou. Não era só tinta. Era a verdade que eu já sabia sobre mim, estampada para que todos vissem.
— Olha só isso: "inutiu" com "u". — Rachel apontou e começou a rir. — Devíamos nos sentir honrados. Estamos sendo insultados por gênios do português!
Eu ri, mesmo sem vontade. Rachel sempre tinha essa habilidade de tentar tornar as coisas menos pesadas, mas eu sabia que ela também estava furiosa. Só não deixava transparecer.
A manhã passou com menos incidentes do que esperava. Rachel ficou ao meu lado o tempo todo, mas percebi que ela estava inquieta, procurando por alguém. Finalmente, percebi quem: Thomas. Ele não veio hoje, e parecia que isso a incomodava mais do que ela admitiria.
Quando o dia terminou, ela me acompanhou até o portão. Era o jeito dela de garantir que eu estivesse seguro. Não pedi, mas ela sempre fazia. Quando me afastei, olhei para trás e a vi ainda parada na esquina, me observando com aquela expressão de quem está pronta para agir a qualquer sinal de perigo.
Acenei e continuei andando, mas, ao virar de novo, meu coração congelou. Uma van negra parou ao lado dela. Dois homens saíram rapidamente, agarrando-a antes que ela pudesse reagir.
— Rachel! — gritei, mas minha voz parecia fraca, esmagada pelo medo.
Tremendo, tentei discar para a polícia no celular, mas minhas mãos mal respondiam. O tempo parecia desacelerar, e então, como se quisesse esfregar sua vitória na minha cara, o carro de Victor saiu pelo portão. Ele abaixou o vidro e olhou diretamente para mim. O sorriso cruel que ele deu ficou gravado na minha mente.