Chances

46 7 0
                                        


Passei a manhã com Rachel no hospital

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Passei a manhã com Rachel no hospital. Meus pais não disseram nada sobre eu faltar à aula, e até ficaram com Gustavo sem questionar. Eles sabiam que, se eu estava ali, era porque Rachel precisava de mim.

No quarto, Dona Anita dormia serenamente, mas havia algo perturbador na tranquilidade daquele sono em contraste com a tensão que pairava no ar. 

Rachel tinha me explicado mais cedo que a leucemia estava causando uma anemia severa, e por isso Dona Anita estava recebendo transfusões, mas apesar de todos os esforços, as melhoras que o tratamento proporcionava não eram mais consistentes. Eu conseguia ver o peso disso nos olhos de Rachel, especialmente quando o médico apareceu para conversar com ela.

— Sua mãe esta estável e logo poderá leva-la pra casa, mas no geral o prognóstico dela não é bom, os tratamentos atuais não estão surtindo o efeito esperado — disse ele, a voz profissional, mas sombria. — Existe uma alternativa experimental que pode ajudar, mas não é coberta pelo sistema público de saúde.

Vi Rachel congelar. Sua mão foi até a parede, como se ela precisasse de algo sólido para se apoiar enquanto o chão parecia desabar sob seus pés.

— Quanto... quanto custaria?

O número que ele disse era surreal. Até eu, que não tinha noção do que era caro ou barato em tratamentos médicos, soube na hora que aquilo era completamente inviável. O rosto de Rachel ficou pálido, mas não demorou muito até que sua expressão endurecesse. Conhecendo-a, eu sabia que aquela era a máscara de determinação que ela colocava sempre que a vida a pressionava.

Nos dias que se seguiram, essa determinação virou ação. Rachel não perdeu tempo: arranjou mais um emprego, além dos dois que já tinha. De manhã, começou a trabalhar em uma loja de conveniência. À tarde, continuava na empresa de limpeza. Nos fins de semana, servia na cafeteria.E ainda aceitava turnos noturnos como garçonete quando conseguia.

Era impressionante, mas desesperador. Rachel praticamente não dormia mais. A escola já era quase uma memória distante, e mesmo assim, ela seguia firme. Para onde quer que eu olhasse, tudo o que via era o peso que ela carregava e a força absurda que usava para não desabar.

Um dia, segui Rachel até a loja de conveniência, esperando conseguir fazê-la parar nem que fosse por um segundo. Quando a vi no balcão, as olheiras fundas sob seus olhos pareciam uma confirmação física do que eu temia.

— Você não vai conseguir manter esse ritmo, Rachel — soltei, cruzando os braços. Não tinha intenção de soar tão duro, mas eu estava preocupado.

Ela nem levantou a cabeça do que fazia.

— Não tenho outra opção, preciso juntar dinheiro.

— Tem, sim. Você pode pedir ajuda. Deixe-me falar com meus pais, eles podem...

Não me de FloresHistórias para pegar e não largar. Descubra agora