64. A Vontade de Elias

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Desde o início da guerra das bruxas contra as forças aliadas compostas dos cinco grandes continentes o avanço das trevas parecia estar contido na costa do deserto ventoso, porém, a estratégia das bruxas se baseia na certeza de que seu exército é infinito, e por isso mais cedo ou mais tarde a vitória seria alcançada, mas a derradeira, essa só seria alcançada com a morte do rei de Celestian, Afrody Angel.

A arma secreta das bruxas para alcançar este objetivo era a mãe do referido rei, recém ressuscitada pela ambição das bruxas, que utilizaram para isso o último espécime conservado da lendária flor da ressurreição, a fim de reencarnar, a partir dos ossos, o corpo da antiga soberana de Celestian. Porém, o poder da planta era tamanho, que revitalizou não somente o corpo, mas a ligação nínfica sob a qual ela morreu, a conexão que ligava o organismo da mãe ao do filho.

A presença de Clérion ameaçava gravemente a vida do rei de Celestian, que sabia disso graças às análises dos representantes continentais, dentre eles sua tia Relva, na luta que tiveram com a falecida rainha na ilha do templo dos mil degraus, em Animarium.

Para as bruxas, essa informação era um trunfo valioso, mas Clérion por si só também era muito valiosa, o poder que ela possui pode acelerar drasticamente os resultados da guerra, e por isso queriam usá-la o máximo possível, antes de descartá-la, a fim de matar também seu alvo, ou seja, Afrody.

O podério da antiga soberana fez estremecer de medo todos os soldados que lutavam no deserto ventoso, mas o grito do herói arco-íris e a presença gloriosa dos guardiões elementais dispersou esse sentimento, fazendo brotar em seu lugar uma grande coragem que os dispunha a oferecer a própria vida, se fosse preciso, para colocar um fim na ganância das feiticeiras malignas.

Enquanto os soldados das forças aliadas permaneciam na costa, atacando a distância os espíritos que avançavam pelas águas e pelos céus, Clérion se defendia deles como se não manifestassem perigo algum. Mas o semblante da falecida rainha mudou quando juntamente ao brado de seu filho rugiram os cinco guardiões, as grandes feras dracônicas sustentadas pela vontade de Elias armazenada dentro do prisma ecoante, relíquia do referido irmão ancestral que agora jazia pendurado rente ao peito de Afrody.

Os guardiões então avançaram em direção aos soldados das trevas, cada um levava consigo a desgraça causada por cada um dos cinco elementos da natureza, ou seja, do fogo, ar, água, terra e raio. As chamas do guardião do fogo brilhavam tão forte que dispersavam os espíritos que por ele eram tocados, da mesma forma que com os relâmpagos do guardião do raio.

O guardião da água fez com que as correntezas marítimas puxassem os espíritos para trás, impedindo que avançassem rumo à costa, da mesma forma que fazia o guardião do ar, que com sua passagem empurrava os espíritos corrompidos para causar o mesmo efeito, enquanto que o guardião da terra deitou-se na costa de modo que formou uma grande muralha, que impedia que esses efeitos atingissem os aliados.

_ As coisas estão ficando feias por aqui. - Grita Shiffom.

_ Os guardiões vieram em nosso auxílio! Bendito seja Elias! - Diz Sibila.

_ Se permanecermos aqui poderemos dificultar as coisas para eles e até para nós, vamos recuar! - Diz Afrody em alta voz.

_ Concordo! Anões, Recuar! Aliados, Recuar! - Grita Sibila.

Até mesmo Clérion estava tendo dificuldades para resistir a tantos ataques, ela precisava conter os guardiões se quisesse seguir para o centro do continente com o exército das bruxas, mas agora tudo que podia fazer era se defender da fúria dos elementos com uma redoma telepática pouco maior que sua própria estatura corporal.

_ Não me lembro desses guardiões serem tão poderosos! Isso pode atrasar as coisas! - Diz Clérion.

A batalha realmente havia tomado grandes proporções, a presença das pessoas que compunham o exército dos aliados das nações somente prejudicaria a investida dos guardiões, que por medo de feri-los poderiam acabar por reprimir seus ataques, e por essa razão Afrody e Sibila, que eram as lideranças máximas ali presentes, resolveram por bem recuar até um local afastado da costa, até o centro do deserto, onde as tempestades de areia castigariam quem quer que os seguisse.

CelestianHistórias para pegar e não largar. Descubra agora