O meu ex-amigo ou sabe sei lá o que, não desistia de tentar se comunicar comigo. Parecia que não ia desistir até que eu o desculpasse.
Não sei se estou pronta.
O Kiba até tentou mandar recado pela Hanabi. Eu soube disso porquê eu percebi que ela tinha ficado esquisita certo dia, e perguntei o que tinha acontecido.
― O seu "amigo" me telefonou. ― Disse azeda para mim. Não entendi seu descontentamento, mas ela provavelmente não gostou do que ouviu, já que saiu de casa e só voltou no dia seguinte, com o cabelo bagunçado e com o hálito forte de quem bebeu a noite toda.
Consegui evitar ele até na semana seguinte, quando ele resolveu abrir uma conta no banco em que eu trabalhava. Disse que era coincidência, mas eu duvidava seriamente disso.
― Vamos lá Hina, eu quero investir no seu banco. Me deixa. ― Minha amiga e colega Kushina apenas olhava a cena de canto, ela fingia estar muito ocupada tomando o café velho que ofereciam para os funcionários. Eu já desisti de tentar tomar aquela coisa, é horrível, se duvidar pode até estar gelado.
― Já falei que é Hinata. Por que você não dá o fora daqui? ― Ele ia começar a falar quando eu tapei a sua boca com a minha mão. Kushina arregalou os olhos, sabemos que se alguém ver isso eu posso levar uma bronca ou até ser demitida. Que o gerente não veja isso. Se bem que ele é marido da minha amiga, então não vai ter tanto problema... eu acho.
Ele é muito irritante, não vai ter jeito.
Olhei para uma das câmeras do lugar, com certeza o Minato deve ou vai assistir isso. Me forcei a fazer carinho na bochecha do Kiba para disfarçar.
― Kiba. ― O chamei. ― Dê um beijo na minha mão agora. ― Conseguia escutar os passos apressados de Minato pelo corredor, ele está vindo. E é tão rápido quanto um raio aquele homem.
― Eu não sei não... Você foi muito malvada comigo sabia? ― Revirei os olhos. ― Está vendo moça?? Ela é muito má, cuidado com ela.― Ele começou a falar com Kushina. Bati na sua mão que estava apoiada em cima da minha mesa de atendimento. ― Aí, que isso? O que eu ganho se te dar um beijo? ― Fez uma cara maliciosa.
Esse malandro percebeu que eu estava olhando para as câmeras. Ele sabe que eu vou levar bronca do meu supervisor se ele não me ajudar.
― E-Eu te dou o meu perdão se fizer isso.― Imediatamente ele deu um beijo delicado enquanto olhava para mim. Meu coração começou a acelerar. Nesse momento apareceu Minato do meu lado.
― O que você está fazendo? ― Ele falou baixo. Mas ainda assim, ameaçador.
― Amor, eu venho te buscar depois ok? ― O que ele pensa que está fazendo?? Kiba deu outro beijo na minha mão antes de ir embora. Minato parecia estar aliviado.
― Ele é o seu namorado? ― Fui obrigada a concordar.
Esse garoto me paga!
― Então não teremos problemas não é? Pensei que você estivesse machucando algum cliente. ― E então saiu apressado dizendo estar cheio de coisas para fazer.
― Seu marido é assustador amiga. ― Cochichei para Kushina.
― Não tanto quanto eu. ― Rimos.
A história dos dois é muito bonita. Eles se conheceram quando começaram a vida adulta, ele era um jovem perdido e desorientado que havia perdido todo o seu dinheiro em uma aposta, tinha vindo do Sul do país até o Rio, e estava quebrado. Kushina já trabalhava como atendente de banco exatamente como era agora, no mesmo banco, quando saiu do expediente e encontrou Minato chorando na calçada, ele tinha acabado de olhar o quanto ele tinha de dinheiro no banco, e o saldo estava negativo. Ela então cuidou dele como um irmão, ofereceu um emprego de faxineiro no mesmo banco e como ele não tinha dinheiro ele morava com ela. Só tinha os dois na casa, e com o tempo a amizade fraternal dos dois se transformou em uma grande paixão. Ele conseguiu a vaga de gerente e pediu Kushina em casamento, uns quatro anos depois nasceu o primeiro e único filho deles. Não sei muito depois disso, só posso dizer que foi uma pena ele ter morrido em um acidente de carro.
Já estava quase na hora do meu turno acabar. Me despedi de Kushina e saí do banco, dando de cara com um homem me esperando.
― O que você está fazendo aqui? ― Falei em um tom nada amistoso.
― Eu apenas queria te dar carona, como um namorado normal faria. ― Kiba respondeu.
― Me poupe garoto. ― Comecei a caminhar até o ponto de ônibus. Ele andava ao meu lado em silêncio.
― Pensei que tivesse me perdoado. ― Permaneci em silêncio. ― Olha, eu sei que fui errado ok? Mas estou aqui para me redimir. ― Chegou um ônibus. Estava seriamente pensando em entrar quando ele falou. ― Tem uma menina baixinha perguntando por você. Ela é morena e tem olhos azuis, o nome dela é Himawari, caso você ainda não saiba. Ela tem perguntado sobre você desde aquele dia.
Meu coração se partiu em minúsculos pedaços naquele momento. Como eu poderia deixar uma menina que estava com medo? Não posso me despedir dela assim, preciso ver ela mais um vez se não, não conseguirei ficar em paz. O olhar dela aterrorizado quando fui levada por aqueles homens não saia da minha cabeça.
― Falei com o Naruto, quer dizer, com o príncipe, e ele deixou você continuar fazendo doações na região, ele disse que se você quiser pode até ter um ou dois homens da Força para te acompanhar, assim você vai estar mais segura. ― A última pessoa que me faria sentir segura seria aquelas pessoas. Ele continuou a falar. ― Se você quiser ver ela de novo, ou então ajudar aquelas pessoas, é só avisar que eu marco uma reunião com o príncipe e vocês decidem como vão se organizar. ― Por que sinto que esse príncipe quer me vigiar e controlar o que estou fazendo? Aquele lugar é um ninho de cobras! Tenho pena das crianças e dos que são vítimas desse lugar. Mas não posso evitar de pensar naquelas pessoas, e de como uma (mesmo que pequena) ajuda faria a diferença naquele lugar.
Droga! Por que eu sou assim??
― Eu vou pensar no assunto. Fale para o seu príncipe que talvez eu vá. Mas não é de certeza, então não esperem por mim. ― Kiba não parava de sorrir, acho que ele sabia a verdade.
― Eu já vou indo então. Mas antes.. Você por acaso contou para alguém o que aconteceu? Ou sobre a Força? Não falou nada para a polícia não é? ― Pensei em Hanabi, ela não falaria para ninguém, nem Sakura. Ela ficou muito chateada quando soube o que aconteceu para que fossemos libertas. Mas a Sakura não iria contar para a polícia, sabemos que nem eles conseguiriam nos salvar da Força.
― Não falei para ninguém. ― Menti.
― Tudo bem então. Tchau boneca! ― Ele deu um abraço desajeitado. O observei sumir na multidão, provavelmente pronto para voltar para aquele prédio e contar para o seu chefe as novidades.
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A Princesa Hyuuga
RomanceHinata tem uma vida tranquila e calma, mas nem sempre foi assim. Quando criança tivera uma infância repleta de traumas e escassez, por muitas vezes passara por dificuldades, já havia lhe faltado comida e roupas, mas fora salva pelas constantes doaçõ...
