Todo mundo tem a sua cara metade, a sua outra metade da laranja, e mesmo assim eu continuo solteira.
Será que eu deveria partir pra cima? Porquê ninguém chega perto de mim?
Lembro quando era uma garota e ficava ao pé da cama rezando para que o meu futuro marido não fique com ninguém antes de mim, rezei durante meses. Será que alguém faz isso comigo também? Parece a única explicação plausível. Já superei o fato de que provavelmente o meu próximo amor já vai ter estado com outras antes de mim, mas será que o meu próximo amor é tão possessivo ao ponto de não me deixar ficar com ninguém?
Se bem que eu já fiquei com alguns, então a oração dele deve estar muito fraca.
Não sei quando comecei a ficar assim, mas de repente me senti assim... carente? Não, não pode ser isso. Acho que estive tão ocupada em levar amor aos outros nesses últimos anos que esqueci de receber.
Espero que se acumula e venha como uma bomba.
Hinata! Que pensamentos são esses?
Minha outra "eu" que vive dentro de mim, e que só me dá bronca acordou. Eu não fui egoísta, pelo menos eu acho que não.
Esse assunto está martelando na minha cabeça. Deve ser porquê está todo mundo namorando. A Sakura está com um cara, acho que se chama Sasuke; a Ino também conseguiu um namorado esses dias, e até a minha irmã anda meio sumida esses dias! Ela disse que postergaram a volta as aulas e por isso está aproveitando. Ela chega toda boba em casa. Até o Kiba, que acabou se aproximando de mim esses dias (a gente começou a conversar mais depois daquele dia no banco), até ele está meio sumido, disse que está de bobeira mas fica sorrindo quando entro no assunto.
E eu estou aqui... na favela.
De novo.
Pelo menos eu vou poder me encontrar com a menininha. Ela se chama Himawari se eu não me engano, é um nome bonito. Se eu não estiver nada para fazer depois da doação eu posso me encontrar com ela.
Hoje o meu trabalho será com os mais de idade, os mais velhos. Tem uma ONG que eu gosto muito, o nome dessa instituição é bem engraçado, o nome é "Da folha", e eles lidam com todo tipo de situação, então acabo recorrendo mais a eles, eu faço muitos trabalhos com a doação que eles recebem das pessoas, é bem legal porquê eu não tenho muito dinheiro aí eu posso só ir lá pegar os recursos e vir aqui no ponto em que combinei com o Naruto de fazer as doações e pronto! Sou bem próxima de uma das chefes da instituição, o nome dela é Tsunade, ela organiza a maior parte da ONG, faz isso porque o avô dela, o Hashirama, fundou a ONG.
Eu ficaria muito feliz se eu tivesse filhos ou netos e eles fizessem o que eu faço. Acho que eu iria chorar de felicidade.
― Hinata, chegamos no lugar. Você está bem?― Um dos homens enviados pela ONG para me ajudar estava me encarando agora.
― Eu estou bem, é só alergia. ― Comecei a rir, o que fez ele dar de ombros e descer do carro. Tinha junto com ele, mais três pessoas que iriam ficar ali comigo, como eu disse, ser amiga da Tsunade tem suas vantagens.
Estávamos organizando os itens que iríamos doar. Como o foco eram os idosos, pensei em doar fraldas e cadeiras de roda, bengalas, alguns itens de suporte e outros objetos desse tipo. Não era pesado uma cadeira de rodas, mas depois de carregar vinte cadeiras você sente o seu braço mais pesado.
― Que mole o seu braço. ― O príncipe cutucou o meu braço, mas ele ia ficar duro quando acertasse a cara dele.
― O que você está fazendo aqui, Príncipe.― Falei. Às vezes tenho medo de que pensem que somos alguma coisa, porquê esse apelido é muito íntimo, acho que toda mulher que conversa com ele tem esse medo.
― Eu apenas vim observar o seu trabalho, mas vejo que é tão fraca que nem consegue carregar uma cadeira de rodas. ― Ele me tira do sério.
― Eu já carreguei vinte. Também tenho limites sabia? Mas o meu limite é mais longo que o seu. Disso eu tenho certeza.
Será que eu perdi o amor pela vida? Eu já não tenho um amor, agora eu quero perder a vida também?
Para o meu alívio, Naruto apenas revirou os olhos e deu um largo sorriso. Ele parece ter um bom senso humor.
― Eu vou carregar trinta cadeiras, mas você terá que me pagar um almoço. É o seu castigo por ser tão malcriada. ― Acho que ele percebeu que eu não gosto dele. Mas o meu braço está cansado mesmo, então uma ajuda, mesmo que paga com um almoço, vai valer a pena.
― Eu topo. ― Ele me estendeu a mão e eu a apertei forte, como eu disse outro dia, se você se mostrar fraca, eles te detonam, pelo menos aqui.
Acho que o fato de eu ser corajosa e confiante (pelo menos por fora) influencia em como o príncipe me enxerga. Na verdade todas as pessoas no geral acabam confiando em mim, acho que transmito confiança, isso é bom.
Tomei uma garrafa de água inteira enquanto assistia ele carregar para cá e para lá trinta cadeiras de roda. Ele estava sozinho hoje, não tinha nenhum segurança ou algo do tipo por perto. O que era bom e ao mesmo tempo ruim, porque se já é péssimo ter homens da Força de vigiando, imagina o chefe deles. Acho que multiplica o ruim pelo pior.
Se bem que ele não é tão mal assim, só é um pouco Imprevisível e irritante, mas parece ser um cara legal.
É melhor eu parar de só procurar o lado positivo das pessoas, posso acabar me afeiçoando por um chefe de quadrilha.
Conseguimos doar tudo o que trouxemos. Apareceu vários idosos e também muitos adultos para pegarem os itens, os adultos que vieram disseram ter um parente idoso que está de cama, ou então que não consegue andar até aqui. É triste, mas que bom que consegui ajudar essas pessoas. Até o príncipe ficou para assistir. Na verdade ele está mais para esperar o almoço que eu prometi que iria pagar ksksksk.
― Está pronta? ― Eu já tinha terminado arrumar as coisas quando ele apareceu.
― Estou. Vamos com o seu carro o com o meu? ― Não era bem o meu carro, e era uma van. Tudo por conta da Tsunade, ela é tão generosa comigo, adoro quando fazemos um café da tarde e botamos as novidades em dia, inclusive já está na hora de visitar ela de novo.
― Vamos no meu. ― Respondeu.
Seguimos até a o centro do Estado do Rio de Janeiro, estava quase pensando em desistir quando finalmente paramos em frente a um restaurante, que para o meu alívio não parecia ser caro. É importante pensar nisso quando é você que vai abrir a carteira.
A comida era muito boa, eu conhecia todos os pratos, mas o meu favorito é sempre feijão, arroz, carne e farofa.
Como eu amo farofa!
― Gostou? ― Ele me pergunto.
― Gostei sim, príncipe. ― Ele sorriu para mim e então ficou pensativo, mas por um breve momento e voltou a conversar.
― Sabe, você pode me chamar de Naruto se quiser, é o meu primeiro nome. ― Me senti envergonhada nessa hora. Eu sabia que esse era o nome dele porque o Kiba tinha falado, mas mesmo assim, chamar ele pelo nome enquanto todos chamam por um codinome é algo meio... incomum.
― T-Tudo bem. ― Eu poderia ter dito algo melhor, mas não consigo pensar direito nesse momento. Por que o olho dele tem que brilhar tanto na luz do sol? É muito chamativo pra mim, pra qualquer pessoa na verdade. Olhei ao redor e tinha algumas mulheres olhando para ele, nem todas estavam desacompanhadas.
Como eu já havia pagado a conta, era só irmos embora agora. Peguei a minha bolsa e chamei o príncipe, quer dizer, o Naruto, para irmos embora.
Quando estávamos passando pela porta, demos de frente com um casal que estava entrando no restaurante. O Naruto quase se esbarrou no homem, mas ele não ficou bravo nem nada do tipo, ficou feliz porque o homem com quem cruzamos era o Kiba, e a moça que o acompanhava era a minha irmã, Hanabi.
VOCÊ ESTÁ LENDO
A Princesa Hyuuga
RomanceHinata tem uma vida tranquila e calma, mas nem sempre foi assim. Quando criança tivera uma infância repleta de traumas e escassez, por muitas vezes passara por dificuldades, já havia lhe faltado comida e roupas, mas fora salva pelas constantes doaçõ...
