Capítulo dois

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Uma forte corrente de ar entrava pela janela do táxi. Poderia o lindo sol da manhã se transformar em nuvens potencialmente carregadas de granizo?

Hinata não acreditava nisso, mas a previsão do tempo sim. Pelo menos teria mais disposição pela manhã, exatamente o que precisava para encarar mais um dia de trabalho. Não que fosse fazer muito esforço. Muitos me chamariam de "bancária", o que não é errado dentro do termo de que todos que trabalham em um banco podem ser chamados assim, porém eu prefiro me referir como "caixa" . Minha função consiste em atendimento ao cliente e a disposição para fazer transferências e operações nos caixas eletrônicos. É bem simples na verdade, porém posso me ver muitas vezes entediada no serviço.

Talvez eu seja uma preguiçosa..

Não fale isso Hina! Um dia você ainda vai encontrar algo que goste.

Eu espero que sim, espero mesmo.

Enquanto esse dia não chega, estarei contente em aproveitar a vida até lá. Poderei fazer mais do meu hobbie até chegar esse dia. Posso não saber no que quero trabalhar, porém sei o que gosto de fazer no meu tempo livre: caridade. Isso mesmo que você leu, eu gosto de fazer coisas para os outros quando me sobra tempo, isso me faz sentir viva e realizada. Talvez seja assim que as pessoas que encontraram o trabalho dos sonhos diriam.

Entrei no banco no qual trabalho. Deixei minha bolsa em um armário que ficava dentro da cozinha (ainda não tinha um armário específico para os funcionários deixarem suas coisas, então nosso gerente deixava que nós botassemos nossos pertences em armários vazios dentro da cozinha dos funcionários. De vez em quando eu me arriscava de deixar um iogurte gelar para comer mais tarde, raramente eu via o iogurte de novo.

― Bom dia! ⁠―⁠ Cumprimentei a minha colega, seu nome era Kushina.

⁠―⁠ Bom dia Hina. ⁠―⁠ Começamos a conversar sobre o que cada uma fizera no final de semana anterior e o que pretendemos fazer no seguinte. ⁠―⁠ Até sei o que você vai fazer. ⁠―⁠ Disse Kushina.

⁠―⁠ E o que seria? ⁠―⁠ Perguntei.

⁠―⁠ Você vai visitar aquele abrigo de idosos de novo. ⁠―⁠ Disse sorrindo. Ela gostava de tentar adivinhar qual seria os meus planos.

⁠―⁠ É uma boa ideia, faz semanas que não fui lá, mas por incrível que pareça, dessa vez não tenho nada em mente. ⁠―⁠ Confessei envergonhada. Às vezes sinto como se botasse uma carga em cima dos meus ombros, e não cumprir com as minhas metas idealizadas me deixava muito desanimada.

⁠―⁠ Então aproveita e faz algo para você mesma, saia com alguém, saia com um homem.

⁠―⁠ Kushina!! ⁠―⁠ Comecei a sentir as minhas delicadas bochechas ferverem. Isso me fez lembrar do último homem com quem havia conversado, Kiba.

⁠― Fala sério Hina, deve ter alguém em sua mente, nem que seja para distração. ⁠―⁠ Fiquei ainda mais sem jeito, ela sabia que eu era do tipo romântica. Não iria lhe lembrar desse fato novamente.

⁠―⁠ Não vou sair por sair, mas tem alguém que gostei de conversar, o nome dele é Kiba.

⁠―⁠ Ahh, entendi, um candidato em potencial! Chame-o, vamos. ⁠―⁠ Kushina me incentivava a sair como se fosse uma grande tia minha, talvez era, ela agia como se fosse.

Influenciada por Kushina, Hinata pegou seu celular e começou a procurar o contato. Havia conversado com ele por mensagens ainda naquela manhã, então sabia qual era seu número.

⁠―⁠ Não é melhor ligar? ⁠―⁠ Perguntou a minha colega e amiga.

Estávamos conversando sobre isso abertamente, havia outras pessoas trabalhando nas mesas ao nosso lado, eles nem se importavam mais, sabiam mais de nossas vidas do que nós mesmas. Às vezes uma pessoa ou outra vinha em nossa direção para ser atendida no caixa, mas tirando esses momentos, a conversa corria solta.

⁠―⁠ Acho melhor não. Não sei se teria coragem. ⁠―⁠ A outra mulher apenas acenou com a cabeça, também imaginando a cena.

⁠―⁠ Então terá que ser por mensagem. ⁠―⁠ Comecei a digitar no teclado do computador, para quem me ver de fora pensar que estava fazendo algo importante no sistema, quando na verdade estava conversando pelo whatsapp. Não tinha culpa se já havia adiantado tudo o que precisava fazer naquele dia. As segundas-feiras eram geralmente o dia mais tranquilo, aonde o serviço eu já havia adiantado na sexta ou no sábado.

⁠―⁠ É o gerente, ele não para de me dar instruções. ⁠―⁠ Menti para uma outra colega que passara desconfiada atrás de mim, ela havia ido para o banheiro, ou então para a sala do nosso superior, contar o que havia acontecido. Comecei a ficar nervosa enquanto passava os minutos e nem Kiba e nem a minha colega havia voltado. Por fim ela retorna do banheiro sozinha e começa a atender a uma senhora no caixa 07.

Ufa! Depois dessa eu durmo tranquila. Esse mês eu vou conseguir pagar as contas do meu apartamento.

Me senti um pouco envergonhada pela minha atitude, e talvez um pouco constrangida, mas os sentimentos me fugiram quando vi uma mensagem do Kiba.

⁠― Kushina, ei, psssiiiu. ⁠―⁠ Tentei chamar sua atenção. Ela se vira em minha direção.

⁠―⁠ Ele te respondeu?

⁠―⁠ Ele me respondeu! ⁠―⁠ Disse animada.

⁠―⁠ Com licença? Não estou conseguindo fazer uma coisa ali no caixa eletrônico. ⁠―⁠ Disse um moço, que para o meu desespero, estava se dirigindo à mim.

⁠―⁠ Claro, já vou te atender. ⁠―⁠ Fiz sinal para minha querida colega, que entendeu que leríamos juntas a mensagem, porém mais tarde.

Concluído a assistência, comecei a ler a mensagem.

⁠―⁠ Espera aí. ⁠―⁠ Disse Kushina, havia esquecido que ela leria junto.

Kiba: Por mim tudo bem. Você está livre no sábado à tarde?

Como assim "por mim tudo bem"? Ele não quer mesmo sair comigo? Decidida a encontrar a resposta, digitei o seguinte:

Hinata: Você não precisa ir comigo se não quiser, posso ir sozinha.

Ele pareceu ficar agitado do outro lado, sabia que estava pisando em ovos.

Kiba: É claro que quero sair com você! Desculpa se dei a entender do contrário, estou meio distraído hoje.

⁠―⁠ Ele estava testando você. ⁠―⁠ Dissera Kushina. Eu compartilhava de suas ideias.

Para mim parecia que ele estava querendo ver se eu o deixaria me tratar como quisesse, como uma opção. Mas agora que mostrei o meu valor e pulso firme talvez ele me trate com mais cuidado e atenção. Isso se ele realmente estiver interessado. Ou talvez seja tudo coisa da minha cabeça, e ele na verdade escolheu as palavras erradas para se expressar.

Hinata: Está tudo bem, eu te vejo no sábado então 😘

Kiba: Ok! 😀

E com isso encerramos a conversa.

Trabalhei até às 18:00 horas da tarde, quando o meu expediente se encerrava.

Voltei para a casa de coração agitado. Teria um encontro. Teria um encontro! E isso aconteceria em menos de uma semana!! Qual fora a última vez que havia saído com um homem? Tinha apenas 25 anos e não sabia dizer. Era tão tímida para com esse assunto que não saía muito, então cada encontro era um motivo de celebração para si, não do encontro em si, mas do meu preparo e da minha evolução em se comunicar com um homem. Com mulher era fácil, ela era mulher e sabia como elas pensavam e agiam, mas já com os homens, estes que pareciam tão racionais e por vezes imprevisíveis, eram difíceis de serem lidos por Hinata.

Começara a chover. Acho que teria uma longa semana.

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E aí gente profunda? Tudo bem? Os capítulos dessa fanfic serão mais curtos do que a minha primeira fanfic "Poder". Porém nessa fanfic terá mais capítulos, para compensar e ter a mesma quantidade de páginas, etc.
Um bom final de semana para todos, beijinhos!

A Princesa Hyuuga Onde histórias criam vida. Descubra agora